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Escrito por: Doris Madeira Gandres
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...às vezes levando as crianças aos maus caminhos Não apenas a nossa doutrina, mas também outros estudos psicobiológicos, nos esclarecem que, no período designado como primeira infância, compreendido desde o nascimento até aos sete anos, a criança está tomando posse de suas faculdades físicas e (re) descobrindo o mundo à sua volta; a seguir, dos sete aos quatorze anos aproximadamente, vai se desenvolvendo física e mentalmente, chegando à puberdade e à adolescência, e então passa a reconhecer suas faculdades psíquicas, apoderar-se da sua própria maneira de ser, de seu caráter, detectando suas tendências e preferências, inclusive no campo da sexualidade.

No Livro dos Espíritos, as questões 216, 218 e 218ª nos explicam claramente o que acima afirmamos e, na questão 645, os Espíritos que trabalharam com Allan Kardec na elaboração da Doutrina Espírita nos asseguram ainda que o arrastamento pode existir sim, mas que não é irresistível.

No ser que percorreu etapas bem orientado e amparado, todas essas fases que precisa vencer apesar das dificuldades inclusive hormonais a que se vê submetido, são superadas sem grandes atropelos ou traumas, chegando então a uma juventude consciente, caminhando de modo seguro para uma maturidade tranqüila e equilibrada.

Contudo, no mundo em que atualmente vivemos, lidando com circunstâncias as mais difíceis e dolorosas, com diferenças sociais incompatíveis com a condição humana, onde uma ínfima minoria detém a maior parte dos bens que deveriam ser possibilitados a todos e onde a imensa maioria definha na miséria e na carência absoluta do indispensável - não me refiro sequer ao necessário mas ao indispensável - vemos crianças e jovens de todas as idades perdidos quanto aos valores morais: os primeiros muitas vezes pelos excessos de toda sorte; os segundos, em geral pela falta total do básico para sobreviver.

A mídia, tanto a escrita quanto a falada e a televisiva, agride cada vez mais ostensivamente a criatura com seus apelos ao consumo, à disputa pelo poder de todo tipo - do dinheiro, dos títulos, da beleza, da moda, da extravagância etc - gerando anseios geralmente desproporcionais ao nível da grande massa que assiste a tudo isso fascinada e frustrada, além da divulgação de cenas brutais, degradantes e até obscenas - uma das aberrações midiáticas atuais é o tal do BBB...

Assim também esses mesmos veículos, quando não as próprias criaturas, fazem com que aqueles jovenzinhos que têm fome e a quem falta um prato de comida ao dia, ou os que têm desejos de melhoria social a qualquer custo, ou os que trazem tendências viciosas que poderiam ser corrigidas se esclarecidos, se utilizem daquilo a que são instigados para seduzir e atingir seus objetivos - o sexo precoce mal orientado e mal utilizado.

Lamentável é constatar hoje que essa prática do sexo, particularmente como meio de sobrevivência, acontece cada vez mais cedo.  Tem-se visto reportagens mostrando meninas e meninos com 10, 11, 12 anos e assim por diante se prostituírem para não morrer de fome ou para conseguir um abrigo ou para obter a droga com que já os viciaram; quando não são seviciados dentro de suas próprias casas, ou vendidos para que a família possa se alimentar...

Tem-se constatado lamentavelmente também quase meninas e meninos das chamadas classes média e alta "intelectualizadas" se entregarem à mesma prática por falta de acompanhamento adequado dos responsáveis os quais, por comodidade ou porque só têm tempo para ganhar dinheiro, lhes permitem excesso de liberdade e, com isso, acesso a companhias indesejáveis e a meios de informação nociva, não só por curiosidade mas também por tédio, modismos e/ou carência de afeto e atenção.

Como resultante disso tudo, e mais ainda que não foi citado, tem-se o quadro da gravidez precoce, criando geralmente grandes dificuldades não só para a recém-adolescente mas para toda a família, pois muitas vezes o pai é outra quase-criança incapacitada para a responsabilidade paterna.  Por outro lado, o medo de enfrentar essas dificuldades leva aquela mãe-quase-criança, bem como os que não são capazes de a apoiar e ajudar a enfrentar o problema, a buscar a pior das soluções que é o aborto ou, como se vê e ouve tantas vezes no noticiário, a "jogar aquele bebê fora no lixo".

A nós espíritas cabe analisar todas essas questões, realidades desse mundo de provas e expiações, com isenção de ânimo e imparcialidade, tentando compreender o fato de que somos todos espíritos em evolução, caminhando com as dificuldades que nos são inerentes em função de nossas escolhas - mas que somos todos, acima de tudo, espíritos perfectíveis, filhos do mesmo pai que a todos  aplica a mesma lei de justiça, amor e caridade. E que a cada um de nós cabe fazer o que lhe for possível para ajudar, levando principalmente o esclarecimento e fornecendo o apoio cabível e necessário.

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