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Artigo do Jornal: Jornal Maio 2018

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Em viagem recente à França, ouvi uma mãe brasileira, espírita, que lá reside, afirmar que é fato corrente, na cultura daquele país, um crescente ceticismo religioso entre os jovens e que, de uma certa forma, vem minando as crenças do seu filho de 14 anos, educado sob as luzes do Espiritismo.

Sem se dar por vencida, não tem medido esforços para manter vivos os valores religiosos que pareciam estar sendo incorporados pelo jovem no decorrer dos anos infantis. Para tanto, o Evangelho de Jesus e as epístolas de Paulo a Timóteo têm-lhe sido fontes de inspiração.

Durante parte das suas viagens, Paulo de Tarso contou com a colaboração amiga do jovem Timóteo, em quem depositava profunda confiança. Considerado como seu filho pela fé, manteve-o sob sua proteção mesmo depois que se afastaram, após muitos anos de convívio, conforme sabemos através das suas missivas a ele endereçadas. É da segunda epístola (1:6) o seguinte conselho: “por isso te lembro, despertes o dom de Deus que existe em ti”.

Analisando os dias que passam, percebemos o quanto é atual e necessária essa recomendação. Os apelos da vida material, intensos e contínuos, parecem estar dificultando, cada vez mais, esse encontro com a Divindade. Aquele sentimento profundo, de entrega e confiança para ser despertado, como aconselha Paulo, requer esforço e vontade. Cuidar da autoiluminação e manter-se nela é, sem dúvida, grande desafio no mundo em que vivemos. Tantos são os desvios que se abrem à nossa frente, tão intensos os apelos para que nos mantenhamos alienados dos valores eternos, que acabamos enovelados na própria sombra, esquecidos que nascemos para a luz. 

Quando ouvimos depoimentos como o daquela mãe, segundo o qual seu filho costumava frequentar os encontros de evangelização e participava do Culto do Evangelho no Lar e hoje parecem rechaçar tudo o que foi ensinado, ficamos meditando acerca dos motivos que o levou a isso. É possível que, a despeito do esforço materno, as sementes talvez não tenham sido bem plantadas ou caídas em solo fértil. Ou, talvez, o sentimento de ligação com o Pai não tenha sido suficientemente cultivado anteriormente. Ou, ainda, que não tenha sido dado à criança o ensejo de vivenciar situações que lhe permitissem “despertar o dom de Deus” que nela existia.

Sentimentos como a solidariedade, a compaixão, a empatia, a boa vontade, a disposição para ajudar são aprendidos na infância. Provavelmente, ainda arrastamos conosco pesadas cargas instintivas, fruto de nosso passado de equívocos e descaminhos, razão pela qual nos é tão difícil abandonar certas atitudes e hábitos que nos fazem paralisar em patamares muito baixos, em detrimento de outros que nos elevariam.

Mas se nascemos para progredir e nos aprimorarmos espiritualmente, manter tais padrões comportamentais significa estacionar. Muitas vezes, mentores abnegados, em comum acordo com o espírito que se candidata a retornar à Terra, colaboram no estabelecimento de metas, projetos, planos reencarnatórios, que por conta do livre-arbítrio que todos temos, acabam não sendo cumpridos.

Considerando dois fatores importantes, o esquecimento que se manifesta no espírito depois que aqui renasce e toda a gama de estímulos materiais que o atrai para o hedonismo, a satisfação dos seus desejos, e a busca por facilidades, deixando-se levar pelas más tendências que ainda possui, não é difícil se acercar dos motivos que o levam ao não cumprimento dos seus programas reencarnatórios.

Não foi, pois, sem razão, que os Espíritos Benfeitores que orientaram Allan Kardec recomendaram a necessidade de educar a criança desde a mais tenra infância, moldando-lhe o caráter, fortalecendo seus bons sentimentos. (O Livro dos Espíritos, questão 872).

“Cabe à educação combater essas más tendências; ela o fará utilmente quando estiver baseada no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral será possível modificá-la, como se modifica a inteligência pela instrução, e como a higiene, que preserva a saúde e previne as doenças, modifica o temperamento”. 

A ciência comprova que o amadurecimento emocional do ser humano demanda tempo. E é por isso que deveríamos prestar apoio aos jovens que carecem de resistências morais, auxiliando-os a encontrar Deus na figura do próximo. Como afirma Joanna de Ângelis, “trabalhar pela preservação da paz, do apoio aos fracos e oprimidos, aos esfaimados e enfermos, às crianças e às mulheres, aos idosos e aos párias e excluídos dos círculos da hipocrisia, é um programa desafiador que aguarda a ação vigorosa”, o que ajudaria o jovem encontrar o sentido da vida e a manter o dom divino que habita no seu próprio interior” (http://www.mansaodocaminho.com.br/mensagem-aos-jovens-joana-de-angelis-divaldo-franco/).

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