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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2019

Sobre o autor

Sônia Hoffman

Sônia Hoffman

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Os esclarecimentos encontrados ao longo da Codificação Espírita orientam sobre os diversos aspectos da mediunidade e apresentam instruções quanto ao perfil, atribuições, consequências e implicações que envolvem o mediunato independente de questão racial, social, religiosa, cultural, ordem moral e possuir ou não deficiência de qualquer natureza.

       Assim, a Revista Espírita publicada em março de 1864 traz artigo bastante interessante, tratando sobre assunto digno de ocupação pelos estudiosos do Espiritismo: a atividade mediúnica ser possível em alguém com deficiência sensorial. O escrito é uma narrativa sobre uma jovem religiosa cega, em um convento, que desenhava e pintava aquarelas de grande qualidade. Com a revelação da existência do perispírito, pelo Espiritismo, existem condições de entendimento deste fenômeno, e de tantos outros, sem qualificação como sobrenaturais ou bizarros.

       "É pelo perispírito que a alma age, percebe e transmite. Desprendida do envoltório corporal, a alma ou Espírito ainda é um ser complexo. Ensina-nos a teoria, de acordo com a experiência, de que a visão da alma, assim como todas as outras percepções, é um atributo do ser inteiro. No corpo é circunscrita ao órgão da visão, sendo-lhe preciso o concurso da luz; tudo quanto se acha no trajeto do raio luminoso o intercepta. Não é assim com o Espírito, para o qual não há obscuridade nem corpos opacos." (KARDEC,1864, p.104)

       Portanto, a jovem cega via pela alma e não pelos olhos do corpo físico.

       A psicografia, para Luiz Antônio Millecco Filho, é uma das faculdades mais difíceis de serem exercidas pela pessoa cega congênita, pois a grande maioria das pessoas que reencarnam cegas não aprende ou não está habituada à escrita com o uso do lápis ou da caneta, desconhecendo inclusive os movimentos necessários para o registro ou desenho da letra. Assim, é compreensível que os Espíritos comunicantes busquem outro médium com tal facilidade e não apresente determinados condicionamentos impressos em suas células cerebrais.

       No entanto, recentemente, pelo avanço tecnológico, médiuns com cegueira relatam o exercício em psicografia com o uso de computador portátil com aplicativo de voz, falando-se então em psicodigitação.

       Informações mais detalhadas são obtidas quando Hilário, no livro Nos Domínios da Mediunidade, pergunta ao instrutor Aulus se a clarividência e a clariaudiência estão localizadas exclusivamente nos olhos e nos ouvidos da criatura reencarnada. A resposta é esclarecedora:

"Os olhos e os ouvidos materiais estão para a vidência e para a audição como os óculos estão para os olhos e o ampliador de sons para os ouvidos - simples aparelhos de complementação. Toda percepção é mental. Surdos e cegos, na experiência física, convenientemente educados, podem ouvir e ver, através de recursos diferentes daqueles que são vulgarmente utilizados. A onda hertziana e os raios X vão ensinando aos homens que há som e luz muito além das acanhadas fronteiras vibratórias em que eles se agitam, e o médium é sempre alguém dotado de possibilidades neuropsíquicas especiais que lhe estendem o horizonte dos sentidos." (ANDRÉ LUIZ, 1955, p. 101).

       Ou seja, embora alguém use os ouvidos e os olhos, vemos e ouvimos com o cérebro. Apesar de o cérebro utilizar as células do córtex para selecionar os sons e imprimir as imagens, na realidade quem vê e ouve é a mente. Todos os sentidos na instância fisiológica pertencem à alma, fixando-os no corpo carnal de acordo com os princípios estabelecidos para a evolução dos Espíritos que reencarnam na Terra.

 

Referências

ANDRÉ LUIZ (Espírito). Clarividência e Clariaudiência. In: Nos Domínios da Mediunidade. Psicografado por Francisco Cândido Xavier. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, [1955].  Cap. 12, p. 101. Disponível em: http://www.espiritoimortal.com.br/espirito_imortal/nos-dominios-da-mediunidade.pdf. Acesso em 10 abr. 2019.

 

KARDEC, Allan. Um Médium Pintor Cego. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos. Rio de Janeiro, ano VII, n. 3, mar. 1864, p. 102-106.

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