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Artigo do Jornal: Jornal Janeiro 2019

Sobre o autor

Fátima Moura

Fátima Moura

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É do querido médium Divaldo Pereira Franco a seguinte frase:

“O mais importante não é a Religião adotada, e sim o comportamento nela assumido”.

 

Situação bem recente, e que teve grande repercussão na mídia, foi um forte escândalo envolvendo um médium famoso, fato que, com certeza, mexeu com muitos de nós, espíritas.

O médium, que, desde 1976, oferecia tratamentos espirituais e mediúnicos na Casa Dom Inácio de Loyola, autodenominada "hospital espiritual", em Abadiânia, Goiás, apesar da formação católica, começou os seus atendimentos durante a adolescência, respondendo a um chamado da espiritualidade.

Segundo o site do médium, depois de peregrinar por vários locais para realizar o exercício de sua mediunidade, ele teria recebido uma mensagem enviada pelo Doutor Bezerra de Menezes, através do médium Chico Xavier, onde era citada a escolha da cidade de Abadiânia para instalar o seu hospital espiritual.

Várias personalidades, como os ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e outros políticos famosos visitaram o médium, como a apresentadora de TV americana Oprah Winfrey, que esteve com ele na casa de Abadiânia, em 2012, para gravar entrevistas e acompanhar ajudas espirituais.

A FEB, casa mater do Espiritismo, e várias outras instituições espíritas manifestaram-se a respeito. Segundo o pronunciamento, suas práticas não estão dentro do verdadeiro Espiritismo, que não adota rituais e não tem como objetivo a cura de corpos físicos, mas, sim, a melhora moral do ser.

Os médiuns espiritas atuam dentro de critérios estabelecidos pelas obras de Allan Kardec e amparados no Evangelho de Jesus.

Para nós, que estudamos a Doutrina, o desconhecimento dessa e de muitas outras verdades gera situações inusitadas. Tratamentos são cobrados, médiuns são endeusados, eliminando das pessoas toda a lucidez que a Doutrina Espírita nos traz à medida que estudada e entendida de forma coerente e ordenada.

Durante esse período, fui convidada para muitas falas sobre o assunto. A plateia estarrecida perguntava: “Como a espiritualidade deixou que tudo isso acontecesse? Dentro da serenidade que a Doutrina codificada por Allan Kardec nos oferece, eu respondia: Creio que deveríamos nos perguntar qual a lição que a Espiritualidade quer nos deixar com esse caso e tantos outros que não tiveram a mesma repercussão?

No capítulo vigésimo de O Livro dos Espíritos, Kardec perguntou aos espíritos: O desenvolvimento da mediunidade se processa na razão do desenvolvimento moral do médium? Ao que, eles responderam: — Não. A faculdade propriamente dita é orgânica, e portanto independente da moral. Mas já não acontece o mesmo com o seu uso, que pode ser bom ou mau, segundo as qualidades do médium, o que nos leva a concluir que religião não define o caráter de ninguém e que nem todo médium é espírita.

Em João, Epístola I, cap. IV: 1, está escrito: “Caríssimos, não acrediteis em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus, porque são muitos os falsos profetas, que se levantaram no mundo”.

A mediunidade exige sérios cuidados. Não estamos falando de religião e sim do cultivo da religiosidade. A religião é o frasco, a religiosidade o perfume.

Lembremos ainda de Kardec: “É necessário que o escândalo venha, porque, estando em expiação na Terra, os homens se punem a si mesmos pelo contato de seus vícios, cujas primeiras vítimas são eles próprios e cujos inconvenientes acabam por compreender. Quando estiverem cansados de sofrer devido ao mal, procurarão remédio no bem. A reação desses vícios serve, pois, ao mesmo tempo, de castigo para uns e de provas para outros. É assim que do mal tira Deus o bem e que os próprios homens utilizam as coisas más ou as escórias”.

Pensemos nisso!

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