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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2019

Sobre o autor

Itair Ferreira

Itair Ferreira

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       Quando alguém é descoberto por falcatruas e preso por corrupção, o que é muito comum nos dias de hoje, surgem logo comentários sobre a necessidade do estudo da Ética.

A palavra ética, do grego ethos, significa, em sua origem, hábito. Aristóteles a emprega como ethiké com o sentido de reflexão sobre as propriedades de caráter.

Um manual de ética, porém, não torna o estudante tão bom em moralidade ao ponto de resistir às tentações da riqueza do poder; e resistir ao atendimento de pedidos incorretos dos seus superiores ou propostas indecorosas nos negócios. Não é só e principalmente nas salas de aula que se pode aprender a distinguir o certo do errado, na formação do caráter.

Michael Levin, professor de Filosofia no City College de New York, afirma: “Os cursos de Ética são de todo inúteis. A Ética fornece, assim, mais uma desculpa para a negligência dos deveres mais elementares do cidadão”.

É necessário cuidarmos da educação intelectual, com uma instrução de qualidade, visto que é graças a ela que se formam bons profissionais em todos os ramos da atividade humana: bons professores, bons médicos, bons engenheiros, bons administradores, bons economistas, bons advogados, bons juízes etc. Como dizia o grande escritor Monteiro Lobato: “Uma nação se faz com homens e livros”.

Há um colapso na Educação em seus dois aspectos: intelectual e moral. O World Economic Forum, em 2018, classificou o Brasil, no ranking de qualidade na Educação, em 119º lugar. Nessa realidade, sentimos o reflexo na saúde, na construção civil, na segurança, na justiça e em todos os demais setores.

       O comportamento moral é produto de formação no lar, não de reflexão. Muitos pais se preocupam com a profissão que os filhos deverão ter, orgulhando-se do título que irão ostentar, por acreditarem que isso será motivo de sucesso e felicidade para eles, muitas vezes sem nem sequer consultá-los, violentando-lhes o direito de escolha. Ignoram, deliberadamente, a questão fundamental da existência, que é consolidar o caráter por meio da educação moral e do exemplo: é a melhor forma de educar mostrar como se faz, fazendo.

O insigne pedagogo Allan Kardec, discípulo direto de Pestalozzi, afirmou: “A educação é o conjunto de hábitos adquiridos”. (1)

       As Entidades Sublimadas responderam ao Kardec, quando ele perguntou: “Que definição se pode dar da moral?”

—"A moral é a regra de bem proceder. Isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.” (2)

A família é a maior instituição que Deus em sua infinita misericórdia nos concedeu para cumprirmos nossa missão principal: evoluir. É pela família e para a família que devemos direcionar nossos esforços no aprimoramento moral.

O que vemos atualmente no Brasil e no mundo, nessa confusão reinante, é a tentativa de banalização da família pela mídia sensacionalista: jornais, revistas, livros, cinema, rádios e televisões que descarregam na sociedade seus podres programas; basta atentar para os novos modelos que as novelas estão incutindo nas relações familiares, como excelentes recursos de destruição da unidade da família e, também, a frivolidade da política, inescrupulosa e corrupta, que se aproveita dessa diretriz para manipular o povo e enriquecer-se cada vez mais.

Os Espíritos Superiores foram enfáticos ao escreverem sobre a mudança que se opera no caráter do indivíduo:

“Não conheceis o que a inocência das crianças oculta. Não sabeis o que elas são, nem o que o foram, nem o que serão.” (3)

Por isso, é importantíssima a missão dos pais, outorgada por Deus. Cabe a eles o acerto das arestas do caráter dos filhos, reprimindo-lhes os maus hábitos à medida que eles se desenvolvem, proporcionando-lhes a oportunidade de progresso.

A missão dos pais é sagrada.

“Deus colocou o filho sob a tutela dos pais a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando à criança uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. Muitos há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho”. (4)

Os pais devem ser agradecidos a Deus pela confiança a eles depositada de cocriar os seres que lhe foram destinados a educar, ensinando-lhes o respeito e o amor a Deus e ao próximo. Dependendo do resultado do cumprimento da sua missão, os pais serão aplaudidos ou cobrados, pelo bem ou pelo mal que lhes proporcionaram. 

Albert Schweitzer, o Profeta das Selvas, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em 1952, com sua filosofia Veneração pela Vida, assim se expressou:

“Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal, seja vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.”

A Educação é uma ferramenta poderosa para vencer os obstáculos da vida.

Muita paz!

 

Dados bibliográficos:

1 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec–Parte 3ª, capítulo III, comentários da q.685 – FEB.

2 – Idem, ibidem, questão 629.

3 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Parte 2ª, capítulo VII, questão 385 – FEB

4 – O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Parte 2ª, capítulo X, questão 582 – FEB

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