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A Inevitável Lei do Progresso

LE Q.780A: Como o progresso intelectual pode conduzir ao progresso moral? R: Dando a compreensão do bem e do mal, pois então o homem pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio segue-se ao desenvolvimento da inteligência e aumenta a responsabilidade do homem pelos seus atos.

Lamentavelmente, a impressão que se tem é a de que nem todos têm conhecimento dessa lei natural; e muitos dos que a conhecem não a analisam seriamente, não a compreendem em profundidade. E mais lamentável ainda é que entre esses se encontram, em número expressivo, homens com cargos e encargos de comando e administração de famílias, de coletividades, de nações inteiras... Isso, contudo, não os isenta da responsabilidade sobre seus atos.

Uma parte da humanidade considera progresso a conquista do poder sobre criaturas e posses de todo tipo, não importando a que custo, não se preocupando se os excessos que esbanjam ou acumulam deixam uma grande maioria na escassez e na penúria... Baseiam-se em arbitrariedades e autoritarismo, escondendo-se sob a indiferença e a hipocrisia, inclusive acreditando-se inatingíveis, acima de toda lei, adaptando a justiça aos seus interesses pessoais. Justamente aqueles cujo gabarito intelectual deveria conduzir a escolhas mais criteriosas optam muitas vezes por decisões equivocadas e até perversas, facilmente destruídas ao embate da verdadeira justiça, aquela baseada nas leis naturais estabelecidas pelo Criador para a nossa evolução segura e tranquila.

O comentário de Allan Kardec acerca da instabilidade das leis humanas é, como sempre, da maior relevância: A civilização criou novas necessidades para o homem, e essas necessidades são relativas à posição social que cada qual ocupe. Foi necessário regular os direitos e os deveres dessas posições através de leis humanas; mas, sob a influência de suas paixões, o homem criou, muitas vezes, direitos e deveres imaginários, condenados pelo lei natural, e que os povos apagam dos seus códigos, à proporção que progridem. A lei natural é imutável, e sempre a mesma para todos; a lei humana é variável e progressiva: somente ela pode consagrar, na infância da humanidade, o direito do mais forte (LE q.795).

Compreenda-se que “o mais forte” não é apenas o fisicamente mais forte, mas também o que tem mais conhecimento, mais possibilidades materiais, mais estrutura econômica. Pela lógica, estes “mais fortes” deveriam ser os mais lúcidos, os mais conscientes, os mais humanitários com relação a todos os aspectos da vida e do meio em que interagimos.

Todavia, lembramos o triste fato recente da aprovação, por parte de apenas 10 homens (8 a favor e 2 contra), da descriminalização do aborto de anencéfalo, apesar dos casos comprovados de sobrevida de bebês – já não mais fetos – e do significativo movimento popular contra, não somente dos segmentos religiosos...

Já em 1997, o jurista e deputado federal Hélio Bicudo, no artigo “Aborto Legal – Ledo Engano”, publicado na Folha de São Paulo de 05/12/1997, salientava: “o Código Civil Brasileiro, na sua versão atual e no projeto recentemente aprovado pelo Senado Federal, contempla de forma explícita OS DIREITOS DO NASCITURO A PARTIR DA CONCEPÇÃO”! Acrescentava ainda em seu artigo que a professora Márcia Pimentel, PhD em genética humana, afirmava que “a vida humana começa na concepção, pois, a partir do momento em que o óvulo é fecundado pelo espermatozoide, inicia-se uma nova vida, que não é aquela do pai ou da mãe, e sim a de um novo organismo que dita seu próprio desenvolvimento (...) Biologicamente, cada ser humano é um evento biológico único, que não mais se repetirá”.

N’O Livro dos Espíritos, a questão 360 nos assegura que devemos ter o “mesmo respeito pelo feto do que pela criança já nascida”; nas 880, que “o primeiro de todos os direitos naturais do homem é o de viver, e que ninguém tem o direito de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer qualquer coisa que possa comprometer a sua existência corpórea” – não está aí especificada nenhuma condição excepcional em que se possa comprometer uma existência qualquer...  Na Revista Espírita de junho de 1863, Kardec afirma que “cada existência, por pior que seja, é uma ocasião de progresso para o Espírito: ele desenvolve a inteligência, adquire experiência e conhecimentos que, mais tarde, o ajudarão a progredir moralmente”.

Não é preciso dizer muito mais... Sabemos que o espírito não é a massa encefálica contida na caixa craniana do homem em sua totalidade ou em pequena parte que seja; que cada um de nós, espíritos em evolução, vivenciamos situações, provas e provações em função das nossas necessidades educativas e evolutivas. E que certas condições, por mais penosas, representam inúmeras vezes a redenção de atos pretéritos significativamente danosos.

Por Dóris Madeira Gandres – email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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