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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2022

Sobre o autor

Cláudio Sinoti

Cláudio Sinoti

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Muitas pessoas acham natural ter ciúmes, e até mesmo que eles dão um certo tempero às relações. Será?

Infelizmente não é o que se comprova em uma análise mais profunda sobre a influência dos ciúmes no comportamento, podendo levar a sofrimentos profundos e violência, quando excede a razão e ultrapassa qualquer possibilidade de controle. Torna-se “normal”, até certo ponto, por ser um comportamento que muitas pessoas apresentam, em graus variados, mas nunca poderá ser considerado saudável, podendo se apresentar como um desconforto controlado até a violência que perde o controle.

Buscando entender um pouco mais a respeito da sua estruturação, na psiquiatria o ciúme é entendido como o medo de deixar de representar para a outra pessoa aquilo que se deseja representar (mesmo inconscientemente) ... seja entre irmãos, amigos, amantes e pessoas em geral”1. Esse comportamento está associado à baixa-autoestima, refletindo um processo de autodesvalorização que termina sendo projetado nas relações das quais a pessoa ciumenta participa. No fundo, é como se o ciumento não acreditasse merecer o afeto e consideração de outra pessoa, embora os deseje profundamente, e a insegurança gerada a partir desse conflito leva a sofrimentos, acusações e às vezes atitudes descontroladas, na tentativa de superar a própria insegurança.

Quando extrapola a capacidade de controle, muitas vezes a pessoa tenta dominar a liberdade da outra com a qual se relaciona, tentando vasculhar seus desejos, sentimentos, pensamentos e atitudes, não se dando conta de que, na maior parte das vezes, o fator que a atormenta encontra-se na própria autodesvalorização.

Muitas vezes, esse comportamento começa a ser construído na infância, quando a criança ferida não se sente devidamente amada, ou mesmo quando submetida a castrações, superproteção, violência ou negligências diversas, que ferem a autoestima. O complexo de poder em desarmonia, chegando à juventude, amplia esse conflito interno, quando os hormônios entram em ação impulsionando a libido, nem sempre encontrando maturidade para o jovem lidar como essa fase. Na busca de ser aquele que “recebe o amor”, pode tornar-se extremamente agressivo e controlador.

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