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ft 200424 teste capacete elmoDesenvolvida no Ceará uma solução que pode reduzir os casos graves de COVID-19. Já com testes avançados, o capacete de respiração assistida cearense, batizado de Elmo, vai passar por ajustes finais no protótipo e entrará na fase de ensaio clínico já na próxima semana, antes da produção em larga escala.

O equipamento foi desenvolvido em força-tarefa que envolve Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Saúde, Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE) e Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), além da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) através do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Ceará) e ainda Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade de Fortaleza (UNIFOR).

O novo modelo prevê a utilização de um mecanismo de respiração artificial não invasivo, sem necessidade de o paciente ser intubado, com maior segurança também para os profissionais de saúde. Os testes realizados nesta quinta-feira (23) animaram a equipe de pesquisadores, que verificaram a eficácia do conceito adotado na tecnologia. O próximo passo é fazer algumas correções no protótipo. "Serão redefinidos alguns materiais que possam trazer uma melhor usabilidade, conforto e ergonomia", explica o engenheiro eletricista, especialista em engenharia clínica pela ESP/CE, David Guaribara.

ft 200417 capacete parceirosO aperfeiçoamento do protótipo não é complexo. A expectativa é que na próxima semana já seja apresentada uma nova proposta pelos pesquisadores. Se consolidado, o modelo cearense entra em fase de ensaio clínico. A equipe de pesquisadores para esta nova fase já está definida e será coordenada pelo superintendente da ESP/CE e professor da Faculdade de Medicina da UFC, Marcelo Alcantara. Se validados os testes em pacientes, o próximo passo é a produção dos modelos definitivos e repasse para hospitais no menor tempo possível.

BENEFÍCIOS – O Elmo é a promessa para desafogar as UTIs, que começam a ficar saturadas de pacientes com COVID-19. "O ventilador mecânico incorpora uma tecnologia eletro-eletrônica muito sofisticada, mais rebuscada e mais cara. Ele é usado em pacientes COVID-19 sedados, intubados, para fazer uma ventilação controlada, onde o doente fica dependente do equipamento e do leito de UTI. Já o capacete é utilizado com o paciente acordado. Ele não ocupa um leito de UTI, que tem uma demanda escassa. De um modo geral, o paciente que vai pro Elmo nem progride para um leito de UTI", destaca David Guaribara.

Outra vantagem do Elmo é o baixo custo, que garante facilidade de produção em larga escala. Enquanto uma máquina de ventilação mecânica custa em média R$ 70 mil, o capacete respirador sai a um custo de cerca de R$ 300, a unidade. O modelo segue um tipo adotado em países da Europa, como a Itália, que teve bons resultados, com redução da necessidade de aparelhos de ventilação mecânica em cerca de 60%. O equipamento pode ainda ser desinfectado e reutilizado.

De acordo com o Prof. Jorge Soares, diretor de inovação da FUNCAP, o desenvolvimento do Elmo em um tempo tão curto foi possível graças a uma articulação eficiente que garantiu o projeto, a prototipação e os testes finais. "Por atuar como um hub de ciência e inovação no Estado, a FUNCAP facilitou a articulação de equipes de várias instituições. Estamos próximos do Produto Mínimo Viável, que é a versão mais simples de um produto possível de ser lançado. Para a fabricação em larga escala, deverá levar mais umas 4 ou 5 semanas. Estamos correndo contra o tempo, mas com muita responsabilidade", diz.

ft 200417 capacete parceiros O capacete de respiração assistida é composto basicamente de três componentes: uma argola rígida, por onde entram os tubos com provimento de oxigênio; uma base flexível de látex ou silicone, que se ajusta ao pescoço do paciente; e uma coifa de PVC, que é o capacete propriamente dito, montado sobre os outros dois componentes. "É mais barato e rápido de fazer. Com a diferença que o paciente permanece lúcido, não é preciso sedá-lo. Ou seja, é muito mais confortável para o doente", afirma o reitor da UFC, Prof. Cândido Albuquerque.

Segundo o Prof. Rodrigo Porto, pró-reitor-adjunto de Pesquisa e Pós-Graduação da UFC, o equipamento "pode ser produzido em escala. Fazendo uma estimativa conservadora, considerando que todos os insumos necessários para a sua produção estejam disponíveis, é perfeitamente possível produzir, pelo menos, 100 unidades por dia ", explica. Uma vez concluídos os testes, comprovada a eficácia do capacete e alcançada a sua certificação, "o projeto será disponibilizado ao público e às empresas em geral , para que possam produzi-lo em todo o Brasil", garante o Prof. Rodrigo Porto.

O protótipo do Elmo foi desenvolvido no Instituto SENAI de Tecnologia em Eletrometalmecânica, a partir de uma ideia apresentada pelo superintendente da ESP/CE, Marcelo Alcantara. O SENAI Ceará é um parceiro chave na viabilização do capacete, estando envolvido na elaboração do projeto técnico, no desenvolvimento e construção do protótipo, na busca de parceiros industriais para a produção de alguns componentes e nas fases de testes que já acontecem nos laboratórios do SENAI.

Para o presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante, a união de esforços dos parceiros nesse momento é fundamental . "A FIEC fez questão de integrar esse projeto, que tem enorme potencial para salvar vidas e une academia, indústria e governo. Por meio do SENAI Ceará, atuamos na elaboração e no desenvolvimento do protótipo do capacete. Acreditamos que o Elmo será um aliado importante na luta contra o coronavírus, favorecendo a preservação de vidas, nosso capital mais essencial para que a economia volte a se reerguer".

Já a UNIFOR participa da iniciativa em três frentes de atuação: no projeto das peças do capacete, nos testes de validação do protótipo e na integração das ações com as empresas do Grupo Edson Queiroz. Para o Prof. Vasco Furtado, à frente da Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da UNIFOR, "o mais relevante, nesse momento tão importante de combate à COVID-19, é a integração da academia, governo e indústria no desenvolvimento de uma tecnologia que vai ajudar no tratamento dos pacientes".

 

Fonte: ufc.br

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