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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2021
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Inúmeros fatos recentes de grande repercussão no meio espírita vêm demonstrando que vivemos um novo e animador período do Espiritismo: o de restabelecimento da proposta original de Allan Kardec, baseada nos ensinamentos dos Espíritos superiores, e a definitiva superação dos enganos dogmáticos que configuraram um desvio.

Um interesse surgiu em diversas partes do mundo, ao mesmo tempo, pelos fatos ocorridos após a morte do professor Rivail, principalmente as denúncias dos pioneiros fiéis quanto à adulteração da obra A Gênese. Henri Sausse, família Delanne, Léon Denis, Berthe Fropo, casal Rosen, entre centenas de espíritas que protestavam contra os abusos, interesses econômicos, desvios doutrinários e desmandos de um diminuto grupo liderado por Leymarie. Mas tudo caiu em silêncio e dúvida. Quase 150 anos depois, em 2017, através de uma pesquisa completa e inédita, articulando dados históricos, jurídicos e doutrinários, a diplomata Simoni Privato analisou os fatos e documentos da época em torno da desencarnação de Kardec e, por meio de sua obra O Legado de Allan Kardec, comprovou a adulteração de A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo, fazendo com que a edição original de Kardec fosse restaurada em todo o mundo.

Esse marco é uma nova era no debate espírita desde o século 19. O movimento espírita havia consolidado o hábito de polêmicas, quando cada lado defendia sua opinião em discussões intermináveis. Agora, são documentos, fontes primárias, fatos que permitem evidenciar indiscutivelmente, esclarecer em definitivo. Em todas as línguas, o retorno à edição original da obra seguiu a lógica: na dúvida, prevalece a versão do autor.

No Brasil, no mesmo dia do lançamento de A Gênese original, pela Fundação Espírita André Luiz (FEAL), também foi anunciada a abertura de um antigo acervo, pertencente à família do historiador Canuto Abreu (1892-1980), contendo centenas de cartas e outros manuscritos originais de Allan Kardec. Trata-se de documentos que o próprio Kardec conservou para servirem um dia como “os gloriosos arquivos do Espiritismo (...) arquivos preciosos para a posteridade, que poderá julgar os homens e as coisas sobre peças autênticas”, e não sobre “lendas, opiniões e tradições”, e que desde setembro de 2020 começaram a ser divulgados em um portal de uma universidade federal brasileira, visando ao acesso mundial.

Essas descobertas, associadas à abertura de outros acervos e aos novos meios tecnológicos que dão acesso a diversos materiais antigos, coincidem com o amadurecimento do movimento espírita e as impressionantes pesquisas divulgadas pelo pesquisador Paulo Henrique de Figueiredo. Em 2016, após três décadas de pesquisas, ele apresenta, na obra Revolução Espírita: a teoria esquecida de Allan Kardec, a tese de que a proposta moral do Espiritismo é aquela que recebeu o nome de moral autônoma, sendo estranhas à doutrina quaisquer ideias relacionadas aos dogmas do fanatismo religioso, como pecado, culpa, queda, castigo divinos, dentre outros.

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