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Dona Elenir...Tia Elenir...Elenir... nas diversas formas de tratamento, Elenir Meirelles era procurada por companheiros, jovens, crianças, amigos - simpatizantes ou não da doutrina dos espíritos - para atender às diferentes necessidades dos que a buscavam. Sempre pronta a escutar o problema do próximo, não media esforços nem tempo de dedicação à atividade do ‘atendimento fraterno'.

Nascida em 14 de março de 1937, na localidade de Aperibé, então 5º.Distrito de Santo Antônio de Pádua, no Estado do Rio de Janeiro, era filha caçula de Leonardo Francisco Ramos e Doralisa Volú Ramos - respectivamente - Sr. Leonardo e Dona Dodô, muito nossos conhecidos.
Seus primeiros passos no conhecimento da Doutrina Espírita foram dados sob a orientação segura de seus pais. Naquela oportunidade, não havendo Centro Espírita em Aperibé, as reuniões Evangélicas, Mediúnicas e de Estudo (Evangelho no Lar) aconteciam na própria casa da família e tinham como dirigente o Sr. Leonardo Francisco Ramos.

Em 1954, tendo a família se transferido para a cidade do Rio de Janeiro, Elenir passou a freqüentar a Mocidade Espírita Pedro de Alcântara - anexo ao Centro Espírita Miguel, na rua Glaziou, bairro da Abolição.
Quando, em 1957, o Sr. Leonardo retornou ao mundo espiritual, Elenir já estava noiva de Lineu Meirelles, vindo a se casar em 14 de maio de 1959. Sabendo de sua transferência, à partir do casamento, para a cidade de Niterói e da dificuldade que encontraria em seu novo núcleo familiar , uma vez que o seu marido não era espírita, buscou lenta e amorosamente encontrar alguém que pudesse introduzi-la no Movimento Espírita da Cidade Sorriso.

À partir da amizade existente entre o Dr. Floriano Peres e o Lineu - agora seu marido, Elenir conheceu Norberto Herdy Boechat. Estava aberto o grande caminho por onde a "Minha Menina" - tratamento carinhoso recebido de Norberto - iria conduzir toda a sua trajetória grafando de forma indestrutível a sua passagem, nesta encarnação, por Niterói, na Doutrina dos Espíritos, no Movimento Espírita e no Serviço com Jesus.

Vinda de uma família grande, Elenir agora ao lado de Lineu, repetirá o feito de seus pais. Recebendo em seu lar os seis espíritos que formam a família - Leonardo Galileu, Liele Maria, Lineu M. Junior, Laércio, Marlete e Fábio - buscará atingir os objetivos traçados pelo conhecimento espírita.

O grande trabalho desenvolvido por Elenir foi iniciado no lar. Orvalhar o coração do seu companheiro para o entendimento da Verdade trazida pelo Consolador parecia um desafio que ela ultrapassou até com ‘certa facilidade'. Transpostos os obstáculos naturais de uma travessia, Elenir começou a fortalecer a sua família com o conhecimento profundo da codificação e das obras complementares. Sempre segura no barco da vida, mantinha como timoneiro o Senhor Jesus.

Desde seu encontro com Norberto, Elenir começou a freqüentar as reuniões na casa daquele companheiro, passando posteriormente a compor o quadro de tarefeiros da União da Mocidade Espírita de Niterói - grupo formado por Norberto e outros jovens que funciona até hoje.

Fato significativo ocorreu em 1972, quando o médium Francisco Cândido Xavier esteve em Niterói para receber o título de Cidadão Fluminense. Como diversos outros espíritas, médiuns ou não, que residissem fora da cidade quando de passagem por Niterói, Chico almoçou na tão nossa conhecida Itaguaí, 99 - polo de difusão da fraternidade. Aquele encontro pode ser considerado o ‘marco zero' do trabalho até hoje desenvolvido pela Elenir e que continuará através dos seus.
Desde aquele dia inesquecível, Elenir e Lineu passaram a visitar, periodicamente, o Grupo Espírita da Prece e a casa do médium Chico Xavier na cidade de Uberaba. Tais visitas eram sempre feitas em companhia dos filhos, que se alternavam conforme disponibilidade e ocasião.  Destes encontros, além do enriquecimento na fé e no conhecimento, surgiu o treinamento-estágio no atendimento às famílias na periferia daquela cidade mineira. Chico Xavier, como que a reforçar o ensino dos espíritos na questão 573 de O Livro dos Espíritos, os incentivava ao desenvolvimento de tarefa similar na cidade onde viviam. Atendido em sua solicitação, eles iniciam o trabalho no Badú, em Pendotiba.

