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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2021
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Há séculos, vimos sendo manipulados, coercitivamente, pela transmitida recomendação de Jesus do “não julgueis para não serdes julgados” (1), coagidos pelo medo à aceitação cega, à submissão irracional, a todo tipo de situação, condição, posturas e atitudes autoritárias e arbitrárias, tolhidos assim de toda possibilidade de reflexão e avaliação de contextos e de procedimentos, normas e regras, muitas vezes impostas por supostos e auto proclamados superiores intelectuais de toda ordem, particularmente no campo das religiões.

Atualmente, nós espíritas, sob as luzes da doutrina e dos esclarecimentos de Kardec, no sentido do uso da razão, da lógica e do bom senso sempre, independentemente de quão ilustre seja o nome ou a posição de quem esteja prescrevendo alguma orientação (2), precisamos entender melhor essa assertiva de Jesus. O Mestre certamente se referia a não julgarmos mal, arbitrária e autoritariamente, para não sermos julgados da mesma forma, visto que ele mesmo julgou aqueles que ali se apresentavam como justiceiros naquela ocasião! E ao se dirigir à mulher adúltera perguntou: “Onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? ” E ela respondeu “Ninguém, Senhor”... Ao que Jesus retrucou: “Nem eu tampouco não te condenarei; mas vai e não peques mais” (1).

Portanto, fica bem claro nessa passagem que não se trata de não julgar, analisar, apreciar seja o que for, mas de fazê-lo com isenção, imparcialidade e toda noção de justiça e caridade que já nos seja possível.

Como nos abster de julgar todos os acontecimentos em curso? Como deixar de julgar todas as ações contrárias aos direitos humanos consagrados não só pelas nossas leis, mas, sobretudo, pela lei natural, pelas leis divinas? Seremos por acaso criaturas isentas de princípio inteligente que, no entanto, sabemos, se manifestou em cada um desde as eras mais primitivas? E sabemos também que “muito será pedido a quem muito foi dado” (3). E não é pouco o que temos recebido como ensinamentos e aconselhamentos morais no decorrer de milênios...

Contudo, frequentemente parece que fechamos os olhos e os ouvidos a tudo isso... Por exemplo, no final do item 13 do capítulo X do Evangelho Segundo o Espiritismo, Bem-Aventurados os Misericordiosos (4), está escrito: “A consciência íntima, de resto, recusa qualquer respeito e toda submissão voluntária àquele que, investido de algum poder, viola as leis e os princípios que está encarregado de aplicar”! Porém, o mais das vezes essa recomendação passa despercebida, visto que nos atemos primordialmente à misericórdia e à indulgência, o que, no final das contas, é o que desejamos para nós, tendo em vista a nossa presente condição espiritual, esquecendo-nos do “Sim sim; não não”.

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