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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2019

Sobre o autor

Sônia Hoffman

Sônia Hoffman

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A chegada de alguém com deficiência em uma família constitui período bastante delicado. Impactos, incertezas, dúvidas surgem para todos, com as mais variadas reações e tipificações de (des)construção de relacionamentos. Estes precisam ser cuidadosamente observados, para cumprirem seu propósito de renovação espiritual e fortificação saudável de laços afetivos.

A centração de esforços pelos pais no entendimento e no desenvolvimento do filho marcadamente diferente por algum comprometimento, síndrome ou disfunção é plenamente justificada. Porém, atenção precisa ser também direcionada por eles e profissionais para os irmãos, porque muitas vezes se mantêm presos a uma perplexidade verbalizada ou escamoteada.

Diversas observações, estudos e escritos com base na escuta de relatos de irmãos que cresceram em uma família na qual a falta motora, mental, visual, auditiva ou algum outro transtorno de saúde se faz presente indicam alterações significativas no relacionamento frátrio, redundando igualmente no plano social e até em futuras escolhas profissionais e de casamentos.

Infelizmente, não existe uma resposta única para o esclarecimento desta intrincada rede, pois as incertezas, reações, dúvidas, mudanças e acúmulos de papéis e perspectivas assumem amplo espectro. Para cada um, não é fácil a elaboração dos seus sentimentos ainda mais quando sentem-sese sentem relegados, preteridos ou carentes de afeto e cuidado como recebem o irmão com alguma deficiência.

As hipóteses são variadas: intensidade da tensão vivida pelos irmãos, geração de estreitas vinculações e pouco convívio devido hospitalizações frequentes ou, então, por dependências excessivas causadas na relação de vivências íntimas sobrecarregadas, estafantes e intensas de conflitos e responsabilidades pouco ou nada rotineiras e orientadas para a sua infância e juventude.

Contudo, nem só registros de emoções de medo, confusão, constrangimento, indecisão, embaraço, receio foram obtidos. Muitos irmãos manifestaram terem sentindo-se gratificados e enriquecidos como seres humanos pelo fato de terem crescido com alguém com deficiência/diferença, afirmando muito terem aprendido quanto à valorização da vida e dos relacionamentos familiares e sociais. Alguns referiram mesmo a estruturação sadia da sua transformação moral com repercussões significativas.

A consideração de que muitos fatores podem causar danos ou ganhos é útil, dependendo muito da natureza individual e particular da situação familiar constituída no presente ou no passado reencarnatório, como é transmitida a notícia do surgimento da deficiência/diferença naquele núcleo, qualidade de apoios dispensados aos integrantes do grupo, indicação de possibilidades e alternativas viáveis e atitudes adotadas de acolhimento e atenção aos irmãos e demais familiares.

       Durante muitos anos, profissionais envolvidos no acompanhamento familiar mantiveram uma visão fragmentada dos relacionamentos, atribuindo mais importância à relação pais-crianças com deficiência/diferença e pouca às relações fraternais. Mais recentemente, entretanto, vem sendo percebido crescente avanço e interesse por elucidações e melhoria destas relações. Os próprios pais estão sendo convidados e incentivados a reservarem mais tempo para ouvirem os outros filhos e juntos, se necessário, (re)organizarem os vínculos.

       Os departamentos de infância e juventude e apoio às famílias, nas Casas Espíritas, podem desenvolver importante função de mediação e benéfico trabalho de consolidação de relações mais saudáveis e edificantes. A Doutrina Espírita muito esclarece quanto à importância e responsabilidade da constituição familiar no progresso do Espírito. O primordial é o desenvolvimento de práticas cristãs, empáticas e inclusivamente elucidativas, rompendo-se o nó de desgastes desnecessários que venham a sobrecarregar ou dispersar os componentes do clã. Do contrário, a proposta evolutiva previamente planejada pode não ser conquistada efetivamente.

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