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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2017
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Certa feita, Jesus afirmou aos seus discípulos: “Muitos profetas e reis desejaram ver o que vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram” (Lucas 10:24). Em outra oportunidade, o Mestre disse: “Ainda tenho muitas coisas para dizer, mas agora vocês não seriam capazes de suportar” (João 16:12). De outra vez, enfatizou: “Não vos deixarei órfãos” (João14:18) e complementou: “O Consolador, que o Pai vai enviar em meu nome, ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse” (João 14:26).

Em 1857, na França, esse Consolador Prometido surge, sob a direção do próprio Cristo (“Espírito da Verdade”), que prometeu retornar ao convívio humano na glória de Deus, acompanhado de seus anjos (espíritos superiores) para restabelecer todas as coisas, contando com a ajuda de um ser especial, um gênio, nascido em solo francês, berço dos grandes luminares da humanidade, precisamente na cidade de Lyon, dotada de incontestável beleza arquitetural, uma das cidades mais bonitas e interessantes da França, tendo sido fundada em 43 a.C. pelos romanos, constituindo a capital da província da Gália.

Em verdade, o espírito de um virtuoso sacerdote gaulês retorna ao convívio terrestre, vivificando a personalidade de um erudito intelectual francês, Hippolyte Léon Denizard Rivail, adotando o pseudônimo de Allan Kardec, precisamente como era chamado o afamado druida da Gália. Surge, então, o magnânimo codificador do Espiritismo, respeitado e reconhecido por todos os sinceros adeptos da Doutrina Consoladora de Jesus.

Segue o caminho certo, todos os que estudam a codificação kardeciana, alicerçada no Controle Universal do Ensino dos Espíritos, desde que, conforme esclarece o excelso codificador, “(...) nem todos os Espíritos são perfeitos e que existem muitos que se apresentam sob falsas aparências, o que levou São João a dizer: ‘Não acrediteis em todos os Espíritos; vede antes se os Espíritos são de Deus’” (I João, cap. IV- 1). Continua o mestre lionês, chamando a atenção de todos os estudiosos espíritas: “Pode, pois, haver revelações sérias e verdadeiras como as há apócrifas e mentirosas. O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificações não pode emanar de Deus (A Gênese, cap. I-10). 

O arcabouço doutrinário espírita entregue aos homens pelos sábios instrutores extrafísicos, sob a direção do inolvidável Kardec, tem a base mais garantida, o mais correto direcionamento intelectual, constituindo o instrumental necessário para a compreensão mais certeira, falando sem rodeios, da Doutrina Espírita.

 

A Via da Mistificação e do Engodo

Os que seguem o caminho da distorção, da impostura e da farsa, se encontram aprisionados nas teias da obsessão por fascinação, achando-se, sob ilusão, no patamar da suprema intelectualidade, considerando-se superiores até aos instrutores espirituais e a Kardec.  Apresentam-se em completa submissão aos seres do além vulgares, atrasados, os quais acreditam ser dotados de grande conhecimento e, em verdade, sabem menos do que certos homens encarnados, mais esclarecidos do que eles. São, em totalidade, entidades enquadradas, na escala espírita, como pseudossábias, seres presunçosos, procurando conseguir a prevalência das mais falsas ideias, em detrimento ao que Kardec peneirou, através do instrumento grandioso do Controle Universal do Ensino dos Espíritos.

     

Critério Rigoroso de Trabalho de Análise das Comunicações Mediúnicas

Na Revista Espírita de abril de 1864 (“Autoridade da Doutrina Espírita”), o codificador afirma que “essa universalidade do ensino dos Espíritos constitui a força do Espiritismo”. “(...) Mas esta não é a única vantagem resultante dessa posição excepcional. O Espiritismo aí encontra uma onipotente garantia contra as cismas que poderiam suscitar a ambição de certas pessoas ou as contradições de certos Espíritos. Seguramente essas contradições são um escolho, mas que leva em si o remédio ao lado do mal.

“O primeiro controle é, sem sombra de dúvida, o da razão, ao qual é preciso submeter, sem exceção, tudo quanto vem dos Espíritos. Toda teoria em manifesta contradição com o bom-senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos que se possui, por mais respeitável que seja a sua assinatura, deve ser rejeitada”. “(...) A concordância no ensino dos Espíritos é, pois, o melhor controle, mas ainda é preciso que ocorra em certas condições. A menos segura de todas é quando um médium interroga, ele próprio, vários Espíritos, sobre um ponto duvidoso. É evidente que se estiver sob o império de uma obsessão, e se ele tratar com um Espírito enganador, esse Espírito lhe pode dizer a mesma coisa com nomes diversos.

