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Escrito por: Francisco Rebouças
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Somos diariamente surpreendidos por matérias elaboradas por companheiros da Seara espírita, que sem o menor constrangimento escrevem pelos diversos meios de comunicação, jornais revistas, livros e até mesmo pelos incontáveis sites espíritas sobre assuntos de que pouco ou nada sabem, e, muitos outros por acharem que "sabem demais", com o agravante, de citarem para dar credibilidade ao que falam, os supostos argumentos contidos nas obras espíritas, que na verdade falam de assuntos diferentes das interpretações que lhes são dadas.

Admitem que uma pessoa de má índole, sem moral, perversa e pervertida, pode facilmente irradiar em seu derredor uma vibração de má qualidade, que poderá ser percebida e sentida por alguém de aguçada percepção, facilmente influenciável, como uma planta murcha na proximidade de certos indivíduos, assim como alguém de nobres intenções e elevada moral pode transmitir as boas vibrações em sua volta, até aí tudo bem.

 

Mas, em assuntos que possam comprometer o status que ostentam de conhecedores da filosofia espírita, defendem suas teses errôneas com acirrado esforço para não ter que admitir que estão em erro em qualquer aspecto de seus pontos de vista, como se isso fosse o fim do mundo, e não uma atitude louvável de quem pretende ser um dia, verdadeiro cristão e espírita.

Como exemplo podemos citar estes três trechos de uma matéria espírita, em que seu autor se refere à participação do médium na tarefa do passe, tentando justificar a participação do médium passista de braços estendidos, como uma simples máquina ou um simples objeto sem qualquer importância na nobre tarefa do passe, contrariando o contido na codificação do espiritismo:

1) "Há pessoas que esquecem que o passe ministrado por nós encarnados pertence, segundo terminologia adotada por Kardec, à chamada ação magnética mista, semi-espiritual ou humano- espiritual (A Gênese, cap. XIV, item 33), na qual, combinado com o fluido humano, o fluido espiritual lhe imprime qualidades de que ele carece".

2) Há espíritas, e certamente isso deve ocorrer com alguns médiuns, que sentem uma influenciação mais forte do Espírito amigo que os auxilia no passe e, movidos por essa influenciação, movimentam o braço seguindo uma intuição especial, que poucas pessoas sentem. Advém daí a orientação pela simples imposição de mãos visto que, não sabendo qual o problema específico do enfermo, não há razão nenhuma para movimentarmos a esmo nossas mãos.

3) Sabem todos os que trabalham na tarefa do passe que geralmente os médiuns passistas não conhecem as pessoas que ali estão para receber esse auxílio. E, ainda que os conheça, o médium não tem ciência do que levou a pessoa a buscar o recurso magnético, visto que num grupo de 80 pessoas à espera do passe, há de tudo: indivíduos gravemente enfermos, cri-aturas preocupadas com problemas materiais, pessoas que têm saudade do ente querido que partiu e casos inúmeros - desemprego, depressão, solidão etc. - de que os médiuns passistas não têm o menor conhecimento".

Diante desses tipos de comentários, só nos resta lamentar a falta de lógica para a tese ultrapassada e sem fundamento que defendem, pois, no primeiro caso, o contido na Gênese nada tem de contrário ao movimento das mãos do médium passista, nem consagra o princípio defendido da simples imposição delas;

No segundo, se reconhecem que certos médiuns sentem uma influenciação mais forte do espírito amigo que os auxiliam, e por essa razão movimentam os braços, seguindo uma intuição especial, cabe-nos perguntar: porque só alguns privilegiados são influenciados de forma mais forte como se expressam, para movimentar suas mãos e os outros não? E, para essa pergunta amigos, só há uma única resposta certa, estão preparados convenientemente para tal mister, falta aos outros, acurados estudos para não se portarem em tão relevante serviço de cunho espiritual como verdadeiros "postes e robôs", jamais médiuns intérpretes da espiritualidade benfazeja.

No terceiro caso, sobre não conhecerem os doentes e as doenças que os afligem, não será possível ao médium saber qual a enfermidade ou o local onde ela está estabelecida, pois, cabe ao benfeitor o recurso de auxiliá-lo pela inspiração a dirigir suas mãos ao local da enfermidade, desde que ele se disponha a ser verdadeiramente um médium espírita.

Como podemos ver os argumentos são simples paliativos que escondem enorme frustração por não terem ainda suficiente coragem para admitir o quanto estão distantes da filosofia espírita sobre o assunto, que como espírita, terão que admitir mais cedo ou mais tarde.

