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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2021

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Abro o celular e começo a ver as diversas mensagens que me foram enviadas. No geral, as mesmas de sempre. De repente, uma delas chama a minha atenção. É o meu amigo, escritor e pai estreante de uma bebê de quatro meses, que me encaminha a cópia de uma carta que endereçou a sua filhinha. À medida que leio, percebo o quanto o tema que o inspirou precisa ser amplamente divulgado e discutido nos dias atuais.

Trata-se do papel de um pai divorciado que fez questão de dividir com a mãe da criança, os cuidados com a filha. O sentimento de paternidade, aliado à consciência da sua responsabilidade ante esse espírito que ajudou a trazer à Terra, o fez estar presente em todas as consultas médicas, a vibrar com os preparativos e a acolhê-lo na hora do seu nascimento. Dedica três noites semanais a dividir com a mãe os cuidados do sono, do mamar e da brincadeira. E, nas manhãs seguintes, a leva a passear por diferentes lugares, principalmente, a pracinha.

Vê-lo levando a criança no sling – aquele pano que as mães envolvem no corpo e que permite carregar o bebê bem aconchegado a elas – chama a atenção dos que passam, mas é também motivo de aproximação das babás. Com uma ou outra sentada ao seu lado, conversa assuntos próprios da maternagem. São momentos de intensa felicidade, embora tragam em si a tristeza de sabê-los tão curtos. Destaco esse trecho da carta e reflito sobre a complexidade dos sentimentos por ele vivenciados:

“Aquela manhã foi incrível, como muitas delas têm sido, mas chega sempre a hora em que é preciso deixar você em casa, seguir. Ali tem nascido em mim uma consciência fulminante em torno da brevidade da vida. É tão rápido o tempo que tenho contigo, quando ele já passou e eu olho para trás. Ao mesmo tempo, é tão grande estar ao seu lado e sentir que está pertinho. O paradoxo de existir mora no espaço de um abraço, um cheiro e um beijo na testa. Está tudo ali. A isso, damos o nome de amor”.

A leitura desse trecho me remeteu imediatamente a Allan Kardec, em O Evangelho segundo o Espiritismo, quando comenta sobre o papel dos pais ao nos apresentar a prece por uma criança que acaba de nascer. Segundo registra, cabe aos pais o encargo de guiá-la no caminho do bem, ressaltando que eles responderão perante Deus pela forma como desempenharam esse mandato. E acrescenta que para facilitar tal tarefa “foi que Deus fez do amor paterno e do amor filial uma lei da Natureza, lei que jamais se transgride impunemente”.

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