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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2021

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Se os pais soubessem da força que tem os seus exemplos diante dos filhos, talvez se tornassem mais conscientes dos seus atos. Muitas vezes, um gesto, uma palavra, um posicionamento diante de um fato corriqueiro podem ajudar a plasmar o caráter do filho, para o bem ou para o mal.

Pedro, de seis anos, foi com o pai visitar a avó. Chegou muito feliz, trazendo nas mãos três carrinhos, que acabara de comprar. Todo entusiasmado por ver crescer a sua coleção, mostra-os, comentando que pagaram muito pouco por eles: 33 reais. Conhecedora da atual paixão do neto por esse tipo de brinquedo, ela decide presenteá-lo com um dinheiro, para que adquira mais um para a coleção.

O pai, que a tudo assistia, imediatamente pergunta ao menino o que se deve fazer quando se ganha um dinheiro. Ele hesita, dá uma resposta típica de criança: comprar uma coisa que se deseje. “Não, não, não!”, responde, e insiste, com a mesma pergunta, fazendo-o ver que seria outra a resposta. Para ajudá-lo, indaga se ele estava devendo dinheiro a alguém. Caindo em si, a criança balança a cabeça em sinal afirmativo, dizendo: “A você, que me emprestou o dinheiro para completar o que faltava para a compra dos carrinhos”. E na sequência do diálogo, o pai repete a orientação tantas vezes apresentada: quando se recebe um dinheiro há que se pagar a quem se deve, em primeiro lugar e, depois, se sobrar algum, pode-se, então, gastar com o que se quer.

A avó ia dar o caso por encerrado quando o filho trouxe, da memória, uma história antiga, passada quando ele tinha aproximadamente a mesma idade que o seu menino agora tem. A mãe precisara ir, de carro, ao centro da cidade e o levara consigo, juntamente com sua irmã menor. Quando se preparavam para retornar, aconteceu um incidente: ela batera, sem querer, no carro que estava estacionado à frente, causando uma avaria. Preocupada em assumir os custos do conserto, decidiu que a única forma de manter contato com o proprietário seria esperar até que ele voltasse. Foi uma longa espera. As crianças indóceis, dentro do carro, insistiam para que ela desistisse dessa ideia. Queriam voltar logo para casa. Ela, consciente da importância da formação moral dos filhos, aproveitou o tempo para lhes ensinar sobre a honestidade, retidão, dignidade e cumprimento dos deveres. Lição aprendida, que seu filho jamais esqueceu.

Em ocorrência semelhante, quando já era adulto, depois de ter batido em um carro, procurou o proprietário, de loja em loja, até encontrá-lo, para ressarci-lo do prejuízo. Episódios como esses têm o poder de deixar marcas profundas e inesquecíveis na formação do caráter infantil.

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