Chega de citar os argumentos infundados deste ou daquele autor famoso ou não para justificar erros inadmissíveis na nossa doutrina tão nobre, pois, nenhum deles foi tão perfeito como o Mestre de Nazaré que nos transmitiu através dos Espíritos Superiores a verdadeira doutrina contida na codificação de Kardec.

Para tanto, vejamos o que a própria Gênese nos esclarece a tal respeito, sem citar a Revista Espírita e as incontáveis obras de reconhecido cunho doutrinário sobre o tema.

4. - Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos nossos instrumentos de análise e à percepção dos nossos sentidos, feitos para perceberem a matéria tangível e não a matéria etérea. Alguns há, pertencentes a um meio diverso a tal ponto do nosso, que deles só podemos fazer idéia mediante comparações tão imperfeitas como aquelas mediante as quais um cego de nascença procura fazer idéia da teoria das cores.
Mas, entre tais fluidos, há os tão intimamente ligados à vida corporal, que, de certa forma, pertencem ao meio terreno. Em falta de observação direta, seus efeitos podem observar-se, como se observam os do fluido do imã, fluido que jamais se viu, podendo-se adquirir sobre a natureza deles conhecimentos de alguma precisão. É essencial esse estudo, porque está nele a chave de uma imensidade de fenômenos que não se conseguem explicar unicamente com as leis da matéria.

Qualidade dos flúidos

17. - Fora impossível fazer-se uma enumeração ou classificação dos bons e dos maus fluidos, ou especificar-lhes as respectivas qualidades, por ser tão grande quanto a dos pensamentos a diversidade deles.

Os fluidos não possuem qualidades sui generis, mas as que adquirem no meio onde se elaboram; modificam-se pelos eflúvios desse meio, como o ar pelas exalações, a água pelos sais das camadas que atravessa. Conforme as circunstâncias, suas qualidades são, como as da água e do ar, temporárias ou permanentes, o que os torna muito especialmente apropriados à produção de tais ou tais efeitos

Também carecem de denominações particulares. Como os odores, eles são designados pelas suas propriedades, seus efeitos e tipos originais. Sob o ponto de vista moral, trazem o cunho dos sentimentos de ódio, de inveja, de ciúme, de orgulho, de egoísmo, de violência, de hipocrisia, de bondade, de benevolência, de amor, de caridade, de doçura, etc. Sob o aspecto físico, são excitantes, calmantes, penetrantes, adstringentes, irritantes, dulcificantes, soporíficos, narcóticos, tóxicos, reparadores, expulsivos; tornam-se força de transmissão, de propulsão, etc. O quadro dos fluidos seria, pois, o de todas as paixões, das virtudes e dos vícios da Humanidade e das propriedades da matéria, correspondentes aos efeitos que eles produzem.

18. - Sendo apenas Espíritos encarnados, os homens têm uma parcelada vida espiritual, visto que vivem dessa vida tanto quanto da vida corporal; primeiramente, durante o sono e, muitas vezes, no estado de vigília. O Espírito, encarnado, conserva, com as qualidades que lhe são próprias, o seu perispírito que, como se sabe, não fica circunscrito pelo corpo, mas irradia ao seu derredor e o envolve como que de uma atmosfera fluídica.

Pela sua união íntima com o corpo, o perispírito desempenha preponderante papel no organismo. Pela sua expansão, põe o Espírito encarnado em relação mais direta com os Espíritos livres e também com os Espíritos encarnados.O pensamento do encarnado atua sobre os fluidos espirituais, como o dos desencarnados, e se transmite de Espírito a Espírito pelas mesmas vias e, conforme seja bom ou mau, saneia ou vicia os fluidos ambientes.Desde que estes se modificam pela projeção dos pensamentos do Espírito, seu invólucro perispirítico, que é parte constituinte do seu ser e que recebe de modo direto e permanente a impressão de seus pensamentos, há de, ainda mais, guardar a de suas qualidades boas ou más. Os fluidos viciados pelos eflúvios dos maus Espíritos podem depurar-se pelo afastamento destes, cujos perispíritos, porém, serão sempre os mesmos, enquanto o Espírito não se modificar por si próprio.Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto mais direta, quanto, por sua expansão e sua irradiação, o perispírito com eles se confunde.
Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material com que se acha em contacto molecular. Se os eflúvios são de boa natureza, o corpo ressente uma impressão salutar; se são maus, a impressão é penosa. Se são permanentes e enérgicos, os eflúvios maus podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.
Os meios onde superabundam os maus Espíritos são, pois, impregnados de maus fluidos que o encarnado absorve pelos poros perispiríticos, como absorve pelos poros do corpo os miasmas pestilenciais.

