pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2019

Sobre o autor

Leonardo Vizeu

Leonardo Vizeu

Compartilhar -

É chegado o mês de dezembro onde convencionou-se celebrar o natalício de nosso modelo e guia: Jesus Cristo. Dentre tantos aspectos notáveis sobre a personalidade do Mestre Nazareno, bem como sobre o conjunto de virtudes morais que nos legou em sua passagem pelo plano material, pode-se destacar o episódio denominado Sermão do Monte. Nesta relevante passagem, descrita nos Evangelhos de Mateus V;1-12 e de Lucas VI;20-49, o Cristo, denominação derivada do grego Krhistós1 que significa ungido2, ensina a seus discípulos como seria possível ser feliz, em que pese ter ensinado que a verdadeira felicidade não é mundana, tampouco material. Dentre as diversas lições que nos ensinou, pede-se licença ao leitor para se trabalhar a constante no Verso 11, Capítulo V, da Boa Nova descrita por Mateus, que se trata de uma exortação à Justiça.

Um dos mais complexos temas que envolvem a teoria do direito e a filosofia orbita em face da Justiça. O tema assume as mais diversas feições e, não raro, não é tratado com a devida profundidade que sua complexidade necessita. A teoria da justiça se propõem a apresentar modelos de condicionamento do exercício das liberdades individuais à realização do bem-estar comum. O surgimento dos modelos de engenharia política que resultaram no Estado Democrático de Direito teve como um de seus pilares fundamentais a defesa da liberdade, como norte inafastável para manutenção do tênue equilíbrio entre o Estado e o cidadão. Por liberdade, em um sentido filosófico, pode-se conceber a ideia de ausência de submissão e de servidão, traduzindo-se na total independência do ser e na possibilidade de pleno exercício de seu livre-arbítrio como instrumento de autocondução no meio em que se vive.

Há que se ter em mente que a teorização sobre a liberdade é uma constante no pensamento humano, sendo registrada em trabalhos de pensadores como Aristóteles, Platão, Agostinho, Tomás de Aquino, Thomas Hobbys, Ronald Dworkin, John Ralws, Amartya Sen, dentre outros. Muito se debate no meio acadêmico, filosófico e jurídico, sobre o que seria uma conduta justa. Aristóteles, na obra Ética, Tomo V definia que “o justo é uma das espécies do gênero proporcional (...) o proporcional é o meio termo (...) a injustiça leva ao excesso e a falta”.

Em uma primeira leitura, pode-se dizer que Jesus faz menção ao direito mundano, isto é, às regras de conduta convencionadas pela sociedade, que são mutáveis e extremamente voláteis, a depender de uma série de conjunturas estruturais, institucionais, culturais e históricas. Muito além da lei dos homens, Jesus conclama como Justiça o sentimento de fidelidade às Lei de Deus, que se encontram escritas em nossa consciência pela Força Suprema, quando nos individualiza quanto serem inteligentes da Criação. Neste sentido, nos ensina o Espírito da Verdade, por ocasião da resposta à questão 621 do Livro dos Espíritos: “Onde está escrita a lei de Deus? Na consciência”.

Logo, a felicidade, como ensinou o Cristo, somente perfar-se-á quando formos fiéis às Leis Divinas. Para tanto, basta, em todos os nossos atos e condutas, estarmos em paz com nossa consciência. Prosseguindo com os ensinos do Sermão do Monte, o verso 37 do Capítulo VI do Evangelho de Lucas traz a seguinte máxima do Cristo: “Não julguem e vocês não serão julgados. Não condenem e não serão condenados. Perdoem e serão perdoados”. Sabe-se que não há como se passar pelo plano material sem se fazer juízos de avaliação sobre a conduta de nosso próximo.

Todavia, nossa opinio sobre o circunvizinho não pode nunca ser feita para depreciá-lo ou expô-lo em suas faltas e erros. Jesus nos ensina que somente temos direito de olhar para quem está abaixo de nós se for para estender-lhe a mão e ajudá-lo a se erguer. Assim, que neste 25 de dezembro, ao lembrar do nascimento do Mestre de Nazaré, que se faça sob um aspecto interno, tendo-se em mente que todas as virtudes sociais se resumem na máxima do Cristo: “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15:12).

O Cristo não pede de seus seguidores realizações grandiosas ou a feitura de prodígios miraculosos, mas, apenas, que se amem mutuamente e incondicionalmente. Seu sentido de justiça se traduz em um aspecto de reforma íntima, para que, ao vencermos nosso inimigo íntimo, o homem velho que nos habita, nos apresentemos como uma versão melhor daquilo que já fomos no passado, e que, certamente, têm muito ainda que evoluir na jornada rumo à felicidade e em busca de nossa paz de consciência.

1Em hebraico o termo é traduzido como Messias.
2Ungida é a pessoa que foi abençoada por meio da aplicação de óleos consagrados (unção);
Vide: Bíblia on line; Livro dos Espíritos (FEB); Evangelho segundo o Espiritismo (FEB).

Compartilhar
Topo
Ainda não tem conta? Cadastre-se AGORA!

Entre na sua conta