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Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Há pessoas que nascem em famílias que professam uma determinada religião e a abraçam por toda a vida, sem jamais questioná-la. Outras há que, ao chegarem à adolescência ou à idade adulta, decidem seguir um caminho diferente ou, simplesmente, abandonam a fé religiosa de seus pais e seguem pela vida sem religião alguma.

Muito raramente vemos crianças decidindo sobre esse assunto. Por isso chamou-nos a atenção o caso de Luana, menina de nove anos, que vive com a mãe e um casal de irmãos, cuja história nos chegou através de uma amiga.

Por ser espírita, a mãe fez questão de encaminhar desde cedo os três filhos – ela é a mais velha – para os encontros da evangelização na instituição mais próxima à sua residência. E desses momentos eles participavam com visível alegria.

Menina calma e observadora, Luana se destacava das demais crianças da sua turma por sua postura interessada e questionadora, querendo saber o porquê de tudo. Como o espiritismo apresenta respostas plausíveis, capazes de serem compreendidas até mesmo por uma criança, suas perguntas nunca ficavam sem respostas. E assim, ela ia consolidando o seu processo de aprendizagem acerca dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita. Além disso, não perdia a oportunidade de passar na biblioteca infantil e fazer empréstimos de livros que eram lidos durante a semana.

Com seu jeito meigo e carinhoso, tornou-se muita amada por todos.

Sua educação formal era feita em um colégio católico. Nos anos iniciais, esse fato não lhe ocasionou nenhuma alteração. Mas, ao chegar ao quarto ano, sua turma começou a ser preparada para fazer a primeira eucaristia. Suas colegas, entusiasmadas com a novidade, passaram a persuadi-la a tomar parte no evento.  A princípio, Luana mostrou-se reticente. As aulas de catecismo eram dadas no mesmo horário da evangelização espírita e não lhe agradava a ideia de abandoná-la.  Mas a força da argumentação das colegas falou mais alto. Decidiu. Iria deixar o grupo espírita e aderir ao chamado das companheiras.

Feita a escolha, era hora de contar para a mãe que recebeu a notícia com natural desapontamento. Sua reação, no entanto, não a impediu de acatar a opção da filha. Embora um tanto triste, respeitou o seu livre-arbítrio e consentiu na mudança.

E assim foi. Todos os sábados a menina ia para aquelas aulas, acompanhada da melhor amiga.

A princípio mostrou-se bastante satisfeita. O grupo de colegas a apoiava  e ela se sentia, mais do que nunca, integrada.

Mas aquilo que parecia ser um sonho cor de rosa, de repente começou a ganhar nuances cinzentas.  Havia muita pergunta sem resposta e muita resposta que, a seu ver, não atendia às exigências da razão. O encanto foi desaparecendo  e, três meses depois, Luana, um tanto sem graça, procura a mãe para anunciar a sua decisão de voltar à evangelização espírita. . “Eu não quero ir mais ao catecismo. É tudo muito diferente do que eu já havia aprendido.”

Calmamente, e sem externar nenhuma crítica, a mãe acatou os argumentos da menina e a fez ver que estava tudo certo. No fundo, nunca tinha perdido a esperança de vê-la retroceder, passado o entusiasmo inicial.

Foi, portanto, sem surpresa que ouviu a filha dizer, aliviada: “Sabe, mãe, meu coração está lá, na evangelização.”

Seu retorno, marcado pelo calor do afeto e sorrisos de alegria dos seus pares, bateu fundo no coração dos evangelizadores. A tristeza de tê-la perdido era agora recompensada com a satisfação do reencontro.

Interessante em tudo isso foi a forma equilibrada com que a mãe lidou com a questão. Talvez se tivesse proibido a filha de conhecer outra visão religiosa o resultado tivesse sido bastante diferente. É provável que o que fora negado se transformasse em algo extremamente valorizado.

Desse episódio ressalta, também, a força da fé raciocinada que se faz notar até mesmo sobre as mentes infantis. Aprendemos com ele que devemos começar a lançar as sementes do espiritismo no coração das nossas crianças desde muito cedo. Aos oito anos a menina foi capaz de cotejar, de forma racional, os ensinamentos doutrinários espíritas com os de outra orientação religiosa e concluir que esses não passavam pelo crivo da sua razão, não lhe satisfazendo o entendimento.

A criança que participa do culto do Evangelho do Lar (naturalmente adaptado para o seu nível de interesse e capacidade de compreensão), que recebe educação espírita nos encontros da evangelização, e é esclarecida, de forma simples e objetiva,  a respeito das questões básicas da existência, vai para a vida mais preparada e terá, certamente, uma postura mais firme ao se posicionar sobre sua orientação religiosa.

 

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