19. - Assim se explicam os efeitos que se produzem nos lugares de reunião. Uma assembléia é um foco de irradiação de pensamentos diversos. É como uma orquestra, um coro de pensamentos, onde cada um emite uma nota.
Resulta daí uma multiplicidade de correntes e de eflúvios fluídicos cuja impressão cada um recebe pelo sentido espiritual, como num coro musical cada um recebe a impressão dos sons pelo sentido da audição.

Mas, do mesmo modo que há radiações sonoras, harmoniosas ou dissonantes, também há pensamentos harmônicos ou discordantes. Se o conjunto é harmonioso, agradável é a impressão; penosa, se aquele é discordante. Ora, para isso, não se faz mister que o pensamento se exteriorize por palavras; quer ele se externe, quer não, a irradiação existe sempre.Tal a causa da satisfação que se experimenta numa reunião simpática, animada de pensamentos bons e benévolos. Envolve-a uma como salubre atmosfera moral, onde se respira à vontade; sai-se reconfortado dali, porque impregnado de salutares eflúvios fluídicos. Basta, porém, que se lhe misturem alguns pensamentos maus, para produzirem o efeito de uma corrente de ar gelado num meio tépido, ou o de uma nota desafinada num concerto. Desse modo também se explica a ansiedade, o indefinível mal-estar que se experimenta numa reunião antipática, onde malévolos pensamentos provocam correntes de fluido nauseabundo.

20. - O pensamento, portanto, produz uma espécie de efeito físico que reage sobre o moral, fato este que só o Espiritismo podia tornar compreensível.
O homem o sente instintivamente, visto que procura as reuniões homogêneas e simpáticas, onde sabe que pode haurir novas forças morais, podendo-se dizer que, em tais reuniões, ele recupera as perdas fluídicas que sofre todos os dias pela irradiação do pensamento, como recupera, por meio dos alimentos, as perdas do corpo material. É que, com efeito, o pensamento é uma emissão que ocasiona perda real de fluidos espirituais e, conseguintemente, de fluidos materiais, de maneira tal que o homem precisa retemperar-se com os eflúvios que recebe do exterior.
Quando se diz que um médico opera a cura de um doente, por meio de boas palavras, enuncia-se uma verdade absoluta, pois que um pensamento bondoso traz consigo fluidos reparadores que atuam sobre o físico, tanto quanto sobre o moral.

21. - Dir-se-á que se podem evitar os homens sabidamente mal intencionados.
É fora de dúvida; mas, como fugiremos à influência dos maus Espíritos que pululam em torno de nós e por toda parte se insinuam, sem serem vistos?
O meio é muito simples, porque depende da vontade do homem, que traz consigo o necessário preservativo. Os fluidos se combinam pela semelhança de suas naturezas; os dessemelhantes se repelem; há incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos, como entre o óleo e a água.

Que se faz quando está viciado o ar? Procede-se ao seu saneamento, cuida-se de depurá-lo, destruindo o foco dos miasmas, expelindo os eflúvios malsãos, por meio de mais fortes correntes de ar salubre. A invasão, pois, dos maus fluidos, cumpre se oponham os fluidos bons e, como cada um tem no seu próprio perispírito uma fonte fluídica permanente, todos trazem consigo o remédio aplicável. Trata-se apenas de purificar essa fonte e de lhe dar qualidades tais, que se constitua para as más influências um repulsor, em vez de ser uma força atrativa. O perispírito, portanto, é uma couraça a que se deve dar a melhor têmpera possível. Ora, como as suas qualidades guardam relação com as da alma, importa se trabalhe por melhorá-la, pois que são as imperfeições da alma que atraem os Espíritos maus.
As moscas são atraídas pelos focos de corrupção; destruídos esses focos, elas desaparecerão. Os maus Espíritos, igualmente, vão para onde o mal os atrai; eliminado o mal, eles se afastarão. Os Espíritos realmente bons, encarnados ou desencarnados, nada tem que temer da influência dos maus.

Mudemos pois, definitivamente o discurso desculpista da nossa falta de estudos evitando citar o que diz este ou aquele indivíduo em sua obra, e, passemos a dizer convictos da sublimidade da fonte: "a codificação do espiritismo nos ensina assim".

Gênese:
1) Kardec Allan - Cap. XIV, itens 4, e 17 a 21.

Grifos nossos.

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