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Djalma Santos

Djalma Santos

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Artigo para o Jornal Correio Espírita.

A Mediunidade e o psiquismo humano

Por Djalma Santos

Colaborador do CCCE           

 

MediunidadeSempre existiu uma ideia errônea de que o subconsciente seria o responsável pela personificação às vezes anômala e parasitária da vontade do médium, criando obstáculos ao exercício da mediunidade. Isso faz com que se apresentem, muitas vezes, conceituações apressadas e negativas, atribuindo patologias inerentes ao próprio indivíduo que lhe dariam facilidades para a comunicação com os chamados mortos.

            Os componentes da histeria também são apontados como coadjuvantes de diagnósticos aberrantes, com fundamento no campo cerebral, que seria o órgão encarregado de arquivar os conflitos, assim como as frustrações que se materializariam como estados mentais de alienação, necessitando de um tratamento especializado, mesmo em detrimento da comunicação espiritual.

            Além de todas essas dificuldades em se estabelecer parâmetros sobre a mediunidade, temos a hipótese da fraude, da dissimulação, da telepatia, ou da hiperestesia, que certamente fazem parte desse contexto tão complicado na vida do médium e interferem na tentativa de se negar a veracidade da comunicação dos desencarnados com os encarnados, que ainda jornadeiam aqui no Planeta Terra.

            Essas possibilidades apontadas podem perfeitamente se tornarem reais, principalmente quando conta com o fenômeno anímico, em que prevalece a vontade do médium, mas sem prejuízo nenhum para o fenômeno mediúnico, que se verifica quando prevalece a força mental do espírito comunicante, aproveitando a passividade do sensitivo, que se torna dócil e obediente às mensagens que lhe são transmitidas do mundo espiritual.      

            A fraude, a dissimulação e outras formas aleatórias no campo da mediunidade, ficam por conta do caráter do homem que, ainda imperfeito, deixa-se levar por espíritos zombeteiros, imperfeitos e maus, que sentem prazer em se comunicar com os homens trazendo mensagens falsas e jocosas, sem nenhum aproveitamento moral, mas que só fazem isso porque encontram parceiros no campo humano, que os atraem e os vitalizam, dando condições para que se imiscuam na vida física das pessoas.

                A mediunidade, de um modo geral, se apresenta como expressão fisiopsíquica relativa ao próprio homem terreno, e é por este meio que se é possível entrar em contato com outras faixas vibratórias do Universo, além ou aquém dos raios infravermelho ou ultravioleta, que nos envolvem e nos interpenetram, como representações do Fluido Cósmico Universal que, em síntese, é o hausto divino, ou seja, a força nervosa do todo poderoso que é Deus.

            A nossa percepção sensorial é relativamente pequena e é mantida numa pequena faixa de vibrações, porque somente as ondas eletromagnéticas de luz, que transitam entre o infravermelho – que é a mais baixa frequência visível – e o ultravioleta – que é a frequência mais alta – podem ser captadas, pelo fato de que é permitido vibrar nos terminais do nervo óptico da retina dos olhos. No entanto, as ondas de rádio, as micro-ondas e as caloríficas, por não corresponderem à frequência de ressonância íntima que possam atingir a visão, não podem ser percebidas embora sejam da mesma natureza das cores registradas em outras frequências vibratórias.

            Os desequilíbrios que se verificam no campo da mediunidade são inerentes aos homens, que muitas vezes trazem em germe essas psicopatologias em todos os campos da vida, exsudando em oportunidades próprias esses fatores negativos, que até certo ponto dificultam o trabalho no campo mediúnico, ao ponto de, às vezes, chegar ao descrédito, vulgarizando conceitos negativos relativos à mediunidade que não correspondem à verdade. Em muitos casos, se diz que a mediunidade provoca a desarmonia mental, quando na realidade o exercício da mediunidade harmoniza a vida do médium e de seus familiares.

            Como tudo na vida física, a mediunidade necessita de educação, de conhecimento da doutrina e de uma formação moral rígida, em que o médium sabe exatamente o que fazer para manter um relacionamento ético e solidário com as entidades com quem venha a se comunicar. Enfim, o mesmo tipo de relacionamento que se faz aqui com os vivos, que também deve ser ético, leal, sincero e transparente, ou seja, que é bom com os vivos, certamente será também muito bom com os chamados mortos.

            Todo e qualquer instrumento de trabalho deixado ao abandono, à deriva, com o decorrer do tempo, vai se tornar inútil, devido ao atrofiamento da vitalidade não exercida. O mesmo ocorre com as energias que dão possibilidade para os fenômenos mediúnicos, que se forem abandonadas pela falta de uso dessas faculdades, certamente ocorrerá atrofia, e os espíritos vão se afastando aos poucos, retirando do médium as percepções da paranormalidade.

            A mediunidade só é bem executada quando é posta a serviço do engrandecimento das criaturas e da sociedade em que vive o médium. A mediunidade espírita propociona gozos inefáveis e respeito, que dá felicidade àquele que está ajustado ao bem, como acontece com todas as iniciativas no campo da solidariedade e do compartilhamento, nas demais faixas do comportamento humano. O médium sincero e caridoso encontra, do outro lado da vida, todos aqueles com quem conviveu, assim como com os espíritos com manteve comunicação mediúnica, o que lhe dá uma alegria indizível, difícil de ser retratada pela mente humana.

            Alan Kardec afirma no Livro dos Médiuns que a mediunidade é uma manifestação anômala, muitas vezes da personalidade humana, porém, jamais de natureza patológica, tendo em vista que existem médiuns de saúde robusta, o que se leva a crer que os que apresentam sintomas de alienação psíquica o são por outros motivos, totalmente descartados do exercício da mediunidade.
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