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1 - Para onde vão as almas dos animais após sua morte? Kardec fala em "tipo de erraticidade," mas qual seria?

A questão 600 de “O Livro dos Espíritos” alude a uma espécie de erraticidade dos animais, porque eles, diferentemente dos Espíritos, são “quase imediatamente utilizados” (destinados à premente ou instantânea reencarnação). Inclusive, “não há tempo de se colocar em relação com outras criaturas”. Esse tipo de erraticidade relatado, raramente acontece com os Espíritos.

Para reforçar o argumento acima, consultemos “O Livro dos Médiuns” - 283. Evocação dos animais. Lá encontramos: 36ª- Pode evocar-se o Espírito de um animal? “Depois da morte do animal, o princípio inteligente que nele havia se acha em estado latente e é logo utilizado, por certos Espíritos incumbidos disso, para animar novos seres, em os quais continua ele a obra de sua elaboração. Assim, no mundo dos Espíritos, não há, errantes, Espíritos de animais, porém unicamente Espíritos humanos. ”

Continuando na tarefa de esclarecimento, surge outra questão: a) “Como é então que, tendo evocado animais, algumas pessoas hão obtido resposta? Evoca um rochedo e ele te responderá. Há sempre uma multidão de Espíritos prontos a tomar a palavra, sob qualquer pretexto."

Importante o comentário: “Um senhor tinha em seu jardim um ninho de pintassilgos, pelos quais se interessava muito. Certo dia, desapareceu o ninho. Tendo-se certificado de que ninguém da sua casa era culpado do delito, como fosse ele médium, teve a ideia de evocar a mãe das avezinhas. Ela veio e lhe disse em muito bom francês: "A ninguém acuses e tranquiliza-te quanto à sorte de meus filhinhos; foi o gato que, saltando, derribou o ninho; encontrá-lo-ás debaixo dos arbustos, assim como os passarinhos, que não foram comidos." Feita a verificação, reconheceu ele exato o que lhe fora dito. Dever-se-á concluir ter sido o pássaro quem respondeu? Certamente que não; mas, apenas, um Espírito que conhecia a história . Isso prova quanto se deve desconfiar das aparências e quanto é preciosa a resposta acima: evoca um rochedo e ele te responderá”.

É impossível não concordar com a Codificação Kardeciana, “com sua base inabalável se assentando sobre os fatos” (Revista Espírita 1865, pág. 41).

Infelizmente, muitas pessoas que amam demais seus animais chegam até a sonhar com eles como se estivessem ainda na erraticidade. Contudo, não podem desrespeitar a Doutrina Espírita, desprezando os ensinamentos da Codificação, acreditando realmente que os animais estão ao seu lado e divulgando o fato como verdadeiro (“Espiritismo à moda da casa”).

NOTA: Na questão 79 de O Livro dos Espíritos, Kardec e os Espíritos esclarecem: “Os espíritos são individualizações do princípio inteligente, como os corpos são individualizações do princípio material. “Na questão 597, em O Livro dos Espíritos, é ensinado que “há nos animais um princípio independente do material e que sobrevive ao corpo”. Logo, os animais são seres que possuem individualidade nas duas dimensões da vida.

2- Ideoplastia

Muitas obras espíritas, relatam animais, na espiritualidade, certamente frutos da ideoplastia, formas plasmadas pelo pensamento dos Espíritos, assim como as edificações, as obras de arte, etc., "Nosso Lar", por exemplo, foi fundado no século XVI, por portugueses, desencarnados no Brasil, certamente utilizando a ideoplastia. Valendo-se do pensamento e da vontade, imprimiram os fluidos espirituais com suas criações mentais, edificando a colônia extrafísica.

Segundo a explicação espírita, “o pensamento e a vontade são o que a mão representa para o homem” (“A Gênese”, cap. XIV, item 14). A todas essas transformações operadas pela mente dá-se o nome de ideoplastia (do grego ideo = ideia + plastos = forma + ia = estudo, análise), ou seja, “estudo da modelagem através do pensamento”.

André Luiz, citando animais protegendo as caravanas, reforça a ideoplastia, tentando dar aos viajores a impressão psíquica de proteção, desde que os seres inferiores, resplandecendo sombras nada podem fazer contra os que portam a luz da superioridade moral. Igualmente, a citação de haver animais, ajudando no transporte, nos faz pensar também em ação ideoplástica de indução psíquica, desde que a Codificação nos esclarece que os Espíritos se locomovem pelo pensamento. Nesse caso, eles (entidades ainda inferiores) acreditam que estão sendo transportados por animais.

