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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2019

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Usar as redes sociais para interagir com inúmeras pessoas, opinar, discutir, criticar, aprender, ponderar e realizar outras ações já faz parte do cotidiano de milhões de pessoas. A vida já não é mais a mesma. O advento da internet provocou mudanças radicais na sociedade contemporânea. Nossas preferências nos levam a acessar o que ela pode oferecer de melhor: ricas interações afetivas, boas notícias, histórias edificantes, músicas que elevam, palestras instrutivas, diversão saudável, conteúdos enriquecedores, bons cursos, e muito mais. Tudo isso nos ajuda a manter uma sintonia espiritual agradável.

É evidente que o universo cibernético não está povoado somente por coisas positivas. Espaço aberto e neutro, aceita tudo. Cabe a nós, os usuários, selecionarmos o que é bom e repelir o que não nos torna criaturas melhores.

Para os apreciadores de noticiário negativo, há um desfile de dados que leva a crer que só existe maldade no mundo.

Apesar de tendências em contrário, somos de opinião que a maioria de nós é formada por gente honesta e confiável. Necessitamos urgentemente acreditar nisso, buscando modelos no nosso cotidiano.

Bons exemplos não faltam, como o do episódio envolvendo um maestro e um taxista, no Rio de Janeiro.1 Numa corrida da Gávea para o Centro, o músico Mateus Araújo acabou esquecendo o seu violino no banco do táxi. Era a última viagem do dia para o motorista, razão pela qual somente percebeu o fato na manhã seguinte. O violinista, no entanto, ficou arrasado com a perda: o instrumento era um companheiro de uma vida inteira. Contava 14 anos quando o ganhou de sua mãe. Confiando nos bons sentimentos das pessoas, fez uma postagem numa rede social na qual declarava estar atualmente trabalhando no projeto Ação Social  pela  Música no Brasil, regendo a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro. Dizia: “Para mim, o violino é fundamental porque além de reger a orquestra, dou aulas e toco com os meninos. É o meu instrumento de trabalho.”

Em poucas horas sua mensagem alcançou milhares de compartilhamentos, acompanhados de comentários positivos e alentadores.

Por seu lado, o motorista fez o que estava ao seu alcance: no dia seguinte, retornou ao ponto em que havia deixado o instrumentista e, após uma investigação, ficou sabendo haver ali a Escola Nacional de Música. Com esperança de poder devolver o violino ao dono, fez o possível para se informar. Ficou muito frustrado quando percebeu que seus esforços foram em vão.

Mas sua própria família também havia se envolvido nessa ação. Sua filha leu o apelo do maestro e, juntando as duas pontas, conseguiu promover o final feliz. A gratidão do maestro foi além das palavras. Emocionado ao receber de volta o seu violino, ali mesmo, na rua, tocou para um pequeno público que aplaudia o seu som e o gesto daquele profissional tão honesto.

Você agiria dessa forma? E o seu filho faria o mesmo? E a maioria dos seus colegas de trabalho? Imaginamos que a resposta seja um contundente “sim”.

Foi uma multidão de pessoas que compartilhou e vibrou com a notícia da recuperação do instrumento. Possivelmente a maioria de nós é como aquele taxista.

Na nossa experiência como educadora, temos visto inúmeros exemplos de crianças que já começam a colocar em prática os ensinamentos de Jesus, registrado por Mateus (5:37): “Seja, porém, a vossa palavra sim, sim; não, não.”; e (7:12) “Faça aos outros tudo aquilo que gostaria que os outros fizessem a você”. São aquelas que buscam aprender o valor da verdade e estão sendo educadas para agir de forma ética nas suas relações com o outro, tal como o homem que encontrou o violino.

Aprendemos com Kardec que grande parte dos espíritos traz tendências e inclinações negativas, mas que são passíveis de serem transformados pela ação firme e decidida dos responsáveis por sua educação moral – os pais ou substitutos eventuais. Santo Agostinho, por sua vez, alerta-nos, em O Evangelho segundo o Espiritismo, que a cada pai e a cada mãe Deus perguntará o que foi feito do filho que lhe foi entregue. E, acrescentando uma palavra de estímulo, afirma que todos serão fartamente recompensados se conseguirem aproximar de Deus aquelas almas.

Este é o desafio. Pais amorosos e zelosos com suas obrigações saberão, certamente, vencê-lo.

 


1 O fato foi relatado em O Globo, 07/08/17.

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