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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2021

Sobre o autor

Cláudio Sinoti

Cláudio Sinoti

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Há quem diga que está difícil ter esperança neste momento que estamos vivendo, com tantas mortes, doenças, crises e conflitos, os nossos próprios e das pessoas próximas a nós. Certamente não é tarefa fácil e simples encontrar forças dentro de si quando tudo parece ruir ao redor. Mas não será exatamente nos momentos de caos que necessitamos da luz? Não será justamente quando as coisas “vão mal” que precisamos lutar mais intensamente para modificar esse estado?

Inicialmente torna-se necessário questionar: o que é esperança? Como bem ensinou Paulo Freire, há os que entendem esperança como “esperar”, aguardar, no sentido de acreditar de alguma maneira que a situação irá melhorar, mas sem necessariamente se comprometer com a mudança necessária. Mas se esse ato de espera é passivo, se não há energia atuante do indivíduo no sentido de promover uma transformação efetiva, estamos nos referindo mais à ilusão do que propriamente à esperança. Por isso mesmo, o nobre Educador propõe a esperança criando o verbo “esperançar”, que significa “se levantar, ir atrás, construir, não desistir... levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo”.

Assim entendida, a esperança coloca-se como força atuante, que mobiliza energia interna e que muitas vezes impulsiona a nos conectarmos com outras pessoas, para que a transformação seja ainda mais efetiva.

Ponto importante desse processo é entender que todos somos protagonistas das nossas próprias vidas. Certamente que existem muitas forças e ocorrências que estão além do nosso controle, mas sempre temos um ponto de liberdade interna, em maior ou menor grau, que nos permite escolher a forma de responder aos desafios que a vida apresenta. Como ensinava Viktor Frankl, que tendo vivido os horrores do Holocausto conseguiu não somente sobreviver, mas manter firme um propósito e senso de liberdade, “quando não conseguimos mudar uma situação externa, somos obrigados a mudar a nós mesmos”. Ele deu o próprio exemplo, e tendo tido a esposa, o pai, a mãe e o irmão mortos pelos nazistas, conseguiu reconstruir a vida e fundou uma escola de psicologia, a Logoterapia, que visava ensinar as pessoas a buscarem um sentido para a vida. Isso é “esperançar”...

Aqueles que escolhem permanecer na queixa sistemática, lamentando-se das histórias tristes que viveram, do sofrimento que enfrentaram e enfrentam, das condições nas quais se encontram, e que acreditam que nada podem fazer a respeito, estão escolhendo viver o papel de vítimas. É uma triste escolha, porquanto toda vítima sempre escolhe estar ao lado de algozes.

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