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Artigo do Jornal: Jornal Setembro 2020

Sobre o autor

Cláudio Conti

Cláudio Conti

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Pacto é um contrato que versa sobre qualquer coisa, podendo ser escrito, verbal ou estabelecido de alguma outra forma. Assim, um pacto pode ser um mero olhar entre irmãos ou amigos íntimos para realizarem uma travessura.

Um ponto interessante com relação ao tema em questão é ser naturalmente considerado como decorrente da confiança. Contudo, devido ao fato do nível evolutivo dos habitantes da Terra ser ainda muito baixo, a confiança raramente se estabelece. Visando contornar essa dificuldade, a humanidade foi capaz de elaborar todo um sistema de leis e meios, para que pactos sejam cumpridos.

Além disso, também foi necessário definir um procedimento para que haja pessoas capazes e/ou nomeadas para avaliar as diversas relações compactuadas, tanto a própria cidadania individual, que consiste em direitos e deveres, quanto as mais diversas burocracias e procedimentos com os quais cada um tenta se precaver de qualquer contratempo, má fé ou subterfúgios quanto aos contratos assinados.

Reconhecendo toda a máquina burocrática elaborada, o trabalho de advogados e juízes, fóruns e juizados dos mais diversos níveis, conclui-se que cumprir com os deveres assumidos não é tarefa fácil para a grande maioria dos espíritos compatíveis com um mundo de expiações e provas. Todavia, por melhor que sejam as leis e procedimentos, isso pode ser perdido a partir do momento em que a sociedade se desvirtua além do que o sistema pode suportar, pois, a partir do momento, inclusive, em que aqueles que deveriam avaliar as relações compactuadas não mais cumprem com seus deveres, conforme o estabelecido.

Sob este aspecto é que devemos analisar uma questão sobre o tema e que foi muito bem colocada por Kardec [1]: Algo de verdade haverá nos pactos com os maus Espíritos?

Primeiramente, é preciso lembrar que todos nós somos espíritos, seja no estado de encarnado ou não, e que a humanidade desencarnada é composta, por uma parte expressiva, de espíritos que ainda se encontram em processo reencarnatório, isto é, estavam aqui encarnados e como encarnados retornarão. Portanto, para fins de comportamento e responsabilidade para com seus deveres, de forma geral, não haveria diferença entre encarnados e desencarnados.

Ao nos depararmos com a resposta apresentada pelos Espíritos à Kardec, de imediato, pode-se ter uma ideia equivocada do contexto, pois consta que não haveria pactos com relação aos espíritos maus[1].

Um pacto ou um acordo sem o registro pertinente com o respaldo jurídico está relacionado única e exclusivamente com honestidade, o que, analisando a humanidade encarnada, não é uma virtude característica dos espíritos inferiores, ou maus. Portanto, sob este aspecto, não há pactos.

Contudo, a resposta oferecida pelos Espíritos ao questionamento de Kardec prossegue. Dizem eles que a simpatia, isto é, a interação entre espíritos com os mesmos interesses para alcançar um determinado objetivo, está relacionada com a própria natureza inferior, ou características, dos espíritos envolvidos [1].

Importa ressaltar que por "simpatia", quando envolve espíritos elevados, deve-se entender que a interação está relacionada com o bem comum, em um sentido amplo. Assim, a simpatia para eles está relacionada com honestidade e companheirismo; portanto, não há qualquer tipo de consideração sobre dívidas e cobranças por um “serviço prestado”.

Porém, a situação não é a mesma para os menos evoluídos, pois cada um visa ao interesse pessoal, seja no resultado final do pacto ou em receber algo pelos serviços prestados. Neste ponto é que as consequências podem ser complicadas.

Entre espíritos inferiores, ou maus, não há honestidade e, tampouco, companheirismo, no máximo, uma aparência de companheirismo e, por isso, muitos se complicam. Como foi dito, entre os espíritos inferiores não há amizade, são comparsas em fazer um mal e, assim, diante de um evento qualquer ou alteração de interesses, podem deixar de ser comparsas e a traição e/ou cobrança tomam o lugar. Portanto, como dizem os espíritos na resposta à Kardec: “Aquele que intenta praticar uma ação má, pelo simples fato de alimentar essa intenção, chama em seu auxílio maus espíritos, aos quais fica então obrigado a servir, porque dele também precisam esses espíritos para o mal que queiram fazer” e terminam afirmando: "Nisto é que consiste o pacto”[1].

Assim, Kardec, em comentário ao final da resposta, esclarece "o pacto, no sentido vulgar do termo, é uma alegoria representativa da simpatia existente entre um indivíduo de natureza má e espíritos malfazejos”. Portanto, o pacto não guarda qualquer responsabilidade com compromissos assumidos, mas apenas com os interesses pessoais daqueles envolvidos. Para os trabalhadores do bem, não há a mínima necessidade de se estabelecer pactos, pois a prática do bem é natural para eles.

Desta forma, pactos com espíritos maus é uma falácia. Aquele que acredita que terá o domínio da situação, por ser o “contratante”, se esquece ou não considera que o "contratado" não tem o mínimo pudor em quebrar o contrato, a partir do momento que não seja mais de seu interesse ou, o que pode ser muito pior, por considerar que o “contratante" está em dívida para com ele, a qual será cobrada enquanto houver alguma utilidade para o “contratado”.

Notas bibliográficas:
1. O Livro dos Espíritos, questão 549.

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