pteneofrdeites
Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2016

Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
Compartilhar -

As redes sociais vieram mudar nossas vidas e estão sendo usadas como um poderoso meio de facilitar o relacionamento interpessoal. Isto é inquestionável.

       Estudos revelam que há um aumento na sensação de bem-estar psicológico entre as pessoas que utilizam frequentemente redes como o Facebook e o WhatsApp, com o objetivo de manter contato com amigos já existentes. Colegas, amigos e familiares, antes afastados, passaram a estreitar laços; pais cujos filhos saíram de casa para cursar universidade não sentem o peso da separação e conseguem acompanhar o seu dia a dia. Permitir comunicação instantânea e encurtar distância é apontado como sendo as maiores vantagens das redes sociais. Mas não é somente isso. Jovens e adultos sentem aumentar o sentimento de pertencimento ao aderirem a grupos com os quais se sentem afinados; iniciativas de cunho social, carinhosamente chamadas de “redes do bem” conseguem, em pouco tempo, atingir seus objetivos de ajuda solidária; registros em fotos e vídeos de eventos ou exposições que despertam interesse por determinado campo do conhecimento são, também, outras possibilidades de bom aproveitamento das redes sociais.

       Uma breve análise permite constatar que delas participam espíritas de todas as idades. Além das fotos, vídeos e comentários sobre assuntos ligados a familiares e amigos, ou de cunho edificante, o que se nota é a utilização de tais mídias para a divulgação de eventos espíritas, bem como de mensagens, músicas e vídeos de caráter doutrinário. Ao lado dos usuários individuais, encontramos, também, um grande número de instituições, comunidades e agremiações espíritas que mantém sites, contas ou portais que tornam vivas e atualizadas as informações veiculadas.

       No dizer de Allan Kardec, a maior caridade que se pode fazer pela Doutrina Espírita é a sua própria divulgação, e as redes sociais estão quem diria? concorrendo para a propagação em larga escala dos conhecimentos espíritas de uma maneira que ele sequer imaginou.

No entanto, engana-se quem supõe serem as mídias sociais um lugar utilizado somente para trocas afetivas e simpáticas entre pessoas. No seu âmbito também cabem insultos, grosserias, trocas de acusações, incentivo a comportamentos antissociais, bullying, e muitos outros aspectos negativos. Há pessoas que se comprazem em compartilhar ocorrências marcadas por sofrimento, cenas chocantes ou inconvenientes, da mesma forma que existem aquelas que só desejam espalhar a discórdia e incentivar a violência.

       Como tudo isso é muito novo, é natural que haja, mesmo entre os espíritas, os que ainda não se aperceberam da responsabilidade de quem acessa as redes sociais, deixando-se levar por sentimentos menos nobres ou contribuindo para tornar mais pesada a psicosfera planetária.

       Por isso, entendemos que há urgência em nos educarmos a fim de que a nossa participação no universo virtual seja sempre voltada para o bem e para a construção de um mundo melhor.

       Os preceitos evangélicos de fazer aos outros somente aquilo que gostaríamos que nos fosse feito e de amar ao próximo como a si mesmo deveriam orientar nossas ações no campo das relações virtuais. Precisamos estar conscientes de que somos seres em busca da nossa melhoria espiritual. Isso vale tanto para o mundo real quanto o virtual. Dessa forma, deveríamos agir sempre como se estivéssemos em presença daquele com quem nos relacionamos virtualmente.

       Quantas relações de amizade têm sido estremecidas em função de postagem e comentários inoportunos ou depreciativos; quanta frustração e raiva transbordam de palavras que poderiam ser omitidas se quem as pronunciou pensasse um pouco mais no dever de caridade que deve presidir as nossas atitudes de uns para com os outros...

       Há ainda outra faceta nas redes sociais que merece ser lembrada: o excesso de exposição, que muitas vezes esconde um desejo exagerado de se exibir, de se vangloriar de seus dotes, seus feitos ou, até mesmo, de transparecer um estilo de vida que não confere com a realidade. Como espíritas, seria desejável que ponderássemos sempre no valor da verdade e nos perigos da vaidade ao fazermos uso dessas mídias. Considerando o número de horas que são desperdiçadas diante das telas dos aparelhos digitais, são oportunas essas palavras registradas por Kardec em O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Dir-se-ia, diante da atividade que desenvolveis, tratar-se de uma questão do mais alto interesse para a Humanidade, quando não se trata, na maioria dos casos, senão de vos pordes em condições de satisfazer a necessidades exageradas, à vaidade, ou de vos entregardes a excessos”.

       Se Deus permitiu que os avanços tecnológicos aí incluídos a internet e as redes chegassem até nós, é certamente para o nosso bem. Façamos, pois, bom uso delas.

Compartilhar
Topo Cron Job Iniciado