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Artigo do Jornal: Jornal Junho 2021
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Luiz Antônio Millecco Filho (1932 — 2005) foi um missionário. Cego de nascença, sentiu pessoalmente todas as dificuldades com que os deficientes visuais são obrigados a conviver, percebidas desde a sua infância no lar pobre que, carinhosamente, o acolheu.

Órfão de pai antes dos três anos de idade teve no amparo da mãe Rosa de Carvalho Milleco que, através de seu trabalho como costureira, doceira e cabeleireira, deu ao filho exemplos de dignidade. Millecco foi, sem dúvida, uma das pessoas mais dinâmicas no movimento espírita, onde iniciou-se aos 16 anos, através de programas de rádio. 

Após a desencarnação de sua mãe começou a ter as primeiras manifestações mediúnicas. Conheceu o General (mais tarde Marechal) Mário Travassos (1891 —  1973), e também Marcus Vinícius Telles (1927 —  2021), nesta época, e no Instituto Benjamin Constant, instituição de ensino para deficientes visuais, a amizade se consolidou vindo, os três, em 30 de junho de 1953 a fundar a Sociedade Pró-Livro Espírita em Braille —  SPLEB (Rua Tomás Coelho, 51, Tijuca, Rio de Janeiro), abrindo novas possibilidades aos deficientes visuais. Mário Travassos foi seu primeiro presidente e Millecco e Marcus Vinícius, vice-presidentes. 

Além da criação da SPLEB, Milleco foi um dos fundadores do Grupo Universalista Os Cirineus, de socorro espiritual e material a famílias carentes; foi também co-fundador do Tele-Cristo, serviço de atendimento fraterno via telefone; e, ainda membro do conselho deliberativo da Fundação Cristã Espírita Cultural Paulo de Tarso, mantenedora da Rádio Rio de Janeiro, da qual era redator e apresentador dos programas Ecos da terra nova, Estudo dinâmico da Doutrina Espírita e A voz da SPLEB.

Milleco atuou de forma igualmente expressiva junto ao Instituto Benjamin Constant, onde iniciou seus estudos em 1946 e, em 2003, presidiu o 1º Congresso Internacional de Cegos Espíritas. Era professor de Ensino Especializado, cargo que ocupou até sua aposentadoria, no Instituto Oscar Clark, onde ingressou, em 1960, na Secretaria Geral de Saúde e Assistência.
Luiz Antônio Milleco publicou treze livros; músico terapeuta pelo Conservatório Brasileiro de Música, no Rio de Janeiro, em 1975, trouxe contribuições também para o campo da músico-terapia. Criou a primeira técnica brasileira de trabalho clínico músico terápico, denominada Músico-verbal. De sua autoria há aproximadamente 200 músicas.
Milleco casou-se duas vezes. A primeira, em março de 1968, com Iza de Oliveira Millecco, também cega, que, além de esposa, transformou-se em grande amiga, dando-lhe pleno incentivo nas lides espiritistas. Com ela, teve dois filhos: Magali de Oliveira Milleco, que desencarnou poucas horas após o nascimento, e Luiz Cláudio Milleco, que herdou do pai não só o gosto pelo Espiritismo como pela música (Millecco desde cedo aprendeu a tocar de ouvido flauta, cavaquinho, gaita, sanfona, entre outros instrumentos). Após a desencarnação de Dona Iza, casou-se com Maria de Fátima Rossi, com quem viveu dias igualmente felizes.
Luiz Antônio Milleco foi hospitalizado no dia 4 de fevereiro de 2005, já bastante debilitado pelo câncer com o qual lutava há algum tempo. Sua desencarnação ocorreu no dia seguinte, sendo seu corpo sepultado no dia 6 de fevereiro, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, onde compareceram mais de 500 pessoas que, à saída do féretro, homenagearam sua memória com uma salva de palmas.

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