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Artigo do Jornal: Jornal Março 2021
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Vivemos uma era galopante, ciclópica, na qual as mudanças de paradigmas, de hábitos, de visões se fazem mais rápido do que o tempo que a moça ajeitava o balaio, quando sentia que o balaio ia escorregar. Um tempo que se faz veloz, mas também interconectado, transparente, no qual o mundo e seus fenômenos cabem no nosso bolso, mas exatamente em um smartphone e lutamos para processar tudo que ocorre na esfera terrestre, oferecido por vários guichês, todos querendo a nossa atenção.

Esse mundo pequeno e próximo desnuda diferenças, opiniões, posicionamentos. Os hábitos, antes aprisionados nas culturas e nas fronteiras, são jogados em uma arena de questionamentos e de contestação, na qual a ampliação do exercício coletivo nos convida à mais tolerância e entendimento do outro. Um convite à empatia, na regra evangélica do fazer ao próximo o que se deseja para nós, como um limite universal. Esse mundo plural e dinâmico nos convida à tolerância, como regra para superar os conflitos e conviver em sociedade, na busca de uma possível harmonia.

Mas a tolerância é uma palavra que indica falta de opção, dever imposto, cabendo a nós avançar em uma outra dimensão desse convívio, permeado de respeito, paciência, perdão. Enfim, a caridade para com o próximo, a despeito de suas características.

Só a caridade no seu sentido sublime dado pelo cap. XV do Evangelho segundo o Espiritismo, tem o potencial de anular o preconceito, a xenofobia, o bullying, os atritos de toda a ordem causados pela diferença agora mais agudamente percebida. Só a caridade tem o condão de despolarizar um mundo aprisionado em extremos, que sufoca o diálogo, e faz de nossos objetivos diários alimentar e assistir a “tretas”, e “lacradas” nas redes sociais, distantes do equilíbrio entre dissensos e consensos necessários para que as coisas sejam construídas no mundo concreto. O ódio nada constrói.

Sair dessa armadilha é imperioso. Esse ambiente dinâmico no qual a realidade global se descortina a cada segundo nos coloca fragilizados, nos invoca o medo, que nos põe na defensiva, e daí atacamos, presos a sentimentos primitivos. O espanto com a realidade gera a banalização da violência, pela reação em palavras, sem gestos, por meio de notas de repúdio ou dos famosos “textões” nas redes socias. Um mundo novo que nos convida a um equilíbrio diferente, que se dará com mais do que tolerar o que não se concorda, mas, sim, pela adoção do amor que integra e que compreende, respeitando cada um como filho de Deus que é, em seu grau de percepção e maturidade, oriundo de sua trajetória como espírito.

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