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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2017

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Os dias que passam trazem a marca da globalização. Vivemos em rede e, por vezes, um momento captado por uma câmera e que, no passado não muito distante, seria visto somente pelos membros da família e amigos, ultrapassa fronteiras e chega aos quatro cantos do mundo. Tal é o caso de um vídeo em que um pai leva o filhinho de dois anos para assistir a um recital. Ao piano, sua irmã toca Sonata ao Luar, de Beethoven. É, ao que parece, uma apresentação intimista, numa pequena sala. Tyler, o menininho, está sentado no colo do seu pai e ouve atento a doce melodia. E, à medida que os acordes se sucedem, deixando no ar o som daquela música tão tocante, ele vai se emocionando até não conseguir mais conter o choro. Lágrimas sentidas escorrem pela sua face rosada. O peito segue ofegante. O pai, dando conta da sua reação, enxuga-lhe suavemente os olhos. A música continua e, até o seu final, a criança, enternecida, a acompanha externando profunda emoção, tentando segurar as lágrimas.

O que se passou no interior daquela alma não sabemos. Fica patente, porém, tratar-se de alguém muito sensível que se deixa contagiar pela emoção despertada pela música.

Sabemos que nas esferas mais elevadas do mundo espiritual a música transcende a tudo o que conhecemos. Há relatos de cores que se transformam em sons e que, ao se juntarem com fluidos, pensamentos e sentimentos, como afirma, por exemplo, Léon Denis em O Espiritismo na Arte, formam “uma sinfonia sublime, à qual respondem os longínquos acordes vindos das esferas, dos inúmeros astros que povoam a imensidão. Então, do alto descem outros acordes, ainda mais possantes, e um hino universal faz estremecerem céus e terras. À percepção desses acordes o espírito se dilata e se regozija”.

O que mais chama a nossa atenção no registro de Léon Denis é o que ele afirma ao completar seu pensamento “o espírito se sente viver na comunhão divina e entra num encantamento que chega ao êxtase”.

Vendo o estado emotivo daquele pequeno ser há tão pouco tempo reencarnado, ocorre-nos pensar que talvez já tenha experienciado algo semelhante no Mundo Maior. Seriam reminiscências a fazer vibrar as fibras do seu espírito eterno? Estaria aquela música, especificamente, trazendo de volta ao seu coração recordações preciosas? Difícil saber. Allan Kardec, no livro A Gênese, fala-nos dos espíritos que, ao reencarnar, estariam aptos, por sua elevação moral, a ajudar nosso planeta a progredir. A geração nova “não se comporá exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração” (Cap. XVIII).

Temos muito cuidado em afirmar que essa ou aquela criança faz parte da nova geração. Tyler, ao que parece, se enquadra nesse caso, pois dificilmente um espírito manifestaria emoções tão delicadas sem ter percorrido muitos degraus na escala evolutiva.

Hoje, ele é uma criança dando seus primeiros passos na nova caminhada. Veio em uma hora de grande transformação social, momento de grandes desafios para todos, em especial para a família.

Daqui a pouco é Natal. Adultos preocupados em presentear suas crianças com muitos brinquedos talvez nem suspeitem que para alguns espíritos, isso não seja o essencial. Almas sensíveis e mais evoluídas provavelmente se sentiriam mais felizes se tivessem suas necessidades espirituais atendidas. Desfrutar de passeios junto à natureza, participar, com a família, da arrumação de um presépio, assistir a uma apresentação de músicas natalinas, passar umas horas sossegadas, ouvindo a mãe ou o pai contar-lhes histórias, ou algo assim.

Nós, a população adulta da sociedade atual, deveríamos estar mais atentos a esses companheiros que agora renascem, imaginando que entre eles podem estar alguns que trazem tarefas nobres, ligadas ao progresso planetário. Nosso compromisso é ajudá-los a cumprir aquilo a que se propuseram na presente encarnação. Confiando em Deus e certos de que Ele confia em nós, façamos, como pais, a nossa parte, alimentando a alma da nossa criança.


Nota: o vídeo a que nos referimos encontra-se em: https://youtu.be/yB4x5SwRLJ4

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