“Também não há garantia suficiente na conformidade obtida pelos médiuns de um mesmo centro, porque eles podem sofrer a mesma influência. A única séria garantia está na concordância que existe entre as revelações espontâneas feitas por intermédio de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em diversas regiões.

Kardec, assim se expressou, a respeito dos seres mistificadores do além: “Sabe-se que os Espíritos, por força da diferença existente em suas capacidades, estão longe de estar individualmente na posse de toda a verdade; que nem a todos é dado penetrar certos mistérios; que seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais que os homens e até menos que certos homens; que entre eles, como entre estes, há presunçosos e pseudossábios que creem saber o que não sabem; sistemáticos que tomam suas ideias como verdades; enfim, que os Espíritos da ordem mais elevada, os que estão completamente desmaterializados, são os únicos que se despojaram das ideias e preconceitos terrenos. Mas sabe-se, também, que os Espíritos enganadores não têm escrúpulo em esconder-se sob nomes de empréstimo, para fazerem aceitas as suas utopias. Disso resulta que, para tudo quanto esteja fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que cada um pode obter têm um caráter individual sem autenticidade; que elas devem ser consideradas como opinião pessoal de tal ou qual Espírito, e que seria imprudente aceitá-las e promulgá-las levianamente como verdades absolutas”.

Transitando em caminhos tortuosos

Na mesma época em que o codificador trazia ainda a lume o Espiritismo, uma nova manifestação mediúnica, através de uma única sensitiva, se fazia presente, intitulada de “Revelação da Revelação”, publicada sem passar pelo critério rigoroso da universalidade do ensino dos Espíritos e, ainda por cima, dita ser escrita pelos “próprios evangelistas, assessorados pelos outros discípulos de Jesus e por Moisés”, que retornaram com o escopo de “restaurar as letras evangélicas”. Em verdade, sequer apontaram e consertaram os deslizes cometidos pelos clérigos que manipularam a bel-prazer os ensinamentos do Cristo.

Ao mesmo tempo, aludindo ao Cristo não ter reencarnado por vias naturais, passando por uma operação de gestação extra-humana, ser dotado de um corpo fluídico concretizado, com todas as aparências da materialidade, formando-se por obra do Espírito Santo e a gravidez e o parto não foram reais, enquadrou-se a obra na assertiva evangélica de todos aqueles que ”não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o enganador e o anticristo” (2ª Epístola de João 1:7). 

Esses falsos “evangelistas” conseguiram macular todas as mais atuantes e abençoadas personagens do Novo Testamento. Primeiramente, os discípulos do Cristo foram tachados de “pouco adiantados” (4º vol. de “OQE” – Os Quatro Evangelhos, pág. 329); “não estavam aptos a compreender os mistérios e tinham que ignorá-los” (4º vol. de “OQE”, pág. 373). Exatamente o contrário podemos verificar nos textos evangélicos: “A vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus” (Mateus 13-11). Prossegue o Mestre: “Bem-aventurados os vossos olhos, porque veem; e os vossos ouvidos, porque ouvem” (Mateus 13-16). O evangelista Marcos ressalta a resposta de Jesus aos discípulos: “A vós outros é dado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se ensina por meio de parábolas”. Confirmando a sapiência dos discípulos, o Cristo, em desacordo com os “evangelistas de Roustaing”, esclarece: “Vós sois a luz do mundo” (Mateus: 5-11).  

Agora é com a mãe de Jesus, Maria, a denigrem, tachando-a de “ignorante das leis da matéria” (vol. 1 de “OQE”, pág. 202); “... teve completa ilusão do parto e da maternidade” (vol. 1 de “OQE”, pág. 196); “... cumpria muito pouco dos deveres que a maternidade impõe às mulheres” (vol. 1 de “OQE”, pág. 246). Os falsos “discípulos do Mestre” relatam que a gravidez de Maria foi aparente e dão uma informação científica que prima pela infantilidade, desconhecendo inteiramente o mecanismo fisiológico de uma prenhez: “... Pela ação dos fluidos empregados, o mênstruo parou durante o tempo preciso de uma gestação, contribuindo este fato para a aparência da gravidez, pela intumescência e pelos incômodos ocasionados”. Aliás, esses “fulgurantes seres”, que ditaram “A Revelação da Revelação”, desconhecem mesmo a fisiologia humana, desde que também disseram: “O que entra no homem vai aos intestinos e daí para o lugar secreto” (pág. 557, vol. 4 de “OQE”). É lastimável que ainda seja infelizmente propagada, em nosso meio doutrinário, como espírita, uma pseudodoutrina, contendo tantos absurdos de conteúdo moral e doutrinário, como também marcadas incongruências científicas.

