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Ainda que saibamos que religião, em linhas gerais, é uma coisa benéfica, um progresso para a humanidade, nos entristece ver que essa prática social se vê frequentemente arrolada em conflitos entre pessoas, comunidades e nações, servindo como mote da divisão e do poder que explora.

As experiências ecumênicas, valorosas, por vezes descambam para comparações estéreis de visões de mundo e tertúlias sobre méritos salvacionistas, desperdiçando oportunidades de entendimento e de fraternidade na frieza do loteamento de eventos e produções gráficas, sobre a égide de isso ser ecumenismo.

Deus, quando permitiu-nos se reunir na busca da comunhão com Ele, certamente (perdoem-nos o antropomorfismo) não pensou isso como um instrumento de dissensão. Quantas mortes sangrentas o passado e o presente nos brindam, à•luz da religião? Como é contraditório ver o filho de um carpinteiro, que pregava o amor ao próximo, cercado de pessoas humildes, alçado ao madeiro, sendo então convertido em elemento de desagregação e de jogos políticos.

Cristo cósmico, espiritual, divino, salvador... A figura do Rabi da Galiléia, imerso na força da dominação e da tradição, converte-se em um sincretismo político-religioso, no senhor dos exércitos, príncipe dos eleitos e provedor de riquezas materiais. O formalismo, como meio de compensação do caos da incerteza e as formas retas, como amparo e segurança, transformam-se em fins ensimesmados, aprisionando a ideia de Deus em visões deturpadas e interesseiras, que por vezes fazem da religião um clube de interesses econômicos e políticos, e um index de normas demarcadoras desse mesmo clube, como elemento de exclusão e de poder.

Essa incômoda reflexão nos aparece toda vez que alguém tem dificuldade em entender que o espiritismo é uma religião, apesar de não se enquadrar nesse paradigma, no pensamento Kardequiano. Ou ainda, pelo fato de ser religião, alguns de nossos confrades buscarem introduzir essas práticas reprováveis na casa espírita, por uma questão de isonomia com outras denominações.

Incomoda, pois isso acarreta viver a religiosidade sem refletir nos seus fundamentos, no que existe de mais intrínseco nessa nossa forma de se relacionar com Deus, que deseja a construção de seu reino, pelo respeito às raças, etnias e povo, com justiça e caridade. Dizermos que somos religiosos é mais do que apenas o formalismo da prática exterior. Cada religião é um portal de comunicação da criatura com Deus, a sua maneira. Como tudo, a religião pode ser instrumento de opressão e dominação, de luta e discórdia, mas também de comunhão e fortalecimento dos laços.

O crescimento do ateísmo detectado nas pesquisas, em especial na Europa, nos leva a refletir se o problema está em Deus, se é que isso é possível, ou se na forma na qual as religiões tem trazido Deus ao mundo.

Graças a Deus, religião como denominação não é sinônimo de elevação espiritual. A religiosidade, refletida na postura de comunhão com Deus, representa sim caminhada firme rumo à evolução, ainda que insistamos, por vezes, a conta de nossa influência judaico-cristã, proferir bravatas sobre povos eleitos, imputando a Deus as nossas imperfeições.

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