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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2021
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Penso que, presentemente, diante das atuais circunstâncias sociais profundamente desiguais, dolorosas e desumanas vigentes em nosso país, certamente muito há com o que nos preocuparmos. Contudo, não basta tão somente a nossa preocupação, nem tão somente nossas ações de assistencialismo, nem mesmo as nossas súplicas a Deus, nossas preces por mais fervorosas, para que tais descalabros, tais atrocidades, tais arbitrariedades, tais autoritarismos e tamanha indiferença e tão grande desrespeito aos direitos humanos sejam sanados, de um modo ou de outro, o mais cedo possível.

Martin Luther King, nos idos da década de 1960, declarava em brilhante discurso: “O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”. E já em 1857, os Espíritos haviam afirmado a Kardec: “Pela fraqueza dos bons, os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância”. (1)

Percebe-se aí, nitidamente, como as idéias se propagam, como tudo se encadeia ainda que de forma muitas vezes imperceptível para nós: duas fontes diversas em épocas distintas assinalando a mesma coisa, o mesmo problema, a mesma preocupação. E a verdade é que, hoje ainda, em 2021, constamos a mesma situação, sentimos a mesma preocupação...

Ainda agora os considerados “bons” frequentemente se calam, se omitem, muitas vezes ingênua e equivocadamente apoiados numa caridade mal compreendida, na tão propalada recomendação no meio espírita, particularmente, de que não se deve falar no mal para não fortalecê-lo – pensamento oposto à própria natureza, onde é preciso arrancar urzes e ervas daninhas para que o bom plantio possa florescer; oposto inclusive aos exemplos de Jesus de Nazaré que desmascarou hipócritas e homens que mais pareciam sepulcros caiados de branco por fora mas cheios de podridão no interior...

Calados, omissos, temerosamente, ou mesmo gananciosamente, submissos aos abusos e desmandos de a uma minoria audaciosa e autoritária, vamos nos tornando coniventes, senão cúmplices, de tantos atos nefastos, aliás já praticados há séculos; inclusive com acomodação e comodismo, vamos nos tornando partícipes nessa terrível desigualdade social e cultural que assola milhões de criaturas. Tantas vezes fechamos os olhos e tapamos os ouvidos para não ver nem ouvir o fraco clamor que se perde na angústia da fome, do desalento, do desespero, da desesperança de tantos e tantos e tantos...

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