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Artigo do Jornal: Jornal Outubro 2018
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Os contos são diversos e brilhantes sobre a vida profunda do Santo de Assis, no entanto, quando relatamos algo sobre a sua passagem pela Terra, recorremos às leituras que fizemos ou aos filmes que assistimos. Tudo faz parte de um grande acervo sobre Francisco de Assis, este pacificador lembrado e exaltado por tantas religiões e religiosos no mundo.

O fato é que ele transcende e faz vibrar em nos corações emoções diferentes, que fortalecessem por todos os lados o imaginário criado por tantas mentes ao longo desses oito séculos da sua passagem pela Terra.

A criação de Deus exposta aos nossos cinco sentidos faz lembrar e associar a sua conduta de simplicidade e perfeição.

Ao visualizarmos os cenários da natureza, entre suas cores, seus tons, seus movimentos, seus sons, tudo gera beleza, alegria e felicidade. São nuances que nos faz pensar e sentir de perto a criatura que só está distante mesmo na história.

Francisco de Assis era um artista, uma espécie de trovador que criava os seus versos e cantava livremente, sem preocupação, mesmo porque a sua música e a sua poesia possuía uma intimidade liberdade, porque os seus versos produziam uma cartilha amorosa inspirada no Pai Celestial.

Irmão sol, irmã lua, por exemplo, é um cântico de louvor a Deus!

O grande cineasta italiano Franco Zeffirelli utilizou com genialidade o conteúdo dessa poesia sob a ação melódica, tendo como pano de fundo a moldura e esplendor dos elementos da natureza: pássaros, montanhas, vento, relva, flores...

O que dizer então de uma poesia tornar-se uma prece no decorrer do tempo? Quantos pronunciaram e pronunciam essa poesia que viaja aos céus numa vibração de amor e paz envolvendo tantas criaturas?

O pedido justifica e retrata a natureza humana de Francisco de Assis:

- Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.

A súplica significa a certeza e a fé da sua condição na Terra, devido à consciência cósmica que pulsava em seu coração de servidor humilíssimo.

Sua tarefa na Terra não foi fácil e nem contemplativa, porque ele teve muito trabalho solidário e fraterno dispensado aos necessitados. Podemos, inclusive, afirmar que ele foi um verdadeiro diplomata em sua época.

Na ordem franciscana teve que combater os desvios das organizações dispostas a mudar o regime do voto de pobreza; nas dissensões entre o oriente e ocidente teve frente a frente com o Califa soberano e irredutível; diante dos deserdados cumpriu fielmente a manutenção da palavra consoladora acalentando corações revoltados.

O pesado fardo das dificuldades, o abandono quase que geral dos seus confrades, não foi o suficiente para esmorecer o seu propósito de amor.

Enfim, a sua vida foi de muito trabalho e não de mesuras, porque sempre atuou com carinho enfrentando os percalços da vida, visto a certeza de que Jesus estava presente.

Diante das lutas aplicou o perdão com gestos de nobreza espiritual. Foi firme quanto à vontade de Deus, mas sem perder a doçura dos homens dignos da verdade. Compreendeu perfeitamente que o tempo de Deus é diferente do tempo dos homens.

Trabalhou por muito tempo se dedicando as necessidades do caminho, sem nunca olhar para si mesmo sem tirar vantagens. Teve uma vida curta, mas completamente meritória no tocante ao serviço programado.

Até que chegou o dia da sua partida e pediu aos que lhe acompanhavam para levá-lo para o alto do Monte Alverne, pois queria partir no anonimato.

Chegou então o dia da sua despedida e ele se encontrava fraco fisicamente, mas era apenas a matéria física que podia mais sustentar. Contudo, a força da sua alma refletia a luz do alto a ponto de receber os estigmas.

Exposto ao chão junto à irmã terra agradeceu humildemente pela jornada terrena e com alegria, aceitou a chegada da irmã morte olhado para o céu e tendo a visão do o irmão sol todo iluminado, quando começou agradecer recitando os versos mais pronunciados em todo mundo.

Fechou os olhos, partiu em silêncio.

Agora ele vive em nós, porque ele foi à personificação de Jesus na Terra, num tempo difícil para a Humanidade.

Fica a nossa sugestão nesse mês festivo e repleto de saudades o filme de grande beleza: Irmão sol, irmã lua de Franco Zeffirelli.

Paz e bem!

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