
Para maioria dos encarnados que não conhecem a Doutrina Espírita, esse fato pode parecer absurdo, não tendo a menor possibilidade de existir. Porém, para os fazem uso do seu conhecimento são unânimes em afirmar a existência desses espíritos na sua vida cotidiana.
Certa vez, ouvimos também de uma senhora vidente após apresentação da peça Renúncia, a seguinte narrativa:
- Quero parabenizá-lo pelo belíssimo espetáculo, bem como ressaltar um fato que me chamou muito atenção durante a encenação dos seus atores: havia no palco um grupo de atores invisíveis atuando em paralelo, orientado por um diretor cênico, sentado numa cadeira, bem ali, à esquerda. Eles atuavam com seriedade, ocupando o mesmo espaço, dando-me a impressão de não estarem percebendo o que estava sendo apresentado.
Vejamos a explicação dada por Allan Kardec, na companhia do médium vidente, enquanto assistiam a ópera no teatro e os fatos ocorridos durante todo o evento:
“Assistimos certa noite à representação a ópera Obéron ao lado de um excelente médium vidente. Havia no salão grande número de lugares vazios, mas muitos estavam ocupados por Espíritos que pareciam acompanhar o espetáculo. Alguns se aproximavam de certos espectadores e pareciam escutar as suas conversas. No palco se passava outra cena: por trás dos atores muitos Espíritos joviais se divertiam em contracená-los, imitando-lhes os gestos de maneira grotesca. Outros, mais sérios, pareciam inspirar os cantores, esforçando-se por lhes dar mais energia. Um desses mantinha-se junto a uma das principais cantoras. Julgamos as suas intenções um tanto levianas e o evocamos após o baixar da cortina. Atendeu-nos e reprovou com severidade o nosso julgamento temerário. ‘Não sou o que pensas, — disse, — sou o seu guia, o seu Espírito protetor, cabe-me dirigi-la’. Após alguns minutos de conversação bastante séria, deixou-nos dizendo: ‘Adeus. Ela está no seu camarim e preciso velar por ela’”.
Evocamos depois o Espírito de Weber, autor da ópera, e lhe perguntamos o que achava da representação. “Não foi muito má, — respondeu, — mas fraca. Os atores cantam, eis tudo. Faltou inspiração. Espera, — acrescentou, — vou tentar insuflar-lhes um pouco do fogo sagrado”! Vimo-lo então sobre o palco, pairando acima dos atores. Um eflúvio parecia se derramar dele para os intérpretes, espalhando-se sobre eles. Nesse momento verificou-se entre eles uma visível recrudescência da energia.
É importante dizer, o quanto somos frágeis diante da realidade. O quanto precisamos ter mais atenção, a cerca do dia a dia e sobre as nossas escolhas.
O conhecimento espiritual serve de alerta geral, diante de tantas ofertas nefandas, oferecidas através da propaganda e diversão.
Allan Kardec, nos fala um pouco mais sobre o que ocorreu no teatro:
- Eis outro fato que prova a influência dos espíritos sobre os homens, sem que estes o percebam. Assistimos a uma representação teatral com outro médium. Conversando com um Espírito espectador, disse-nos ele: “Estais vendo aquelas duas senhoras sozinhas num camarote de primeira? Pois bem, vou me esforçar para tirá-las do salão.” Dito isso, foi se colocar no camarote das senhoras e começou a falar-lhes. Súbito as duas, que estavam muito atentas ao espetáculo, se entreolharam, parecendo consultar-se e a seguir se foram não voltando mais. O Espírito nos fez então um gesto gaiato, significando que cumprira a palavra. Mas não o pudemos rever para pedir-lhe mais explicações.
Muitas vezes fomos assim testemunhas do papel que os Espíritos exercem entre os vivos. Observamo-los em diversos lugares de reunião: em bailes, concertos, sermões, funerais, núpcias etc., e em toda parte os encontramos atiçando as más paixões, insuflando a discórdia, excitando as rixas e regozijando-se com suas proezas. Outros, pelo contrário, combatem essa influência perniciosa, mas só raramente são ouvidos.