É claro que as obras que afirmam haver órgãos no corpo espiritual, almas gêmeas, animais na erraticidade etc. devem ser analisadas, utilizando os critérios kardecianos, os quais empregam os crivos da coerência, passando tudo pelo crivo da razão. É válido o pensamento esclarecedor do Espírito Erasto, encontrado, em “O Livro dos Médiuns”, 2ª parte, cap. XX, item 230: “Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa”.

Embasado na prudência, ensinada por Erasto, não se pode referendar, de imediato, a hipótese preconizada, contrária ao que ensina a Doutrina do Consolador Prometido.

Prezados leitores, fiquemos com a codificação kardeciana, esclarecendo que não existe médium perfeito (Revista Espírita, fev. 1859, “Escolhos dos Médiuns”) e o melhor de todos é aquele que tem sido menos enganado (“O Livro dos Médiuns”, cap. 20, nº 226, 9ª). Tal assertiva deve ser considerada como opinião pessoal do Espírito e que é imprudente aceitá-la e propagá-la como verdade absoluta, desde que tal revelação mediúnica não tenha a chancela do Controle Universal dos Espíritos.

O inglês Harold Sharp descreve em sua monografia “Animais no Mundo Espiritual”, suas experiências espirituais e mediúnicas diante da visão de inúmeros animais. Ernesto Bozzano, pesquisador espírita, em seu livro “A Alma dos Animais” relata mais de uma centena de casos. Se Kardec estivesse entre nós, certamente estaria enquadrando essas experiências como de origem ideoplástica.

Definição de Ideoplastia

O vocábulo ideoplastia foi criado pelo Dr. Durand (de Gros) em 1860, para designar os principais caracteres da sugestibilidade.

Mais tarde, em 1864, o Dr. Ochorowicz o empregou para designar os efeitos da sugestão e da autossugestão, quando ela faculta a realização fisiológica de uma ideia, como se dá nos casos da estigmatização.

Finalmente, o professor Charles Richet o propôs, quando das suas experiências com as senhoritas Linda Gazzera e Eva C. (1912-1914), cujas experiências demonstraram, de feição nítida e incontestável, a realidade da materialização de semblantes humanos, que eram, por sua vez, reproduções objetivadas e plásticas de retratos e desenhos vistos pelos médiuns.

Claro é que, desses fatos, dever-se-ia logicamente inferir que a matéria viva exteriorizada é plasmada pela ideia.

E aí está a exata significação do termo ideoplastia, aplicado aos fenômenos de materialização mediúnica. É a substância viva, exteriorizada e amorfa, sobre a qual se exercem as ideias forças, inerentes à subconsciência do médium, foi designada por ectoplasma, pelo mesmo professor Richet.

Em homenagem à verdade histórica, devo consignar que as materializações ideoplásticas já eram conhecidas de meio século antes e despertaram de modo especial a atenção dos investigadores.

Quanto à substância ectoplásmica, essa era já conhecida dos alquimistas do século XVII, assim como de Emanuel Swedenborg.

Livro: Pensamento e Vida - Ernesto Bozzano

Os animais possuem um princípio inteligente mais elaborado

O Espírito Erasto, em “O Livros dos Médiuns”, capitulo 22- nº 234, diz o seguinte: “Os homens estão sempre propensos a exagerar tudo. Uns, e não me refiro aqui aos materialistas, recusam uma alma aos animais, enquanto outros querem dar-lhes uma, por assim dizer, semelhante à nossa. Porque pretender assim confundir o perfectível com o imperfectível? Não, não, convencei-vos disso, — o fogo que anima os animais, o sopro que o faz agir, movimentar-se e falar na sua linguagem própria, não tem, quanto ao presente, nenhuma aptidão para se mesclar, se unir ou se confundir com o sopro divino, a alma etérea, o Espírito, numa palavra, que anima o ser essencialmente perfectível: o homem, esse Rei da criação. Ora, não é isso que faz a superioridade da espécie humana sobre as outras espécies terrenas, essa condição essencial de perfectibilidade? Pois bem: reconhecei então que não se pode assimilar ao homem, único perfectível em si mesmo e nas suas obras, qualquer indivíduo de outras espécies viventes da Terra.

