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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2019

Sobre o autor

Sônia Hoffman

Sônia Hoffman

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      A presença da infecção pelo HIV e da AIDS na fase infantil é uma realidade brasileira, por mais informações circulantes de prevenção. Como a doença pode se manifestar após anos desde a entrada do HIV no organismo, muitas mulheres são somente diagnosticadas na sua gravidez. Mesmo o bebê recebendo a medicação adequada no momento do parto, e a mãe, com o vírus, sendo alertada para evitar o aleitamento materno, hoje o índice ainda é considerado bastante elevado.

        Além das questões orgânicas, preconceito, constrangimento, penalizações acompanham a ambos, ao longo do seu desenvolvimento, sob as mais diversas expressões de discriminação velada ou ostensiva.

        Com o tempo, crianças aprendem com adultos, inoculados com o vírus do medo e do desconhecimento, o vício de afastarem-se, ou não aprofundarem o relacionamento com o menino ou a menina infectados. Logo todos crescem, inclusive os distanciamentos.

        A adolescência surge e os sonhos para uns tornam-se pesadelos para outros. Uma fase efervescente para muitos, na qual o sentimento de pertença a um grupo, a sexualidade, o namoro, o encaminhamento acadêmico são desafios, dúvidas e acontecimentos naturalmente marcantes, adquirem para o adolescente vivendo com HIV/AIDS um peso exacerbado que pode conduzi-lo à marginalização, ao estado depressivo e até mesmo ao suicídio quando este jovem não obtém acolhimento e orientação adequados.

        O trabalhador do Centro Espírita está preparado para desafetada e fraternalmente acolher, consolar, apoiar esta criança e o jovem Sem qualquer julgamento quanto à causa geradora desta situação reencarnatória? Infelizmente, muitos deixam de frequentar o Centro Espírita porque para alguns pais e familiares é lançada de forma insensível a célebre expressão "é uma expiação", quando na verdade o mais sensato é dizer "é uma oportunidade de melhoramento evolutivo para todos nós".

        Parece algo despropositado esta indagação, no entanto, muitas atitudes decorrentes do desconhecimento desencadearam melindres, imprudências, cobranças e expectativas inconvenientes e até maldosas. Além disto, o evangelizador sabe como proceder quando comportamentos, insinuações, posicionamentos hostis, invasivos, negligentes, superproteções ou vitalizantes ocorram?

        Embora haja consciência quanto à "fora da caridade não há salvação" e seja incentivado o sede perfeitos e a formação do homem de bem, é sempre relevante ter em mente que todos Espíritos encarnados ali presentes estão em processo de transformação moral e educação das suas más tendências. Por isto, não é raro o surgimento de alguma (re)ação desagradável, mesmo porque os participantes são oriundos de uma sociedade não acostumada e não alinhada com a proposta filosófica de inclusão.

        Talvez alguém indague qual a relação de uma criança/jovem vivendo com HIV/AIDS com o processo inclusivo e as acessibilidades. Neste sentido, convém (re)lembrar a pertinência da alusão, pois a legislação e este direito de ser incluído não se refere somente a quem tenha uma deficiência: abrange todos vivenciando temporária ou permanentemente alguma diferença.

        Por isso, enfatizamos a necessidade do Departamento de Infância e Juventude das Instituições Espíritas pensarem que este tema deve ser discutido e assimilado com instruções eficientes, possibilidades eficazes, estratégias alternativas e includentes.

        Neste aspecto, o item 4 do capítulo XI de O Evangelho segundo O Espiritismo, "Amar o próximo como a si mesmo", será constantemente guia imprescindível, pois esta é a expressão mais completa da caridade e resume todos os deveres do homem para com o próximo.

      Precisamos, com urgência, repensar nosso comportamento e nos tornar-nos mais responsavelmente acolhedores.

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