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Escrito por: Iris Sinoti
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Para a física, especificamente a ótica, sombra é uma região escura formada pela ausência parcial da luz.

Em termos psicológicos, sombra é tudo o que desconheço sobre mim mesmo e que me deixa desconfortável, independente de ser positivo ou negativo. A sombra é, de certo modo, tudo o que eu desejo ser e também o que não desejo ser.

Essa região escura (inconsciente) pode permanecer desconhecida ou até mesmo podemos desejar não iluminá-la (tomar consciência da sua existência), o que não significa que ela deixará de existir e até mesmo de perturbar nossa vida. A inconsciência da nossa sombra é uma enorme ameaça ao bem-estar da sociedade como um todo.

A sombra não é o mal, apesar de sua manifestação ser entendida como tal. Ela é, na verdade, uma fonte de possibilidades e qualidades que por algum motivo negligenciamos ou não utilizamos. A sombra frequentemente confronta nossos desejos e até mesmo contamina as nossas melhores intenções. Sem um encontro com a sombra o nosso processo de individuação fica comprometido e a vida sem significado.

Qual a vantagem em ter consciência da sombra? As vantagens são imensas: a primeira e principal é que o encontro com a sombra nos mostra uma realidade que buscamos esconder mantendo a vida superficial, ou seja, encontrar com a sombra é um convite para a expansão da consciência. Uma segunda vantagem é que, ao nos tornarmos conscientes dela diminuímos consideravelmente as projeções e passamos a entender que aquilo que é tão irritante em outras pessoas é, na verdade, uma expressão de nossa própria sombra, ou seja, nos pertence.

Existem quatro formas de lidar com a sombra:

1º.   Quando ela permanece inconsciente, faz escolhas por nós. Quando não nos ocupamos com um trabalho de autoconhecimento, não temos o hábito de nos questionar ou de fazer o que sugere Santo Agostinho na questão 919 do Livro dos Espíritos, corremos o risco de deixar a sombra “escolhendo” por nós, entregamos a nossa vida ao turbilhão da vida e somos arremessados de um lado para o outro sem controle dos nossos atos, acreditando sermos vítimas do destino;

2º.   Nós a projetamos nos outros e repudiamos neles o que é intolerável para nós. Por que vemos o argueiro no olho do nosso irmão e não enxergamos a trave no nosso? Por não reconhecermos a sombra vemos no outro o que na verdade nos pertence. É verdade, por mais doloroso que isso possa nos parecer, se existe incomodo é sombra e é nossa;

3º.   Nós nos identificamos com ela e a vivemos, não sendo capazes de nos criticarmos ou avaliarmos às consequências dos nossos atos. “Eu nasci assim e vou morrer assim”, e acomodamo-nos numa perspectiva limitada de nós e levamos uma vida como um rascunho sem aproveitarmos o que existe de melhor e sem conhecermos as nossas qualidades;

4º.   Nós admitimos que aquilo que não nos deixa confortáveis é, apesar de tudo, nosso, então crescemos em nossa capacidade de trabalhar com essa energia e assimilá-la de forma consciente. Com isso nos tornamos hoje melhores que ontem e amanhã melhores que hoje, como propõe a Doutrina Espírita.

 

É preciso muita coragem para reconhecer que o que está errado no mundo está errado em nós, e assim por diante. Tememos esse doloroso encontro com as nossas qualidades inferiores, mas, nesses momentos de humildade, começamos a melhorar o mundo que habitamos e poderemos dar origem às condições que favorecem a cura de nossos relacionamentos e de nós mesmos.

Precisamos ter a coragem de olhar de manhã no espelho e ver o nosso inimigo: nós mesmos, e também de olhar no fundo de nós e ver o nosso maior tesouro: nós mesmos, o nosso EU verdadeiro que espera pacientemente a nossa permissão para vivermos a nossa realidade de filhos de Deus.

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