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Artigo do Jornal: Jornal Abril 2021

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Não faz muito tempo, disputar quem ficaria com o caderno de receitas da avó era comum entre as moças da família. Quando se tratava de várias netas, as que não conseguiam o privilégio de herdar o caderno, procuravam anotar as receitas que, perpassando gerações, traziam o traço da identidade culinária da família.

Não foi pois, sem razão que, outro dia, uma amiga foi surpreendida com a atitude inesperada de uma de suas netas, uma jovenzinha de 14 anos. Há três meses passara a viver na casa da avó e, sempre envolta com as tarefas escolares online, pouco conversavam. Uma tarde de domingo, sugere, pela primeira vez: “Vó, vamos fazer um bolo de chocolate?” A resposta veio com um largo sorriso de aprovação e alegria. Lembrando-se de que no seu precioso caderno de receitas, recebido da sua própria mãe, havia a do bolo de chocolate que durante décadas era apreciado por toda a família, correu para buscá-lo. Estava, ainda, procurando a receita quando ouviu a neta dizer que não precisava. Com o celular na mão, já se dera por satisfeita com a que a internet lhe mostrara. Decidida, não se deu, sequer, ao trabalho de olhar para o caderno que a avó trazia nas mãos. Tristeza. Decepção. Ainda assim, a senhora soube ser grata a Deus por ter a companhia da jovem e por vê-la, pela primeira vez, interessada em culinária. Enquanto preparavam o bolo, meditava sobre as profundas mudanças geracionais que estão ocorrendo.

O caso nos remete a Allan Kardec quando, em 1868, no seu último livro – A Gênese – deixou registrado o que os Espíritos Benfeitores afirmaram: “A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas gerações. Colocados no ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares. Têm ideias e pontos de vista opostos as duas gerações que se sucedem.”

É curioso observar que, na continuidade dessa explicação, há referência à mudança no caráter dos novos espíritos que estariam chegando à Terra, com “um sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior; [...] aptos a secundar o movimento de regeneração do planeta”. Ou seja, são espíritos que pensam de forma completamente diferente da geração anterior, e estão mais avançados, na sua ascensão espiritual.

Analisando o caso relatado à luz do que é pontuado naquela obra, percebemos que, no campo da afetividade, ainda estamos vivenciando um lento processo de transição. Novas conquistas na área dos sentimentos não estão, ao que parece, acompanhando o progresso espiritual.

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