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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2019
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Na manhã nublada de sábado, véspera do Natal, fui visitar o querido Amazonas Hércules no Centro Espírita Filhos de Deus.

Amazonas Hércules foi uma pessoa adorável e estimado por todos que o conheceram durante a sua vida de trabalho na Colônia Curupaiti, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro.

Embora sofresse com as consequências físicas provocadas pela hanseníase, conviveu durantes anos com um sorriso marcante na face, aceitando as condições da doença com dignidade, perseverança e esperança, pois confiava nos ensinos consoladores da Doutrina Espírita.

Quem viu aquele homem sentado numa cadeira de rodas, com as pernas e os dedos das mãos amputados, diabético e outras mazelas comuns a doença, não podia imaginar que se tratava de um ser humano forte e interessado em servir tanto nas comunidade onde morava, como nas adjacentes que apresentavam suas necessidades peculiares.

Sou testemunha das suas lutas e das suas dores extremas. Nunca ouvi sair da sua boca reclamações, apenas o sorriso e a palavra de conforto aos que lhe procuravam em busca de consolo.

No campo das artes ele foi um poeta maravilhoso, que escrevia versos com facilidade, tanto que nos deixou inúmeras poesias e poemas.

Lembro-me, ainda hoje, quando cheguei no centro espírita e lá estava o companheiro grisalho, curvado à mesa, provavelmente, em prece silenciosa, em favor dos trabalhos espirituais. Enfermeiras voluntárias aguardavam sentadas em prece o momento de seguirem com ele até as residências dos irmãos hansenianos, que aguardavam em seus leitos ao lado dos seus familiares.

Quando ele levantou a cabeça e olhou em torno da sala e me viu, abriu um largo sorriso, cheio de carinho e com a voz forte e pausada, pronunciou o meu nome saudando-me graciosamente, pedindo-me, que sentasse ao seu lado e lhe ajudasse fazendo a leitura da página evangélica.

Após a breve leitura fez suave explanação da mensagem, dando por aberto os trabalhos. Levantei e conduzi o amigo em sua cadeira de rodas até a porta do centro. Os passarinhos pulavam de galhos em galho e cantavam frenéticos, como se estivessem saudando os tarefeiros.

De repente, em tempo, chega uma caravana capitaneada pelo também amigo e saudoso Gérson Monteiro. Assim que desceu do seu carro, eufórico e risonho, saudou a todos com alegria, dizendo que precisava da nossa ajuda para carregar as bolsas com frutas, que estavam nos carros.

Amazonas sorriu e disse para o Gérson Monteiro, que o dia estava coroado, pois a presença de mais amigos e das frutas ajudariam a compor a visitação, porque agora tínhamos o alimento espiritual e material garantidos.

Gérson Monteiro aproveitou a deixa e foi distribuindo as bolsas dizendo que o soldado no quartel, enquanto descansa, carrega pedras.

Uma sonora gargalhada cortou o silêncio, dando o lugar a descontração e o bom ânimo para o serviço.

Seguimos então, para a tarefa do dia preenchidos de entusiasmo.

Enquanto as enfermeiras atendiam os pacientes com os tratamentos necessários, um grupo entregava as bolsas de frutas, enquanto outro grupo fazia a prece, visando manter a sintonia dos trabalhos.

Tudo transcorreu normalmente, a ponto de terminar as visitas às 15 horas em ponto. Voltamos para o Centro Espírita Filhos de Deus, onde Amazonas Hércules fez a prece de agradecimento, dando por encerrado os trabalhos do dia. Desejou-nos uma feliz noite de Natal, enquanto todos se confraternizavam entre si.

Aos poucos a sala se esvaziou, ficando eu e Gérson Monteiro com o amigo querido. Levamos ele até sua casa, que logo pediu para deitar, pois estava exausto.

De olhos fechados já quase dormindo, ouvimos ele dizer baixinho:

- O Natal pode ser inesquecível, desde que sejam traçados os objetivos cristãos.

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