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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2017
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Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular. 
Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando porque havia perdido sua boneca. 

Kafka ofereceu ajuda para encontrar a boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar. 

Não tendo encontrado a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a própria boneca e leu para a garotinha quando se encontraram. A carta dizia: “Por favor, não chore por mim, parti numa viagem para ver o mundo”.

Durante três semanas, Kafka entregou pontualmente à menina outras cartas, que narravam as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo: Londres, Paris, Madagascar…

Tudo para que a menina esquecesse a grande tristeza!

Esta história foi contada para alguns jornais e inspirou um livro de Jordi Sierra i Fabra, Kafka e a Boneca Viajante, onde o escritor imagina como teriam sido as conversas e o conteúdo das cartas de Kafka.

No fim, Kafka presenteou a menina com outra boneca.

Ela era obviamente diferente da boneca original. 

Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram…”. 

Anos depois, a garota encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca substituta.

O bilhete dizia:

“Tudo que você ama: você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.

Gestos de carinho sempre amenizam as dores de quem perdeu algo ou alguém na vida. Feliz, no entanto, são aqueles que se preocupam em ouvir os seus semelhantes nas necessidades íntimas, com a paciência e o devido respeito.

Foi exatamente o que fez o escritor Franz Kafka ao perceber a menina que havia perdido a sua boneca. Aparentemente um brinquedo, mas que tinha um valor sentimental para ela enorme.

Essa história incomum poderia ser criada por qualquer escritor habilidoso, mas se tornou uma revelação especial graças a outro autor, que ao saber dessa passagem de Kafka, resolveu escrever sobre ela, talvez, para ressaltar o valor do seu protagonista e mostrar a importância da solidariedade.

Kafka foi considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX, devido aos seus contos e romances, quase sempre pautados por temas e arquétipos de alienação e brutalidade física e psicológica, conflito entre pais e filhos, personagens com missões aterrorizantes, labirintos burocráticos e transformações místicas.

Aprendemos com o Espiritismo que a alma foi criada simples e ignorante. Que os valores são utilizados conforme as escolhas de cada um, de acordo com o seu grau evolutivo.

Na Revista Espírita, por Allan Kardec, encontramos diversas narrativas de autores consagrados que relatam a surpresa que tiveram ao se defrontarem com a realidade de suas obras no mundo espiritual. Viram que nem tudo fora digno de aplausos e homenagens, mas, que encontraram também as portas abertas para reaverem os erros cometidos e começar um novo o caminho de volta.

Ainda bem que o escritor diante de algo que poderia ser descartado facilmente, por não haver nenhuma relação com o seu trabalho, usou de bom senso e da sua imaginação para manter a chama da fé viva e a certeza da esperança.

Ele desencarnou um ano depois desse encontro, mas o escritor Sierra i Fraba escreveu o conto denominado Franz Kafka e a Boneca Viajante, que, certamente, abrirá espaços à curiosidade dos nossos leitores.

  Fica a mensagem do autor para a menina, como um recado essencial para 2018:

“Tudo que você ama: você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.

Feliz Natal!

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