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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2021
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A infância, em especial da década de 1970/1980, é mitificada, vista como um tempo idílico, nas palavras de um mundo atual, fruto de muitas transformações nas décadas seguintes. Foi muito bom esse tempo de “Sessão da tarde”, mas há coisas de que devemos nos envergonhar, necessitando ajustes, sim. A lei de progresso nos recorda essa necessidade de mudar, em especial sobre algumas coisas que não nos deixam nenhuma saudade.

É fato que o mundo pode não ter evoluído tanto assim nesses quesitos, que serão tratados aqui; mas o repúdio dessas práticas, ainda que no discurso, mostra que já foi dado um primeiro passo de uma longa caminhada. O progresso é uma força inexorável, mas depende de nós como se dá o seu ritmo.

Quando eu era menino, o desrespeito se materializava pelas palavras que ofendiam pessoas pela cor da sua pele ou pela sua orientação sexual, nas piadas ou nos xingamentos. A escola era um lugar de ofensas por características pessoais, fazendo do espaço de aprendizado um local de sofrimento.

Quando eu era menino, prendia-se passarinho em gaiola e matava-o com atiradeira. Maltratavam-se gatos e cães como uma cultura de curiosidade mórbida sobre os animais e as suas reações. Como reis da natureza, sentíamo-nos no direito de destruir as coisas, de sermos causadores de sofrimento coletivo, patrocinando desde balões de festas junina até jogar lixo indiscriminadamente em rios ou no mar.

Quando eu era menino, ter deficiências de aprendizagem era ser tachado de burro. Ter problemas psicológicos era ser chamado de maluquinho. Ser deficiente era ser apelidado de aleijado e outras alcunhas. Sair do normal era ser rotulado, o que fazia muitas dessas pessoas esconderem-se nas suas casas, privando-se do convívio social. Mais sofrimento!

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