“O cão, cuja inteligência é superior os animais e o tornou amigo e comensal do homem, será perfectível por si mesmo e por sua própria iniciativa? Ninguém ousaria sustentar isso, porque o cão não faz progredir o cão. E o mais amestrado entre eles é sempre ensinado pelo seu dono. Desde que o mundo é mundo que a lontra constrói a sua choça sobre as águas, sempre com as mesmas proporções e seguindo um sistema invariável. Os rouxinóis e as andorinhas jamais construíram seus ninhos de maneira diferente dos seus ancestrais. Um ninho de pardais de antes do dilúvio, como um ninho de pardais de hoje é sempre o mesmo, feito nas mesmas condições e pelo mesmo sistema de entrelaçamento de capins e pauzinhos recolhidos na primavera, na época dos amores. Às abelhas e as formigas, em suas pequenas repúblicas organizadas, jamais variaram os seus hábitos de coleta de provisões, a sua maneira de agir, os seus costumes e as suas produções. Por fim, a aranha tece sempre a sua teia da mesma maneira.

“De outro lado, se procurardes as cabanas de ramagens e as tendas das primeiras idades da Terra, encontrareis em seu lugar os castelos e os palácios da civilização moderna. Às vestes de peles selvagens sucederam os tecidos de ouro e seda. Enfim, a cada passo encontrareis a prova da marcha incessante da Humanidade em seu progresso. ”

Os animais possuem um princípio inteligente mais elaborado, comparando-o com os vegetais, e que é reaproveitado na mesma espécie. Depois de várias experiências nessa determinada espécie, vivencia outra espécie. Vai adquirindo mais canchas e aprimorando os instintos que fazem parte da individualidade, embora cativos uns dos outros da mesma espécie, o que é denominado, por muitos espiritualistas de “alma-grupal”. Realmente, Kardec não usa essa expressão, a qual, igualmente, não fere os princípios espíritas.

O animal pode se tornar um homem?

Em “A Gênese”: “A alma dos animais segue uma lei progressiva como a alma humana; e que o Princípio Inteligente de que são dotados (…) finalmente estes passarão um dia do reino animal para o reino hominal”. Na Revista Espírita, março de 1860: “Pode (um animal) aperfeiçoar-se a ponto de se tornar um Espírito Humano? – Ele pode, mas depois de passar por muitas existências animais, seja no nosso planeta terrestre, seja em outros. ”

Na resposta da questão 607ª de “O Livro dos Espíritos” há o seguinte ensinamento: “(…) Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer (…)”. “OLE” – Pergunta 540 – “Tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou pelo átomo.” “OLE” – Pergunta 606-A – “Então emanam de um único princípio a inteligência do homem e dos animais? Sem dúvida. ”

Alma Grupo - Impulsos Criativos da Evolução - Dr. Jorge Andréa

“O princípio inteligente no início do seu processo evolutivo, sem a conscientização de seus propósitos, que viria muito depois, quando alcançasse a fase hominal, seria conduzido por um “princípio orientador”, um princípio inteligente grupal que atuaria na matéria permitindo um processo evolutivo através das sucessivas reencarnações; a esse princípio denominamos alma-grupo.

A organização mineral, com todos seus sistemas, seria portanto, a consequência de um “poder” na intimidade de suas unidades atômicas, na força de coesão e atração. Cada sistema de organização mineral seria impulsionado pelo seu próprio princípio específico, pertencente a um grupo, princípio inteligente grupo da espécie ou alma-grupo.

O princípio inteligente (alma-grupo) responsável pelas diretrizes da estrutura mineral depois de milênios de experiência passaria para a fase vegetal onde ganharia os novos potenciais da “sensibilidade”.

Se nos minerais, os atributos são as forças de coesão e atração das moléculas, nos vegetais temos o impulso mais categorizado que é a sensibilidade dos vegetais (não é aquela sensibilidade que nós entendemos junto das nossas posições cerebrais, nervosas, mas sim face às forças da natureza) como o heliotropismo (ligado ao Sol), como o Ph, as posições ácidas e alcalinas da própria terra, nutrindo os vegetais. Dessa forma o espírito vai avançando para depois de bastante trabalho e experiências nesse reino, alcançar o reino animal. Porque é nas experiências que o espírito adquire a posição espiritual definitiva.

