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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2019

Sobre o autor

Paulo Velasco

Paulo Velasco

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Ouve-se, com certa frequência, nos ambientes doutrinários, algumas frases que expressam dúbias interpretações sobre o que seja “ser espírita”. Companheiros que ainda não se sentem devidamente ajustados aos parâmetros propostos pelos roteiros da codificação dizem: “ainda não sou espírita, estou tentando!” Outros, desejosos em amealhar algum crédito de aceitação nos grupos, dizem: “Quem sou eu para ser espírita?”, “Quem sabe um dia serei!”.

Ser espírita é ser melhor hoje do que ontem, e buscar amanhã ser melhor do que hoje; é errar menos e acertar mais; é esforçar pelo domínio das más inclinações e transformar-se moralmente, conforme destaca Kardec.

Nessa ótica, temos de admitir uma classificação muitíssimo maleável para considerar quem é e quem não é espírita.

Façamos algumas reflexões: Em primeira etapa, a criatura chega à casa espírita. Em uma segunda etapa, o conhecimento doutrinário penetra os meandros da inteligência, e, na terceira fase, a mais significativa, o Espiritismo brota dentro dela para espraiar-se no meio onde atua, gerando crescimento e progresso. Fases para as quais jamais poderemos definir critérios de tempo e expectativa para alguém, a não ser para nós próprios. Fases que geram responsabilidade a cada instante de contato com as Verdades Imortais, mas que são determinadas, única e exclusivamente, pela consciência individual, não sendo prudente estabelecer o que se espera desse ou daquele coração, porque cada qual enfrentará lutas muito diversificadas nos campos da vida interior.

O espírita não é reconhecido somente nos instantes em que encanta a multidão com sua fala ou quando arrecada gêneros na campanha do quilo, ou ainda por sua lavra inspirada na divulgação, ou mesmo pela tarefa de direção. Essas são ações espíritas salutares e preparatórias para o desenvolvimento de valores na alma, mas o serviço transformador do campo íntimo, que qualifica o perfil moral do autêntico espírita, é medido pelo modo de reagir às circunstâncias da existência, pelo qual testemunha a intensidade dos esforços renovadores de progresso e crescimento a que se tem ajustado.

Pelas reações, mensuramos se estamos ou não assimilando, no mundo íntimo, as lições preciosas da espiritualização. A ação avalia nossas disposições periféricas de melhoria, todavia, somente as reações são o resultado das mudanças profundas que, somente em situações adversas ou na convivência com os contrários, temos como aquilatar em que níveis se encontram.

Melhor seria que não aderíssemos à ideia incoerente do “espírita não praticante”, para não estimular as fantasias de menor esforço que ainda são fortes tendências de nossas vivências espirituais.

Deixemos de lado essa necessidade insensata de definirmos conceitos estreitos e “padrões engessados”,  que não auxiliam a sermos melhores que somos. Aceitemos nossas imperfeições e devotemo-nos, com sinceridade e equilíbrio, ao processo renovador.

Estejamos convictos de um ponto em matéria de melhoria espiritual: só faremos e seremos aquilo que conseguimos, nem mais nem menos. O importante é que sejamos o que somos, sem essa necessidade injustificável de ficar criando rótulos para nossos estilos ou formas de ser.

Certamente, em razão disso, o baluarte dos Gentios asseverou em sua carta aos Coríntios, capítulo 15, versículos 9 e 10: “Não sou digno de ser chamado de apóstolo, mas, pela graça de Deus, já sou o que sou”

 

Fonte: Reforma Íntima Sem Martírio”, de Wanderley S. de Oliveira.

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