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Artigo do Jornal: Jornal Julho 2017

Sobre o autor

Leonardo Vizeu

Leonardo Vizeu

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As máximas morais de Deus estão escritas em nossa consciência, conforme nos ensina o Espírito da Verdade na questão 621 d’O Livro dos Espíritos. São leis naturais, imutáveis e perfeitas, sobre as quais os homens não conseguem impor sua vontade. Uma de suas mais expressivas leis é a de justiça, amor e caridade, que se encontra explicada a partir da questão 873 d’O Livro dos Espíritos. Tais preceitos morais se complementam entre si, sendo pressupostos inafastáveis de existência um do outro. Especificamente, sobre o amor, temos os mais variados tratados que procuram explicá-lo.

A filosofia grega concebia o amor por meio de suas expressões. Para tanto, os helenos entendiam que a primeira forma de amor era o Eros, que representa o amor carnal. Tinha como pressuposto a atração física que um ser exercia sobre o outro. Era muito próximo ao Patos, que representava a paixão doentia, na qual se procurava possuir e não compartilhar o objeto de desejo de forma egoística e insana.

Daí a paixão na cultura helênica derivar do radical Patos que significa doença. Insta salientar que Platão apresenta uma visão muito peculiar sobre o Eros. Embora o filósofo entenda que esta expressão de amor seja inicialmente operacionalizada por meio da contemplação da beleza física de outrem, o mesmo afirma que o Eros pode se depurar sendo expressão de admiração da alma e dos valores internos e imanentes do objeto de desejo.

Assim, Platão entende que o amor não é apenas o desejo carnal, mas um sentimento (amor platônico) que se opera no plano metafísico das ideias, podendo, inclusive, estar despido de atração física. Para Platão, o Eros propicia o conhecimento da recordação da beleza da alma e contribui para a compreensão da verdade espiritual. Sublimando o amor carnal, evoluía-se para o Philia, que traduz o amor fraternal, que se sente por amigos e pela família.

Trata-se de um conceito elaborado por Aristóteles, que se baseia em identificação, igualdade e semelhança. É uma forma de amor que traduz as características gregárias do ser humano, permitindo que ele se associe e forme suas comunidades. Para Epicuro, o Philia seria a expressão máxima da paz no meio que se vive, que conduz os seres à felicidade. Evoluindo do amor fraternal, chega-se à Ágape, que é uma expressão de amor universal, que se sente pelo próximo, operacionalizando-se por meio da caridade que se faz de forma solidária e altruísta. É o sentimento que se percebe de forma indistinta, seja por amigos ou, até mesmo, por inimigos. É a forma mais sublime de se proceder e se conduzir no meio em que vivemos. A Ágape é a forma de amor que Jesus nos ensina em sua Boa Nova.

No Evangelho de Mateus, temos a máxima moral e uma de suas mais belas expressões: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. – Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos”. (MATEUS, cap. XXII, vv. 34 a 40)1.

Observe-se que o Cristo não pede nenhum sacrifício a seus seguidores, uma vez que apenas pede que estes tratem seus semelhantes como gostariam de ser tratados. Assim, o limite do amor ao próximo (Ágape) e o amor próprio (autoestima), nada além disso. No mundo do direito, a Ágape faz-se presente nos direitos sociais, estando presente em nossa seguridade social, constitucionalmente assegurada.

Os direitos sociais foram concebidos como um conjunto normativo referente às prestações que assegurem as condições materiais inerentes a garantia de existência digna do ser humano. São os direitos fundamentais de 2ª dimensão, que se pautam no princípio jurídico da solidariedade.

Assim, a seguridade social baseia-se em uma máxima moral cristã e canônica que é o amor ao próximo, a Ágape, de caráter caritativo e solidário. Conforme lição d’O Evangelho Segundo o Espiritismo: 4. "Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós", é a expressão mais completa da caridade, porque resume todos os deveres do homem para com o próximo. (...) A prática dessas máximas tende à destruição do egoísmo.

Quando as adotarem para regra de conduta e para base de suas instituições, os homens compreenderão a verdadeira fraternidade e farão que entre eles reinem a paz e a justiça. Não mais haverá ódios nem dissensões, mas, tão somente, união, concórdia e benevolência mútua”2.


1 https://www.bibliaonline.com.br/acf/mt/22, consulta realizadas dia 04/06/2017, às 20:30.

2 O Evangelho Segundo o Espiritismo. Federação Espírita Brasileira. 112ª edição. p. 185.

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