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allan kardec

Érika Silveira – São Paulo/SP

Outubro marca o mês de Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido mundialmente pelo pseudônimo de Allan Kardec, notável filósofo e educador humanista ligado ao pensamento racional, responsável pela Codificação da Doutrina Espírita.

Após 152 anos de sua morte, conhecimentos fundamentais que fizeram parte da teoria original de Allan Kardec e que foram esquecidos devido a uma série de acontecimentos, a partir de novas pesquisas voltam a ser estudados e colocados em evidência com um trabalho de resgate da proposta essencial do Espiritismo.

O que teria entusiasmado um intelectual francês do século dezenove a reconhecer na teoria espírita o potencial de transformar o mundo? Afinal, que conceitos foram esses trazidos por Allan Kardec e que foram deixados de lado após sua morte?

Como foram essas pesquisas e o que revelaram

Buscando entender o espiritismo trazido no século dezenove e o espiritismo de hoje, a personalidade de Kardec, os bastidores e a troca de cartas da sociedade espírita de seu tempo e sua intimidade, o pesquisador e escritor espírita Paulo Henrique de Figueiredo foi a campo. Descobriu fatos relevantes, como a questão do espiritualismo racional presente na época de Kardec. Ao estudar e se aprofundar nas obras e pensamentos de Kardec para escrever o livro Revolução Espírita que se tornou uma de suas obras de sucesso, Paulo verificou que inúmeros trechos haviam sido retirados e pensou o que será que poderiam ter esses textos?

Na mesma época das pesquisas de Paulo Henrique, chegaram provas da pesquisadora Simone Privato a respeito das adulterações no livro A Gênese- Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, após a morte de Allan Kardec. Exatamente os trechos retirados confirmavam a questão da Autonomia que vinha pesquisando, entendeu então que havia alguma coisa errada.

As Cartas de Kardec e o legado deixado para a humanidade

Ao preparar a tradução original de A Gênese- Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, publicada pela Fundação Espírita André Luiz, em 2018, que veio contribuir com o resgate da história do Espiritismo, veio à tona as cartas de Kardec em posse da família Canuto Abreu. Desde então um grupo de pesquisadores, do Centro de Documentação e Obras Raras da FEAL tem se dedicado a esse material, uma fonte inacreditável de novas informações sobre o espiritismo. O acervo, que lança luzes sobre a história do espiritismo, passa por digitalização, tradução para o português e contextualização.

Diante desse trabalho inédito e surpreendente sobre Allan Kardec, Paulo Henrique se debruçou nos documentos de Canuto Abreu, a partir do qual nasceu o livro Autonomia- A História Jamais Contada do Espiritismo.

Em 2020 mais um passo importante foi dado na preservação da memória espírita no meio acadêmico e científico

Trata-se de uma parceria da Fundação Espírita André Luiz com o Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora, lançada dia 1 de setembro, o Portal Projeto Allan Kardec, um portal de trabalho acadêmico reúne documentos de Allan Kardec espalhados pelo mundo.

Acervo também foi retratado em série documental apresentada na TV Aberta

Devido a sua grande importância, este acervo que traz a recuperação da história espírita, com centenas de cartas e manuscritos de Allan Kardec foi retratado em um dos episódios da Série Em Busca de Kardec, que foi ao ar na TV aberta em abril de 2021 trazendo uma abordagem filosófica sobre as pesquisas do educador francês no século dezenove, que influenciaram o pensamento e a doutrina espírita.

A recuperação da história do Espiritismo

Documentos oficiais guardados nos Arquivos Nacionais e na Biblioteca Nacional da França, além de outras evidências comprovam que a quarta edição da obra O Céu e o Inferno, publicada após o falecimento de Allan Kardec, não é fiel ao conteúdo depositado legalmente pelo autor. O mesmo havia ocorrido com o livro A Gênese: Os milagres e as predições segundo o Espiritismo, cuja quinta edição foi publicada mais de três anos após o falecimento do autor.

Após essas revelações que vieram à tona, no Brasil, coube à Fundação Espírita André Luiz a tarefa de lançar as edições restauradas de ambas as obra, o que que ocorreu em maio de 2018( A Gênese: Os milagres e as predições segundo o Espiritismo) e em julho 2021( O Céu e o Inferno ou a justiça divina segundo o Espiritismo).

Essas pesquisas apuraram também que felizmente todas as outras obras da Codificação: O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo e O que é o Espiritismo , estão absolutamente intactas em suas edições francesas, conforme atestaram os registros oficiais e a comparação dos textos.

O que explica a teoria original de Allan Kardec sobre a Autonomia: Nem Castigos Nem Recompensas

Por milênios, os dogmas religiosos definiram Deus como se fosse um soberano ditador, impondo sua vontade por meio de castigos e recompensas. A vida no mundo seria destinada apenas ao sofrimento como pena imposta aos que caíssem no erro.

O conceito da autonomia que agora é resgatado com muitos esforços pautados na

coragem e dedicação, traduzem a liberdade do espírito para conquistar a felicidade pelo seu próprio esforço.

Esse entendimento sobre a autonomia moral e o nosso destino tem ganhado cada vez mais espaço de reflexão com as recentes descobertas sobre textos originais de Allan Kardec. Baseados em documentos inéditos, esse material tem colaborado de forma histórica para o resgate das ideias do codificador e dos espíritos superiores.

Kardec define a autonomia da alma, suas responsabilidades, e os meios de superar suas imperfeições, trilhando o caminho do bem, por sua iniciativa, escolhas e empenho. Assim, a consequência natural será a felicidade progressiva e definitiva da alma e da humanidade.

Ao encontrarmos nos ensinamentos da Doutrina Espírita a compreensão profunda sobre a moral da liberdade, os conceitos sobre penas futuras e céu e inferno mudam completamente.

Como destaca o pesquisador espírita e autor que têm se dedicado ao estudo profundo de Allan Kardec e a teoria moral espírita, Paulo Henrique de Figueiredo

A teoria esquecida de Kardec é que o Espiritismo veio fundamentar, uma metafísica que propõe a moral autônoma. O mundo espiritual não tem nenhuma lei que vai causar castigos ou recompensas. É fundamentada na liberdade. Tudo que será vivenciado no futuro das pessoas será enfrentado como desafio para o seu desenvolvimento e será sua escolha”.

Para a autonomia da Lei moral (obediência a uma lei que está na sua consciência), somos responsáveis apenas pelo que somos e fazemos no presente. O ser humano que aceita que sua conduta e sua situação são determinadas e mantidas por algo externo, divino, natural e imutável, fica vulnerável e não consegue reagir.

Aquele que se vê livre dessas amarras, consegue enxergar as facilidades e as dificuldades da vida como oportunidades de aprendizado, que lhe permitirão acumular, pela cooperação, os sentimentos de felicidade que ele deseja compartilhar com todos.

O espiritismo afasta as ideias de queda, castigo divino, degeneração do mundo, condenação, sofrimento como punição, enfim, toda a doutrina do pecado. Em seu lugar oferece a verdadeira relação de Deus conosco como sendo estabelecida pela mais plena liberdade. A moral é uma conquista do esforço pessoal, da luta por renovar-se, o Espiritismo revela a autonomia moral como lei fundamental do mundo espiritual.

Sugestões para se aprofundar no entendimento dos ensinamentos espíritas, coleção de obras de estudo publicadas pela editora da FEAL- Fundação Espírita André Luiz.

https://mundomaior.com.br/kit-paulo-henrique.html

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