Desta célula inicial, o trabalho de Elenir ganha a credibilidade da espiritualidade maior chegando à criação da Escola Irthes Therezinha - nome dado ao trabalho pelo Chico, em homenagem a amiga e companheira espírita que Elenir conheceu na "Semana Espírita de Santo Antônio de Pádua" através de sua irmã Eny. Irthes Therezinha teve uma influência tão significativa no desenvolvimento das tarefas espíritas e manteve tão estreita relação com a amiga que, embora transferida para o mundo maior, continuou apoiando, orientando e sustentando o trabalho desenvolvido no mundo material.

O crescente número de tarefeiros ligados ao trabalho na Escola Irthes Therezinha, carinhosamente conhecido como Fazendinha, fez com que a espiritualidade maior através de Chico Xavier, desse uma ‘ordem' para a Elenir; a de fundar um Centro Espírita. À insegurança inicial deu lugar a confiança irrestrita no médium e amigo que garantiu a sua participação nas instruções e orientações ao novo núcleo. Sugerido por ele o nome de Grupo Espírita da Fé - porque ninguém caminha sem fé - Elenir atende ao chamado, arregaça as mangas e no dia 21 de junho de 1988 a cidade de Niterói, entre lágrimas de emoção e sorrisos de alegria, ganha mais um núcleo destinado ao serviço do Senhor Jesus iluminado pela abençoada Doutrina Espírita.

Sempre atenta ao Estudo da Doutrina e tomando por norma a máxima "Fora da Caridade não Há Salvação", Elenir buscou desenvolver o Estudo das Obras Básicas e das Obras Complementares na instituição. Tendo inicialmente apenas alguns grupos, o Gefe, ao completar sua maior idade - 18 anos - já promovia diversas reuniões de estudos distribuidos pelos dias da semana em diversos horários; incluindo, ainda, em suas atividades, a Evangelização Infanto-Juvenil aos sábados (manhã e tarde) e domingos (manhã), além das reuniões públicas.

Elenir buscava sempre alegrar os corações tristes, seu sorriso fácil, seu otimismo e a ‘pressa' para servir desejou desenvolver um trabalho com os "mais experientes". Como "quando o servidor está pronto o serviço aparece", apareceu a idéia do AJE - Amigos na Jornada da Experiência. Criou, então, o espaço para a distribuição de esperança, consolo e alegria aos que muitas vezes são esquecidos nos cantos das casas, nos corredores de ambulatórios médicos ou nas ante-salas de médicos renomados.
Sua preocupação com a família - célula máter da sociedade - tinha o aspecto de urgência. O fortalecimento dos casais, das relações familiares com base nos ensinos de Jesus fez com que ela não se descuidasse desse encontro nos lares. Iniciou uma campanha de orientação e incentivo da fundação do "Evangelho no Lar" dos que a buscavam. Através de encontros/seminários sobre o tema dava todos os esclarecimentos necessários à sua criação. Sempre muito entusiasmada mostrava o componente espiritual a envolver cada lar, bem como a segurança adquirida pelo seu conhecimento e sua prática.

Ainda, atenta à falta de oportunidades aos que têm cada vez menos, procurou criar um trabalho de Assistência Social. Não desejava assistir simplesmente, mas prepar para a autonomia. Embora sem esquecer da assistência material como ‘ponta-pé inicial', conseguiu criar o LOVE (Lar Oficina Vida e Esperança) onde reuniu, de um lado tarefeiros com habilidades específicas - dança, informática, cabeleireiro, corte e costura, trabalhos manuais etc., e de outro lado os que desejassem o aprendizado. Agora com 6 anos, o LOVE dispõe de atendimento médico, odontológico e escolar; além de evangelização e atendimento à luz da doutrina espírita.

Difícil dizer com que Elenir mais se preocupava, mas podemos afirmar que a Evangelização assumia caráter de Urgência em seu coração. Sabendo que "Evangelizar é Salvar" (Benedita Fernandez) dedicou-se à esta tarefa de forma initerrupta. Inicialmente no lar e, posteriormente espalhando pelos diversos núcleos onde teve participação ativa. Tornou-se grande fomentadora da tarefa da evangelização infantil, juvenil e, porque não dizer adulta. Legou a todos os seus filhos a necessidade da participação nesta tarefa e a nós, se não atuantes diretos, legou-nos a importância da Evangelização - Cristianização dos corações em tempos de Renovação na formação de uma Nova Era.

Aos 31 dias do mês de outubro retornou à pátria espiritual a querida Elenir Meirelles assim tão conhecida. Seu corpo, o amigo que proporcionou tanta atividade, repousa no Cemitério Parque da Colina, em Niterói - RJ.

Elenir deixa vivo em nossa mente a renovação do corpo pelo extinguir das lutas a que se submete em busca do reequilíbrio com a lei e, simultaneamente, a vida nova a que precisamos dar início para bem prosseguir o caminho por ela traçado. Até breve, Dona Elenir...Tia Elenir...Elenir.

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