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Fabiano Henrique

Fabiano Henrique

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"No ar, mais um campeão de audiência!"

Talvez por ser um dos mais ágeis e diretos meios de comunicação, o rádio vem ocupando, ao longo dos anos, local de destaque na difusão do esperanto. No Brasil, em particular, a radiofonia tem sido uma das mais importantes tribunas para a defesa e o ensino da língua. Inúmeros têm sido os divulgadores que desfraldaram a bandeira verde em nosso país. Está no ar um esboço da trajetória do esperanto no rádio! 

 

Oficialmente, o rádio brasileiro nasceu no dia 7 de setembro de 1922. A primeira emissora regular, porém, somente veio a ser implantada no ano seguinte por Edgard Roquette Pinto, com o apoio da Academia Brasileira de Ciências. Embora pouco se fale, há registros de que em 1919 entrara em operação a Rádio Clube de Pernambuco.

A programação radiofônica, em seus primeiros anos, era voltada para a educação e a cultura. Sob tal inspiração, Roquette Pinto convidou, em 1924, o professor Couto Fernandes a iniciar um curso de esperanto pela Rádio Sociedade. A documentação que resistiu ao tempo, entretanto, não fornece dados precisos acerca de datas e de duração das aulas. Ambos, contudo, entrariam para a história como pioneiros: Couto Fernandes por ser o primeiro a falar de esperanto no ar e Roquette por abrir espaço para o idioma a mídia.

Em fins da década de 30 e início da de 40, Ismael Gomes Braga assumiria o posto de divulgador do esperanto pelas ondas hertzianas. João Pinto de Souza lhe abriria espaço na Hora Espiritualista, irradiada pela Rádio Transmissora do Rio de Janeiro - atual Rádio Globo. Cedo, Gomes Braga percebeu o potencial do novo meio de comunicação e os benefícios que este traria ao movimento esperantista. Nascia assim o tríplice ideal Evangelho - Espiritismo - Esperanto. Sob essa divisa, ele escreveu artigos para as revistas como Brazila Esperantisto e Reformador, alguns dos quais enfeixados no livro Veterano.

A chamada era de ouro do rádio não poderia passar em branco para o movimento esperantista. Os anos 50 foram possivelmente os mais fecundos para o esperanto. Em Belo Horizonte, a Rádio Inconfidência transmitia em ondas curtas o programa Brazila Kroniko, para cuja redação chegavam correspondências de várias partes do Brasil e do mundo. Por volta de 1955, a pioneira Rádio MEC - então Rádio Ministério da Educação e Saúde - voltou a tratar de esperanto. Transmitiam-se aulas semanais, com músicas e rádio-teatro. Nesse período surgiu Joel Manso, um dos maiores ícones do rádio esperantista brasileiro. Ainda nessa época, Jorge das Neves e Carlos Torres Pastorino eram convidados por Alziro Zarur a iniciar, pela Rádio Mundial, um dos mais famosos cursos do idioma, o qual inclusive foi tema de crônica na grande imprensa.

O panorama do rádio esperantista não mudaria muito na década de 60. Joel Manso comandava Música e Notícias, pela Rádio MEC, e Jorge das Neves continuava seu curso, pela Mundial. Em fins de 1964, porém, a cidade sorriso entraria em cena. A direção da Rádio Difusora Fluminense cedeu ao Niterói Esperanto-Klubo meia hora, aos sábados pela manhã. Sob a coordenação de Joaquim do Couto, Carlos Torres Pastorino ministrou a aula inaugural. Por sua vez, pela Rádio Jornal do Brasil, a Cooperativa Cultural dos Esperantistas divulgaria músicas ao longo da programação, colaboraria com respostas no programa Pergunte ao João. Por fim, no interior de São Paulo, Manoel Blaz iniciaria seu Clube de Esperanto, pela Rádio Clude de Sorocaba, atual Rádio Boa Nova.

Uma das mais belas páginas da história da radiodifusão esperantista seria escrita a partir dos anos 70. Precisamente no ano de 1977, entendimentos entre Geraldo de Aquino e Francisco Thiesen, então presidente da FEB, possibilitaram o início do programa Evangelho - Espritismo - Esperanto, na Rádio Rio de Janeiro. Coube a Affonso Soares a tarefa de produzir e apresentar a atração semanal. A partir de então, a Rádio Rio de Janeiro seria a emissora brasileira a dar mais espaço ao esperanto.

Entre 1982 e 1984, a Liga Brasileira de Esperanto patrocinou o programa Uma Ponte sobre o Mundo. As notícias da semana esperantista eram apresentadas por Joel Manso e Dagmar Brasílio. A atração era veiculada pela Rádio Copacabana. Anos depois, Edgard Machado e Celso Pinheiro comandariam, na Rádio Guanabara/Bandeirantes, Esperanto, Língua Internacional

Para a emissora da fraternidade, Gilka Fernandes convidou Givanildo Ramos Costa no final de 1986. Nascia então a série Esperanto, 100 anos de Amor, nome alterado em 1999 para Esperanto, a Língua da Fraternidade. Fundava-se, como conseqüência, o Departamento de Esperanto da Rádio Rio de Janeiro.

Como aliar a difusão do esperanto às novas técnicas de apresentação no rádio? Após alguns anos, Givanildo encontraria a reposta. Aos poucos ele formou uma equipe de locutores e redatores que iniciou uma nova era na radiodifusão esperantista.  Foram somados os talentos do tarimbado Joel Manso e o de Renaud Hetmanek; abriu-se espaço para novatos como Julieta Rocha, além de arregimentar para o programa o elenco de comunicadores da Rádio Rio de Janeiro. Ao criar, em 2001, a homepage Central de Notícias Esperantistas, a equipe de Givanildo Costa simultaneamente estabeleceu o primeiro serviço noticioso do esperanto em português, além ter sido o primeiro programa da emissora da fraternidade a ser veiculado na Internet. Como resultado, Esperanto, a Língua da Fraternidade alcançou e manteve a histórica marca de quarto lugar no IBOPE, fato noticiado em todo o mundo.

O século XXI chegou e, com ele, chegou ao grande público uma série de novas tecnologias e mídias. Surgiram os fenômenos da Internet, das novas técnicas de gravação e reprodução de som e imagem. Tudo isso, porém, é uma nova história que está por ser escrita. Dos velhos tempos permanece o entusiasmo dos locutores e apresentadores esperantistas. A luta, o suor, as dificuldades e a força de vontade são as mesmas desde Couto Fernandes - o amigo ouvinte sabia?

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