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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2016

Sobre o autor

Ângela Delou

Ângela Delou

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           Delphine de Girardin nasceu em Aix-La-Chapelle, em 26 de janeiro de 1804, o mesmo ano de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo. Desencarnou em Paris, no ano de 1855, antes do lançamento de O Livro dos Espíritos.

           Dama da alta sociedade francesa, esposa de Émile de Girardin, jornalista e político, fundador do La Press, primeiro jornal político francês, acessível ao grande público, Madame de Girardin participou dos fenômenos das mesas girantes em Paris; foi espírita e conviveu com o professor Rivail. Tornou-se jornalista e escreveu no La Press, as conhecidas “cartas parisienses”, sob o pseudônimo de Visconde de Launay. Publicou também romances, comédias e tragédias.

           Sua grande contribuição à Doutrina Espírita aconteceu a partir de 1860, como Espírito, enviando mensagens através de diferentes médiuns. Essas mensagens estão na Revista Espírita, em O Livro dos Médiuns e nO Evangelho Segundo o Espiritismo. Portanto, Delphine de Girardin encontra-se entre os Espíritos que assinam as mensagens da Codificação juntamente com Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, Sócrates, Platão, Fénelon e O Espírito de Verdade, entre outros.

         Todas as mensagens contêm ensinamentos preciosos, entretanto a mensagem sob o título A Desgraça Real traz reflexões muito importantes, pois Girardin analisa o que são a ventura e a desgraça real, sob a ótica dos ensinamentos da Doutrina Espírita, sem o véu da ilusão que o mundo materialista transparece. A mensagem abaixo merece ser lida na íntegra, para estudo reflexivo. Consta no capítulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “Bem-aventurados os aflitos”, item 24. 

 

             “Toda a gente fala da desgraça, toda a gente já a sentiu e julga conhecer-lhe o caráter múltiplo. Venho eu dizer-vos que quase toda a gente se engana e que a desgraça real não é, absolutamente, o que os homens, isto é, os desgraçados, o supõem. Eles a vêem na miséria, no fogão sem lume, (...), na angústia da traição, A tudo isso e a muitas coisas mais se dá o nome de desgraça, na linguagem humana. Sim, é desgraça para os que só vêem o presente; a verdadeira desgraça, porém, está nas consequências de um fato, mais do que no próprio fato. Dizei-me que acarreta consequências funestas, não é, realmente, mais desgraçado do que outro que a princípio causa viva contrariedade e acaba produzindo o bem.

                (...) Para julgarmos (...) precisamos ver-lhe as consequências. (...) Ora, tudo o que se chama infelicidade, segundo as acanhadas vistas humanas, cessa com a vida corporal e encontra a sua compensação na vida futura.

               “Vou revelar-vos a infelicidade sob uma nova forma, sob a forma bela e florida que acolheis (...). A infelicidade é a alegria, é o prazer, é o tumulto, é a vã agitação, é a satisfação louca da vaidade, que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem com relação ao seu futuro. A infelicidade é o ópio do esquecimento que ardentemente procurais conseguir. 

               Esperai, vós que chorais! Tremei, vós que rides, pois que o vosso corpo está satisfeito! A Deus não se engana; não se foge ao destino; e as provas, credoras mais impiedosas do que a matilha que a miséria desencadeia, vos espreitam o repouso ilusório para vos imergir de súbito na agonia da verdadeira infelicidade, daquela que surpreende a alma enfraquecida pela indiferença e pelo egoísmo.

               Que o Espiritismo vos esclareça e reponha em sua verdadeira luz a verdade e o erro, tão estranhamente desfigurados pela vossa cegueira. Então, vos comportareis como bravos soldados que, longe de fugirem do perigo, preferem as lutas em combates arriscados, em vez da paz que não pode dar nem glória nem promoções. Que importa ao soldado perder suas armas, seu equipamento e seu uniforme durante a luta, contanto que ele saia vencedor e com glória? Que importa àquele que tem fé no futuro deixar sobre o campo de batalha da vida a sua fortuna e a sua vestimenta de carne, contanto que sua alma entre radiosa no reino celeste?” (Delphine de Girardin, Paris, 1861).  

 

À Luz da Doutrina Espírita:

            Somos espíritos imortais. Entretanto, costumamos analisar os fatos considerando o presente. Para sabermos se uma coisa é boa ou má precisamos pensar mais nas consequências desse fato do que no fato em si.  

            O estudo da Doutrina Espírita abre os nossos olhos para a realidade do espírito imortal e a transitoriedade da vida presente.

             Muita paz!

 

Fontes bibliográficas:

Livros: Espíritos do Senhor, organizado por Barbara Cruz, Elton Rodrigues e Karolina Pereira, CELD.

O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, FEB.

Grande Enciclopédia Ilustrada Larouss e Cultural, vol.11, Círculo do Livro 

Sites: oconsolador.com.br e cebatuira.org.br

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