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Escrito por: Jadiel João Baptista de Oliveira
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Fenômenos espíritas podem ser usados como ferramenta para a conquista do poder.

É possível que o homem sempre tenha querido ter conhecimento prévio do futuro. Porque o homem sempre quis dominar o homem. É a milenar busca do poder! Quem o detém, domina os demais. Esta é a suposição! Assim é que, de tempos em tempos, vemos surgir os profetas, falsos e verdadeiros, ambos afirmando que têm o poder de prever o futuro. E como há os falsos, contra esses devemos tomar as devidas cautelas.

É certo que, desde os tempos de Moisés, temos notícia sobre a existência de profetas. Assim é que, de certa feita, foram-se queixar ao Condutor do Povo sobre a prática da mediunidade por Edad e Meldad. Josué, seu Ministro, admitiu ser o portador da maledicência. Entretanto, recebe do chefe a admoestação: quem dera que todos do povo pudessem profetizar, como Edad e Meldad. Isto pôs por terra a alegação de que o Profeta tinha impugnado a atividade mediúnica. E Saul, aperreado com a guerra próxima, buscou os serviços da médium de Endor. Esta, não obstante o temor, pela proibição estabelecida pelo próprio Saul, intermedeia a comunicação com Samuel, que prevê a morte do rei e de seu filho, com a conseqüente derrota na guerra.

 

A verdade é que a faculdade mediúnica é um fato. E independe da vontade de quem a possui: sendo orgânica, nasce com o indivíduo. Mas a sua prática possui algumas nuances, que são devidamente esclarecidas pelo Espiritismo.

Entretanto, sempre que ocorrem fatos que causam grande clamor popular, surgem os "videntes" de plantão, que, aproveitando-se da credulidade popular, se locupletam ilicitamente, afirmando que os tinham previsto, "mas que não lhe deram importância". E desandam a "prever" outros acontecimentos, inconseqüentemente. Com isto, auferem os seus dividendos, sem se importarem com os eventuais danos que possam causar ao Espiritismo, que sabidamente estuda tal matéria, e ao povo, que sofre, com a previsão de acontecimentos infaustos, ou, mais adiante se frustra, em face da inocorrência de fatos que, efetivamente, não foram, como não poderiam ter sido previstos.

A presciência é possível! Todavia, é necessário que se acolha a possibilidade com as devidas cautelas. Os acontecimentos, ainda que incluídos no roteiro da reencarnação, caracterizam-se, apenas, como possíveis. Jamais com o cunho da fatalidade. O futuro não existe senão como possibilidade! Senão, o que seria do nosso "livre-arbítrio"?

Respondendo a Kardec, na pergunta 868, de "O Livro dos Espíritos", dizem, os Espíritos Superiores, que "em princípio, o futuro é oculto ao homem e só em casos raros e excepcionais permite Deus que seja revelado". Portanto, a possibilidade do futuro ser revelado ao homem existe, embora "em casos raros e excepcionais". Em seguida, esclarecem o porquê da excepcionalidade: "se o homem conhecesse o futuro, neglicenciaria do presente e não obraria com a liberdade com que o faz..." Portanto, o conhecimento prévio do futuro é vedado ao homem em seu próprio benefício. Também explicam os casos excepcionais em que a revelação é permitida "quando o conhecimento prévio do futuro facilite a execução de uma coisa..." Por conseguinte, somente quando há interesse superior, o futuro poderá ser revelado ao homem. Podemos extrair dessa informação que o conhecimento prévio do futuro também somente será possível, se tiver por objetivo o benefício de uma coletividade. Sendo inadmissível, se for para benefício do indivíduo, ou puder causar um mal à coletividade.

É importante também reiterar que o futuro somente existe como possibilidade: ao preparar-se para a reencarnação, o Espírito estabelece, com o consentimento e orientação superiores, uma programação genérica, que norteará sua passagem no corpo físico. Entretanto, não existe fatalidade nos acontecimentos previstos no "programa reencarnatório". Existe, somente, possibilidade. André Luiz, no livro "Ação e Reação", psicografia de Francisco Cândido Xavier, assevera que "as causas de ontem podem ser afastadas pelas causas de hoje..." Por conseguinte, o fundamento da programação pode ser elidido e acontecimentos previamente previstos, como possíveis, podem não ocorrer. É o que assegura, categoricamente, o autor Espiritual, na citada obra. E essa mudança ocorre, quase sempre, na última hora, tornando impossível qualquer previsão. E sempre in bonam causam.

Por outro lado, como assevera, com propriedade, Irvin Yalom, psiquiatra e escritor norte-americano, autor de "Quando Nietzsche chorou", em "Mentiras no divã", "... a certeza é inversamente proporcional ao conhecimento".

Acautelemo-nos, portanto. E diante dos profetas de plantão, que desejam unicamente se locupletar às custas da credulidade popular, rememoremos as palavras de Jesus; "haverá falsos cristos e falsos profetas."

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