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Artigo do Jornal: Jornal Dezembro 2014

Sobre o autor

Jacob Melo

Jacob Melo

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Quando Jesus nos diz que não basta clamar “Senhor! Senhor!”, podemos ouvi-Lo a se multiplicar, pois ecoa em inúmeras situações.

No caso espírita, por exemplo, dizer-se seguidor do Espiritismo não basta, pois muita gente, muita mesmo, até pode se acreditar espírita quando apenas está seguindo a aluvião do que é chamado ‘movimento espírita’. Ser espírita é muito mais do que seguir um movimento; é refletir o Espiritismo tal como nos foi entregue e não necessariamente como querem ou dizem que ele seja.

Para não ficar no genérico, onde se corre o risco de se indicar pontos que não fazem parte da correnteza em foco, observemos o que e como vem sendo tratado o Magnetismo no seio desse ‘movimento’.

‘Passe espírita é apenas imposição de mãos’! Se isto for correto, então será melhor reavaliar os conceitos da base espírita, pois esta frase não concorda em absolutamente nada com o que Allan Kardec e os Espíritos Superiores nos transmitiram e ensinaram.

‘Magnetismo é uma ciência ultrapassada’. Sendo verdade, então caberia a pergunta: deveremos enterrá-la ou resgatá-la? Em todo caso, aonde se enquadram os passes? Trará o passe alguma conotação científica ou deve ser considerado apenas como um ritual ou um ‘faz de conta’?

‘Espírito tal e qual dizem que só devemos fazer isso assim-assado’. Se essas entidades estão corretas, então por que não dizemos isso aberta, pública e oficialmente, deixando clara a opinião – então contrária – de Allan Kardec e dos Espíritos Superiores?

‘Nossa Instituição concorda que não deve haver movimento de mãos nos passes’. Então que sejam apresentados os argumentos em que se baseia, mas se for apontar a obra de Kardec, que seja só nela e não se faça confusão usando de sofismas misturando, ardilosamente, obras de vários autores, de forma que leitores menos atentos não percebam de onde vem o quê.

‘Tratar de Magnetismo na Casa Espírita só cria desentendimentos entre os médiuns’! Não seria mais correto pedir que os médiuns estudem e trabalhem seus melindres? Os trabalhos de passes desenvolvidos na Casa visam atender aos necessitados ou aos gostos dos médiuns e/ou dirigentes? Como calar o certo para que os equivocados se lambuzem em suas falsas verdades?

‘Mas quem tiver merecimento se curará, independentemente de qualquer técnica’. Se isso fosse literalmente aceito pelos que professam a ideia seria de se perguntar se eles vão a médicos, se tomam remédios ou ainda se pedem/recebem passes? Pois se a cura só vem por merecimento, então de nada adiantaria nenhuma dessas providências. Em todo caso caberia se questionar acerca do que se entende o que seja merecimento.

‘Isso que chamam de técnicas magnéticas não passa de encenação’. Particularmente fico entediado com esse raciocínio, pois tendo sido Allan Kardec magnetizador por 35 anos, tendo ele elogiado, recomendado e entendido a base espírita com o suporte do Magnetismo, e ainda tendo se dedicado a reforçar o saber magnético com muitas explicações de fenômenos antes inexplicados, teria ele apenas encenado? Se sim, com qual finalidade?

Infelizmente há quem queira desviar a luz e as bênçãos que o Magnetismo oferece à humanidade e que o Espiritismo potencializou.

Há quem não se conforme em saber que todos os seres humanos podem desenvolver suas potencialidades humanas – conforme estabelece O Evangelho Segundo o Espiritismo em seu capítulo 19, item 12, último parágrafo; será que essa prática roubaria os poderes de alguém!

Há quem prefira acreditar que seu tempo de existência ou de frequência numa Casa fale mais alto do que a força da ação positiva – força essa que o magnetismo dota seus verdadeiros adeptos.

Há quem queira desconhecer que Allan Kardec disse: “Devíamos, aos nossos leitores, essa profissão de fé, que terminamos rendendo uma justa homenagem aos homens de convicção que, afrontando o ridículo, os sarcasmos e os dissabores, estão corajosamente devotados à defesa de uma causa toda humanitária. Qualquer que seja a opinião dos contemporâneos sobre a sua conta pessoal, opinião que é sempre, mais ou menos, o reflexo de paixões vivas, a posteridade lhes fará justiça; colocará o nome do barão Du Potet, diretor do Jornal do Magnetismo, do senhor Millet, diretor da União Magnética, ao lado dos seus ilustres predecessores, o marquês de Puységur e o sábio Deleuze. Graças aos seus esforços perseverantes, o Magnetismo, tornado popular, colocou um pé na ciência oficial, onde dele já se fala, em voz baixa. Essa palavra passou para a linguagem usual; ela não espanta mais, e quando alguém se diz magnetizador, não lhe riem mais ao nariz”. Creio que ele, Allan Kardec, jamais imaginaria que o ‘movimento espírita’ dos dias atuais tratassem esse mesmo Magnetismo com o desdém, o descaso e o desrespeito com que tem sido tratado em grande parte de seu seio.

Mas... Há quem não desista e siga lutando pelo restabelecimento dessa ciência abençoada, com a qual o Espiritismo tem tudo para retomar sua trilha original.

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