A alma-grupo vegetal, com as aquisições no cenário orgânico de seu novo mundo, ir-se-ia tornando cada vez mais complexa, dentro de seu próprio ângulo, a ponto de possuir possibilidades de dirigir a vida vegetal com a mecânica metabólica de que se acha investida. Esses fatores de “sensibilidade vegetal” já foram detectados e mesmo registrados por eletrodos especiais assestados nas folhas de algumas plantas. E o mais interessante é que o registro se fez de tal forma eficiente e positivo, de modo a traduzir estados diversos que oscilavam da alegria ao medo e mesmo ao pavor, quando mentes humanas se aproximavam das plantas com variadas ideias de amor, ódio ou violência. Quando os registros foram feitos, gritaram os pesquisadores dizendo que as plantas possuem sensibilidade. Claro está que é uma sensibilidade sem o cortejo mais enriquecido que caracteriza o reino animal. O registro realizado nas plantas, com delicados eletrodos, seria o resultado da influência da alma-grupo envolvente de toda a organização vegetal pelas suas irradiações.

A alma-grupo vegetal, mais vivida e experiente, despontará, no animal, buscando novas afirmações no instinto.

Como os minerais e os vegetais estariam nas dependências de um condutor e orientador, os animais possuiriam o princípio inteligente mais avançado e evoluído, como uma alma-grupo de seu reino. Existiriam inúmeras colônias vibratórias correspondendo as necessidades das espécies animais. Portanto o princípio inteligente animal responsável pelas orientações vitais pertenceria a determinada alma-grupo da espécie, de acordo com a posição evolutiva em que se encontra a espécie animal.

Do mineral ao animal, a alma-grupo iria sedimentando aptidões, num processo que vai buscando os fatores de um psiquismo cada vez mais consciente. Nas espécies mais simples - os vírus, insetos, peixes - a energética-espiritual estaria muito presa aos seus afins; alma-grupo-da-espécie influenciando todo um conjunto de seres, um único campo vibratório controlando a espécie a que se destina.

À medida que as espécies vão perdendo o contato de colônia, próprio das formas mais simples, vão adquirindo relativa individualidade, “pequeno Eu”, mas que ainda não podem viver completamente fora dessa colônia que lhe deu origem e de onde se nutrem.

Num determinado momento, quando a maturação atinge um grau bem maior , tornando-se independentes, esta fase desponta nas espécies animais que tenham possibilidades do nascimento de novos aspectos psicológicos, isto é, dos primeiros vagidos emocionais e cujo mecanismo sexual se apresenta com outras tonalidades. “ Com certa lógica podemos incluir esta assertiva nos animais em que se evidenciam, na massa nervosa encefálica, as primeiras células da futura glândula pineal e que, por seus aspectos iniciais, são conhecidos e denominados de olho pineal” . Isto acontece nos lacertídeos, certa variedade de répteis. A partir desses animais a alma-grupo, praticamente vai desaparecendo e dá margem ao nascimento das Individualidades. O “espírito-animal” já desligado da alma-grupo pela aquisição de seu Eu, após afastamento do corpo pela desencarnação, ainda não apresenta condições mentais para sustentar-se no lado espiritual como Individualidade, ou seja, ainda não possui condições de independência devido a insuficiência de campos emotivos específicos. Isto o impulsionará, por sintonia, para o lado da espécie a que pertence, a fim de aguardar a oportunidade de nova encarnação ...

E, dos lacertídeos (répteis) ao homem, milhões de milhões de experiências se darão até que o Espírito tenha condições, por aquisições, de expressar-se como Eu que começou a libertar-se da alma-grupo daquela fase animal”.

Espero ter contribuído, mas se o amigo leitor ainda estiver com dúvida, sugiro aprofundar nas obras pesquisadas e citadas como fonte de pesquisa.

Bibliografia

O Livros dos Espíritos, Allan Kardec – questões: 79, 540, 597, 600, 606 A e 607.

O Livros dos Médiuns, Allan Kardec – itens: capítulo XX nº 226 – 9ª, 230, capítulo XXII item 234, e item 283 – 36ª.

A Gênese, Allan Kardec, capítulo XIV item 14.

Revista Espírita, Allan Kardec – 1859 fevereiro, 1860 março e 1865 página 41.

Harold Sharp, monografia – Animais no mundo espiritual.

Ernesto Bozzano – Livro Pensamento e vida.

Jorge Andréa dos Santos – Livro Impulsos Criativos da Evolução

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