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Escrito por: Wellington Balbo
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Meticuloso observador, Kardec concluiu que sendo os Espíritos as almas dos homens desencarnados, não possuíam o soberano conhecimento na ciência, filosofia ou mesmo religião, dando testemunho concreto apenas do conhecimento que já haviam adquirido, nada mais, nada menos.

Este saber lhe preservou de formular teorias equivocadas. Sim, os Espíritos também se enganam, e este fato por si só elimina o caráter místico e sobrenatural que muitos fazem questão de alimentar na relação entre encarnados e desencarnados.

Está tudo dentro da ordem natural; os Espíritos são os homens que aqui viveram, nada além disso.

É com frequência que a observação de Kardec quanto a infalibilidade dos Espíritos é esquecida, e isso, não raro, traz alguns dissabores.  Lembro-me de pitoresco fato:

Certa vez, uma senhora veio conversar comigo, estava muito abatida, chateada, me informou que queria vender um imóvel e pediu orientação a um guia. O suposto "guia" que estava mais para obsessor, disse a senhora que ela venderia o imóvel em tal dia. Ela, ansiosa, ficou na espera do dia marcado pelo Espírito para a venda de seu imóvel, contudo, a venda não ocorreu, e o desalento a dominou.  Todo esse constrangimento foi porque formulou uma idéia errônea quanto ao conhecimento que os Espíritos possuem.

É preciso saber analisar as informações que nos chegam, seja de "guia" desencarnado ou mesmo de alguns "guias" encarnados que adoram dizer como as pessoas devem agir. Cuidado com os guias, desencarnados ou não!

A propósito, Kardec oferta um tripé de segurança para que tenhamos um bom relacionamento com o plano invisível, e, principalmente, com o plano visível.

Observar, comparar e julgar.

Este tripé está inserido no livro "Obras Póstumas", "Minha Iniciação no Espiritismo".

Observar:

A observação evita a tomada de decisões precipitadas, e decisões precipitadas têm o fétido odor da injustiça.

Foram grandes, em todos os tempos, envolvendo anônimos e famosos, as injustiças cometidas por falta de uma observação mais acurada.

Nós mesmos caímos nesse deslize quando norteamos nossa visão pela chamada primeira impressão, ou seja, formulamos uma idéia sobre determinada doutrina, ou mesmo de alguma pessoa, baseados em precárias observações que jamais nos habilitam a saber com precisão.

A grande maioria das pessoas já passou adiante o famoso "Ouvi Dizer". "Ouvi dizer que fulano é assim". "Ouvi dizer que beltrano fez isso".

Mas, será que fulano é assim mesmo? Será que beltrano fez isso realmente?

Passar adiante uma informação que se compra de fonte duvidosa, não observando de onde vem a notícia, é se transformar em multiplicador da mentira, comprometendo-se imediatamente com o incorruptível tribunal da consciência.

Comparar

A comparação  que Kardec se refere é o cruzamento das informações, a fim de saber o melhor caminho a seguir, e usar esse método na Codificação foi providencial para separar o joio do trigo.

Recebia Kardec as respostas dos Espíritos, comparava-as, e acionava o critério da universalidade. Aquelas que fugissem do bom senso eram prontamente descartadas.

Podemos fazer o mesmo em nossa vida: usar o critério da comparação. Reflitamos nos conselhos, nas mensagens, nas palavras e notícias que nos chegam, e façamos a comparação com o Evangelho, o que dele se afastar, não tenhamos receio de descartar.

Julgar:

O julgamento aqui quer dizer formar opinião sobre determinado assunto. Mas importante é: não blindar o julgamento! É salutar deixar sempre o espaço aberto para a mudança de opinião, isto é, se necessário for.

Kardec não era irredutível em um julgamento, quando os Espíritos lhe mostravam a necessidade de mudar o rumo ,encontravam no codificador alguém flexível, disposto a rever conceitos.

Com o acelerado ritmo no desenvolvimento das idéias, teorias são ultrapassadas em velocidade vertiginosa tornando-se obsoletas, e, portanto, são logo substituídas por idéias mais joviais, de acordo com o tempo em voga, atendendo aos anseios da sociedade.

Quem se mostra mais receptivo as alterações, sejam elas no universo profissional, familiar, religioso ou social, encontra maiores facilidades de adaptação, e, por consequência, desenvolve mais rapidamente seu potencial. E melhor: não entrava o progresso. Podemos entravar a marcha do progresso com nossas teimosias ao sermos irredutíveis em determinados julgamentos, mas não detê-lo.

O progresso é lei da vida e se faz também com mudanças de idéias e opiniões, criaturas preconceituosas, com julgamentos formados em arcaicos juízos, ou aderem à atualidade das idéias, ou correm o risco de serem massacradas pela evolução das mesmas.

Daí a importância de estarmos flexíveis, analisando, comparando e julgando o que nos chega, contudo, tomando o cuidado de deixar as portas da mente e do coração abertas ao progresso e às novidades.

A obra de Kardec é fonte inesgotável; orienta o contato com os desencarnados, porém, o melhor é que ensina, sobretudo, a viver entre os encarnados.

Estudemos Kardec sob todos os ângulos e pensemos nisso!

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