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Artigo do Jornal: Jornal Fevereiro 2017

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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O Evangelho do Mestre Jesus é um manancial infindável de reflexões para aquele que deseja seguir seus preceitos. Dentre as lições ali apresentadas, quero destacar uma que, em mim, provoca certa angústia. É a do jovem que busca o Divino Amigo ansiando esclarecimento sobre o que precisava fazer para conseguir a vida eterna, que se encontra registrada em Mateus 19:16-22. No diálogo que se segue, ele ouve, inicialmente, como resposta, que deveria guardar os mandamentos. Em dúvida, pergunta: “Quais?”. A resposta foi bem clara: “ Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; h onra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Mas a dúvida do jovem persiste, pois que ele já vinha guardando tais recomendações desde a mocidade. Então, questiona, novamente: “Que me falta, ainda?”. Jesus, porque percebera o desejo sincero do rapaz, lhe indica o caminho para o tão anelado desejo: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus; vem, e segue-me”. E o evangelista assinala que o jovem se retirou entristecido ao ouvir essas palavras porque tinha muitas propriedades.

A partir desse ponto, o Mestre comenta com os que estavam ao seu redor o quão difícil é para aquele que confia nas suas riquezas, entrar no Reino de Deus.

Vivemos hoje na era do acúmulo de bens materiais e do desperdício. Somos diariamente massacrados por apelos que nos incitam a comprar e a consumir, sem que haja, de fato, uma necessidade real. Adultos que consomem acriticamente, sem pensar na exploração desordenada, para não dizer absurda, dos recursos naturais do planeta, não satisfeitos em adotar padrões consumistas para si, também os replicam em relação aos filhos. Todas essas coisas e bens que ajuntamos, acreditamos que sejam nossas riquezas. Entretanto, aprendemos que dificilmente elas nos levarão ao Reino de Deus.

Somos cristãos. Desejamos, assim como o jovem da narrativa, merecer esse reino, mas estamos tendo dificuldades em abrir mão dos nossos bens para substituí-los por uma vida pautada na simplicidade.

Pensando nesse dilema e numa tentativa de ajudar, sempre que surge uma oportunidade faço ver às crianças e aos jovens com os quais convivo, que necessitamos ter um comportamento mais consciente em relação ao consumismo. Aproveito o ensejo do Natal e dos aniversários para conversar a respeito.  Recentemente, vivi uma experiência compensadora ao tratar desse assunto com uma menina da família – Alice – que na ocasião completava nove anos.

Estávamos de férias, na praia, e se aproximava o dia do seu aniversário. Para introduzi-la no tema que queria tratar, comecei indagando se ela se possuía mais coisas do que realmente necessitava. Imediatamente aditou: vestidos. Pensou um pouco mais e acrescentou: arquinhos para cabelos, enfeitados. Afirmou que tinha três caixas. A meu ver, era muito. Prossegui explicando-lhe, de forma simples e direta, que o meu presente de aniversário seria um pouco diferente: nós iríamos fazer alguma coisa juntas. Sugeri um artesanato e ela ficou animada.

Saímos para comprar o material. Mostrei-lhe caixinhas de madeira para serem pintadas e decoradas. Para minha surpresa, optou por algo que eu não esperava: uma casinha de passarinho, tendo o cuidado de me dizer: “Se não for muito caro”. Aquilo me encantou. Não quis nada para si. Em troca, pensou em oferecer um ninho para as avezinhas.

Passamos a tarde em torno de uma mesa, com a menina pintando sob a minha supervisão e, posteriormente, com a ajuda do pai que se juntou a nós. Logo depois, ela mesma se lembrou de que tinha ganho material para fazer bijuteria, mas não sabia como utilizá-lo. Ofereci-me para ensinar-lhe. A tarde já se despedia e nós continuávamos ali: eu, muito alegre com o trabalho e ela, concentrada, confeccionando pulseirinhas.

Aquele foi, sem dúvida, um momento mágico que, creio, deverá ficar marcado na sua memória para sempre. E, em mim, ficou a certeza de haver despertado na pequena Alice um novo olhar sobre a possibilidade de ser feliz sem grandes gastos materiais.

Seria bom se no seu entorno, aqueles com os quais convive e que se consideram cristãos  estivessem dispostos a entender o significado das palavras do Mestre Nazareno quando nos aconselha  a não acumular tesouros na terra “ onde a traça e a ferrugem destroem, e onde ladrões arrombam para roubar”, mas sim no céu, “onde a traça nem a ferrugem podem destruir, e onde os ladrões não arrombam e roubam” ( Mateus: 6 -19).

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