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Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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image item final 52Na tarefa de educar há que se ter visão de futuro. As consequências do ato de hoje só se farão sentir no amanhã. Emmanuel, no livro Fonte Viva, psicografado por Francisco Cândido Xavier, oferece, a este respeito, um conselho que merece ser refletido por pais e educadores: “Lembremo-nos da nutrição espiritual dos meninos, através de nossas atitudes e exemplos, avisos e correções, em tempo oportuno, de vez que desamparar moralmente a criança, nas tarefas de hoje, será condená-la ao menosprezo de si mesma, nos serviços de que se responsabilizará amanhã.”

Com essas palavras, ele nos incita a nutrir espiritualmente as crianças a fim de formar adultos que se percebam como pessoas dignas de valor, oferecendo-lhes exemplos e atitudes corretos, dando-lhes conselhos e fazendo correções.

Por insegurança, crianças assumem comportamentos equivocados, temendo as consequências. Por vezes, falseiam a verdade ou se omitem em situações que poderiam perfeitamente ser enfrentadas de forma clara e objetiva. Não tendo, ainda, condições cognitivas capazes de lhes permitir uma avaliação correta entre causas e efeitos, acabam usando de tais artifícios. É perfeitamente compreensível que assim seja. No entanto, aquele que educa deveria estar mais atento às consequências futuras de sua atuação em episódios dessa natureza, uma vez que o que está em jogo é a formação do caráter da criança.

Ao longo da vida é comum nos defrontarmos com problemas vividos por pessoas adultas que nos levam a pensar que alguma coisa falhou na forma como foi educada, na infância. Um exemplo típico é o daquelas que demonstram total falta de comprometimento com a palavra dada. Quantos de nós já não vivenciou uma situação desagradável criada por alguém que nos disse um “sim” quando, na verdade, desejava dizer exatamente o contrário?  Alguém que nos empenhou a sua palavra sem o menor desejo de cumpri-la?

Dar uma resposta afirmativa gera no outro uma expectativa de que a palavra empenhada será cumprida. Quando se trata, por exemplo, de um compromisso, o descumprimento do trato pode criar problemas inesperados.

Esse é, sem dúvida, um comportamento típico de quem se sente inseguro e ocorre, com frequência, entre crianças e adolescentes.

Tenho na memória um caso ocorrido no meu tempo de professora de pré-adolescentes. A mãe trabalhava fora e tinha agendado um compromisso exatamente na hora em que a escola marcara uma reunião com os pais para tratar da Festa do Livro da turma na qual estudava a caçula da família. Sabendo que não poderia comparecer e entendendo a importância da reunião, a mãe solicitou ajuda da filha mais velha, jovenzinha de 13 anos. No fundo, por timidez, ela não deseja participar da reunião Pensava que ainda não estava em condições de representar a mãe diante do grupo de educadores. Seu coração pedia um “não”, mas, o desejo de agradar a levou dizer “sim”. Chegado o dia da reunião, e sem saber como lidar com as emoções, a filha não foi, nem avisou à mãe.  Essa, ao chegar à casa e perguntar sobre as decisões da reunião, ouviu da filha uma mentira: “Este ano não vai haver a Festa do Livro.” Essa atitude impensada teve uma consequência desastrosa: a irmãzinha ficou privada de participar da solenidade que marcava o ponto máximo da sua conquista naquele ano escolar.

Depois de alguns dias, ao saber da verdade, a mãe, bastante contrariada, cobrou da filha uma explicação. Indefesa e sem argumentos, ela reagiu chorando.

Do ponto de visto psicológico, é fácil perceber a insegurança emocional da menina. O seu choro nada mais era do que uma fuga ao enfrentamento.

Analisando o caso, podemos entender que o comportamento adotado parece seguir um padrão previamente aprendido. É possível que diante de situações semelhantes a jovenzinha utilizasse esse tipo de resposta. Nós a perdemos de vista, mas podemos imaginar que se não foi corrigida a tempo, provavelmente essa aprendizagem se generalizou como forma peculiar de responder a demandas desse tipo.

Olhando a questão sob o ponto de vista biológico, sabemos que a área do cérebro que responde pela aquisição de responsabilidade pelos próprios atos é uma das últimas a serem amadurecidas. Por este motivo, mais do que nunca, compete aos pais a tarefa de monitorar os passos dos filhos, fazendo-os perceber, com clareza o que se espera deles em termos de responsabilidade, cobrando atitudes, corrigindo falhas assim que apareçam e igualmente distribuindo elogios e os aplaudindo quando evidenciam acertos.  A aprendizagem, então, se fará naturalmente, plasmando o caráter na direção do cumprimento do dever, transformando a criança em um homem de palavra.  Ao ampará-la moralmente, ensinando-lhe, como afirmou Jesus, a dizer sim, sim; não, não, estaremos colaborando para o seu aperfeiçoamento espiritual.

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