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Artigo do Jornal: Jornal Agosto 2016

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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Há coisas que pedem, literalmente, que estejamos de olhos abertos para ver. Outras ainda solicitam ajuda de aparelhos: lentes, lupas, eletrônica... algumas, entretanto, apenas pedem lucidez ou interesse em enxergar.

       Para se perceber o quanto o Magnetismo está vinculado ao Espiritismo não é necessário quase nada disso: basta simplesmente acreditar (ou querer acreditar) no que se lê. E não me refiro apenas às obras de Allan Kardec, bem se vê!

       As demandas históricas, que buscavam trazer à luz todas as evidências oriundas dessa ciência, quase sempre se traduziam na briga contra uma aristocracia acadêmica que teimava em não querer ver a manifestação desse poder humano sobre o próprio humano. Rechaçado como místico ou ilusório, o Magnetismo ali encontrava teses contrárias, muito mal fundamentadas, repletas de ranços e preconceitos. Além de ter opositores que simplesmente não creem no que não veem, existem os que mesmo vendo não acreditam. E para esses as consequências não estão respondendo às causas da ação do Magnetismo e sim trazendo o retorno do fortuito, chamado acaso, imperando nos domínios do “não quero ver nem saber”.

       Contra esses, o gasto de energia é imenso e o retorno insignificante. Afinal, não querem ver, até mesmo para não serem sacados da acomodação que lhes sustenta o conforto.

Dessa maneira, acredito que é preferível focar mais no que podemos esperar dos que percebem os horizontes abertos pelo codificador, a ficar idealizando quando despertarão aqueles outros da já prolongada cegueira que impede de se ver o que é básico e essencial dentro dos propósitos espíritas.

       Há 10 anos (2006), a FEB lançou um opúsculo de Allan Kardec, ao qual juntou outros, dando a este conjunto o título: O Espiritismo na sua Expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec, com o seguinte subtítulo: “Exposição sumária do ensino dos Espíritos e de suas manifestações; por Allan Kardec”. A tradução ficou ao encargo de Evandro Noleto Bezerra.

       Nessa obra, o tradutor assim se pronunciou sobre um dos opúsculos ali agregado: “CATÁLOGO RACIONAL DAS OBRAS PARA SE FUNDAR UMA BIBLIOTECA ESPÍRITA A 1ª edição deste opúsculo apareceu em fins de março de 1869. Derradeira obra de Allan Kardec, trata-se de um sumário metódico de obras que serviria de catálogo para a Livraria Espírita, cuja inauguração, prevista para o dia 1º de abril de 1869, foi adiada em virtude da desencarnação do Codificador, ocorrida na véspera”.

       Na continuidade, ele acrescenta: “Não obstante esgotados, já naquela época, boa parte dos livros citados no referido catálogo, muitos deles analisados na Revista Espírita, julgamos oportuna a sua publicação nesta obra em razão de seu inestimável valor histórico e também para mostrar que Allan Kardec não se furtava de comentar e recomendar aos seus leitores qualquer obra que, direta ou indiretamente, tivesse alguma relação com o Espiritismo, inclusive as voltadas contra a própria Doutrina Espírita, porquanto, segundo ele, "proibir um livro é dar mostras de que o tememos.”

       Pois bem; ao par do que será destacado é digno de nossa admiração que aquela editora lembre sobre o que Allan Kardec pensava a respeito de obras proibidas. Ele não só não apoiava qualquer iniciativa nessa direção, como ainda apresenta, no referido opúsculo, obras contrárias ao Espiritismo. Mas o que precisa ser visto é a relação de obras sobre Magnetismo que ele incluiu nesse trabalho sugerindo sua inclusão nas bibliotecas espíritas. Dentre outras, obras de Mesmer, do Barão du Potet, de Charles Lafontaine, do sábio Deleuze, do dr. Bertrand, de Chardel, do dr. Charpignon, de Millet, de Puységur (o pai do sonambulismo) e, inclusive, 8 volumes dos Anais de Magnetismo Animal.

       O que significa isso? Estaria ele apenas querendo indicar uma bibliografia sem sentido prático para o Espiritismo? Lembremo-nos que essas indicações ele fez às vésperas de sua desencarnação, o que equivale a dizer que ele sabia, com total segurança, o que estava indicando pelo valor dessas obras, por sua ligação direta com o Espiritismo e pela seriedade, as quais ele as lera e consultava em sua prática como magnetizador.

       E o que ensinam essas obras? Não apenas simples imposição de mãos, mas toda uma ciência, rica e profundamente necessária ao desenvolvimento das próprias ideias espíritas.

Alegar que esse livro O Espiritismo na sua Expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec não faz parte do pentateuco, a fim de diminuir-lhe o valor, jamais eliminará a força da postura lúcida e segura do codificador do Espiritismo em relação ao Magnetismo.

       Resta-nos apenas avaliar: estamos dispostos a ver (ler, estudar, conhecer e experimentar) o que esses livros ensinam e, com eles ampliar os alcances espíritas, ou seguir sem querer ver e continuar com uma opção sequer satisfatória?

       Grande parte dessas obras se encontra hoje traduzidas e publicadas pela editora Vida e Saber (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.), dando-nos a oportunidade de, em tendo olhos de ver, enxergarmos o quanto estava certo Allan Kardec quando disse que o “Magnetismo e o Espiritismo são uma única e só ciência” (O Livro dos Espíritos, questão 555, nota).

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