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Sobre o autor

Lúcia Moysés

Lúcia Moysés


"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte." Emmanuel
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Tx 57 Inveja IIILucas tem cinco anos. No último Natal, pela primeira vez, conseguiu se desfazer de um brinquedo para doar a uma criança necessitada, depois de muita negociação com sua mãe. Seu irmão mais velho, Pedro, de sete anos, é mais desapegado. Sempre separou, espontaneamente, roupas e brinquedos para encaminhá-los a outras crianças. Agora, com a volta às aulas, a mãe, constantemente preocupada em ajudar a quem precisa, sugeriu que ambos doassem as mochilas usadas para meninos com dificuldades financeiras. Desta vez, Lucas prontamente deu não somente a mochila, mas também a merendeira.

Lara tem quatro anos. Participa diariamente do Culto do Evangelho do Larcom a mãe, a avó e a irmã. No ano passado, manifestou o desejo de também fazer preces. De início, dirigindo-se sempre ao Papai do Céu, fazia petitórios muito simples. Aos poucos, foi mudando. Outro dia, surpreendeu a todos repetindo palavras usadas pelos adultos: “Senhor, abençoa...”, ou “Mestre, obrigada por...”.

Esses dois casos têm algo em comum. Eles revelam o quanto a criança imita o comportamento alheio.

De fato, na última década, estudos sobre o que leva o ser humano a imitar outro sofreram grande avanço. Pesquisas na área das neurociências estão apontando que, tanto os animais quanto os seres humanos parecem ter uma capacidade de imitar automaticamente o que vemos outros fazer. Hoje, acredita-se que isso é função dos neurônios-espelho. Dito de uma forma bem simplificada, esses neurônios têm por função representar e organizar no cérebro da pessoa suas próprias ações, como seus gestos, movimentos do corpo, expressões faciais etc. Acontece que essas mesmas células também são ativadas quando se observa essas ações sendo realizadas por outra pessoa. Tal como um espelho, tais neurônios "refletem" automaticamente ações alheias, permitindo ao observador tanto imitá-las quanto interpretá-las.

O que era do conhecimento do senso comum agora é confirmado pela ciência: a criança imita aquilo que vê e ouve das pessoas do seu entorno, ou mesmo dos meios de comunicação. Por isso, deveríamos ser muito cuidadosos com aquilo que fazemos e falamos diante das crianças.

 Nos dois exemplos citados, percebemos a criança imitando atitudes positivas que observou no seu meio familiar.

Se considerarmos as lições do Evangelho e, em particular, as exortações do Mestre Jesus, veremos que há um imenso leque de atitudes e comportamentos que poderíamos externar diante dos nossos pequeninos, como forma intencional de fazê-los aprender, sem palavras.

Preocupa-nos, no entanto, a quantidade de famílias que parecem ignorar a existência desses padrões imitativos da criança e agem, na sua presença, de forma muito equivocada, imaginando que não há nenhuma consequência para seus atos.

Muitos são os exemplos a esse respeito. Fiquemos aqui com o da agressividade. Dificilmente uma criança que é tratada de forma violenta deixará de usar da violência para com o seu próximo. Por outro lado, ambientes calmos, onde se fala de forma equilibrada com a criança, mesmo diante das suas pirraças ou dos seus choros e gritos, onde se age com firmeza sem perder a calma e sem partir para a agressividade, acabam por servir de modelo para os seus neurônios-espelho, ajudando-a na aquisição de comportamentos mais sociáveis.

Do ponto de vista da Doutrina Espírita há, ainda, um fator que devemos levar em consideração: a bagagem trazida pelo espírito ao nascer.

 Há crianças que manifestam, desde cedo, comportamentos agressivos, desrespeitosos e egoístas, que precisam ser combatidos com presteza, como nos diz Santo Agostinho em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XIV. De posse desse conhecimento sobre a imitação, seria desejável que seus pais e educadores não se limitassem a orientá-las com palavras e conselhos, mas que redobrassem a atenção no sentido de fornecer-lhes exemplos de comportamentos pacíficos, respeitosos e altruístas.

Sabemos, porém, que também nós, adultos, precisamos de modelos, uma vez que nos encontramos muito distantes do perfil de homem de bem. E, conforme registrou Kardec, o Mestre Jesus é o nosso modelo mais perfeito.

Analisando sua trajetória entre os homens, notamos as inúmeras passagens em que o vimos exemplificando, com o próprio comportamento, aquilo que ensinava aos seus seguidores, ou narrando-lhes histórias edificantes, para serem imitadas.

E como a sua voz ecoou através dos séculos e chega, ainda hoje, vibrante e clara até nós, deveríamos – já que estamos mais cientes da nossa predisposição biológica para copiar as ações alheias – imitá-lo de forma mais fiel possível. Talvez seja hora de aproveitarmos a riqueza de material audiovisual de que hoje dispomos e nos deixarmos envolver com os seus exemplos de amor, bondade, fé, indulgência, perdão, entre outras qualidades de que tanto necessitamos para o nosso adiantamento moral.

 

 
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