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Artigo do Jornal: Jornal Novembro 2021
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O final do conturbado 2020 nos presenteou com a estreia no streaming de uma pérola da animação. O filme Soul”(Peter Docter, 2020) que, como o filme do mesmo estúdio (Pixar) de Viva, a Vida é uma Festa (Adrian Molina, Lee Unkrich, 2017), explora questões transcendentais e filosóficas, tão caras a nós, espíritas. Sobre esse filme, escrevi algumas linhas, que serão mais bem aproveitadas na reflexão por quem assistiu ao mesmo. Se não o fez, faça-o agora. É imperdível.

Sem me deter no roteiro do filme especificamente, vou pular diretamente para sua mensagem principal: a de que não existe uma missão na Terra. Não no sentido pragmático, de se ter um objetivo sociotécnico, do tipo “eu encarnei para ser músico”, como se isso fosse um determinismo sem o qual a nossa jornada não se completaria, um argumento que serve de desculpas ou muletas para ações obcecadas, egoísticas, nos chamados sonhos disfarçados de ambição desenfreada, que por vezes, nos hipnotizam e cegam.

Essa ideia do filme, de matriz filosófica existencialista, dialoga com a visão espirita de reencarnação, e com proposições que vemos na prática, de almas gêmeas, ou de missões estritamente determinadas no período pré encarnação, fazendo da existência um jogo já combinado de deuses, ao estilo do antigo Olimpo, e não uma construção na qual aproveitamos oportunidades que se descortinam, de acordo com as nossas necessidades evolutivas, e traçamos jornadas, com pessoas da nossa rede, mas com outras também, passando por novos temas e por novas aprendizagens, ressignificando o conceito de evolução.

Nessa visão, a reencarnação perde aquela concepção estrita de cumprir um roteiro rígido e predeterminado, para ser um caminho de experienciação evolutiva, na qual o aprendizado e a entrega aos que nos cercam tem um grande sentido, e somos convidados a nos superar, fazendo a lógica da prova se sobrepor a das expiações. Então, a vida deixa de ser vista como um sofrimento pesaroso – em que devemos pagar pela nossa desobediência a um poder tirano – para ser uma oportunidade de reinício e de reconstrução, de um pai amoroso que nos oportuniza.

Essa narrativa é bem trabalhada no filme, trazendo uma nova leitura para a pergunta 132, de O Livro dos Espíritos:

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