Pelo fato de ignorarem o que é natural, por certo nada sabem do que é não natural. Daí a tese do corpo fluídico do Cristo ser uma farsa, um embuste, transformando todos os atos da vida do Mestre numa grande e deliberada mentira. Quanto ao Cristo fluídico, Roustaing o revela como alguém que pareceu ser formado no ventre de Maria; depois simulou o seu nascimento; a seguir, enganou a todos, representando que mamava; fingiu que sentia dor (“não sofrera materialmente e não fraqueara sob o guante da dor”, em vol. 3 de “OQE”, pág. 462) e não experimentava emoções humanas. Além de tudo, simulou morrer.  

Lastimavelmente, enquadraram Jesus, na infância, como uma criança que “gostava da solidão e seus hábitos eram tidos por quase selvagens, visto não conviver com os meninos de sua idade” (pág. 246, vol. 1). Que truculência! O amado Cristo, Espírito puro por excelência, depreciado e desrespeitado mais uma vez pelos sequazes do anticristo. 

Os Espíritos trevosos, juntamente com o Sr. Roustaing, conseguiram até mesmo menoscabar a figura poética da Rosa de Sarom (Lírios do Campo), tentando tornar vil, desprezível, a bela imagem inspirada pelo Cristo, falando do amparo divino: “... nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles” (Mateus 6: 28-29), dizendo que os lírios eram habitat de larvas constituídas de substâncias humanas, “que rastejam ou antes deslizam, tendo os membros, por assim dizer, em estado latente”, encarnação de “anjos decaídos”, Espíritos superiores que sofreram processo de retrogradação espiritual, que faliram por terem se transviado pelo orgulho, quando já estavam trabalhando na constituição de planetas (vol.1 de “OQE”, pág. 313). Quanta barbaridade!

 

Profunda discrepância com o que ensina a Codificação Espírita

A assertiva rustenista de que a encarnação humana não é uma necessidade, e sim, um castigo, citada no vol. 1 de “OQE”, pág. 317, fere completamente um dos princípios básicos doutrinários. A Codificação Kardequiana ensina exatamente o contrário: “A união do espírito e da matéria é necessária” (“OLE”, Q. 25), já que os “espíritos têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal” (Q. 132 de “OLE”) e “todos os Espíritos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal” (Q. 133 de “OLE”). Na Doutrina Espírita, os bons Espíritos não são os que evoluíram na dimensão extrafísica, são os que conseguiram “predominância sobre a matéria” (Q. 107 de “OLE”). Bem clara a afirmativa doutrinária de que “os Espíritos puros percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria” (Q. 113 de “OLE”). Enquanto Roustaing diz que a criatura conhece o bem e o mal nas paragens espirituais, o Espiritismo ressalta o oposto: “Para ganhar experiência é preciso que o ser espiritual conheça o bem e o mal. Eis por que se une ao corpo” (Q. 634 de “OLE”). 

Portanto, é na vibração mais densa que o Espírito, simples e ignorante, escolhe o seu caminho: “Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que se pode subir e descer; se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros” (“OLE”, Q. 634). O Espírito, centelha divina aprimorada e individualizada, necessita da arena física, com sua resistência própria, para despertar e exteriorizar suas potencialidades (“O Reino de Deus dentro de si”). 

É dever de todos os espíritas exercer a vigilância, sabendo distinguir o joio do trigo e não se mostrar indiferente à investida de mentes extrafísicas sombrias: Na obra Elos Doutrinários, pág. 36, o rustenismo é denominado de “Curso Superior de Espiritismo”, confirmando a fascinação de seus seguidores. 

Na carta aos Efésios, Capítulo 5:11, Paulo chama-nos a atenção, clamando: “Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as”. Poderíamos acrescentar: “reprovai-as; contudo, oremos pelos que estão atados ao fanatismo desagregador e a obsessão da fascinação, fonte de querelas, cismas e discussões”.

Acima de tudo nos foi confiada a missão de administradores dos bens da Terceira Revelação Divina à Humanidade. Nossa responsabilidade é imensa diante do Mestre e de nossa consciência. Que o caminho da libertação espiritual seja trilhado por todos os que trazem dentro de si o reconhecimento e a fidelidade ao Espírito da Verdade (o próprio Jesus) e a Kardec, o excelso codificador da Doutrina Espírita.

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